Economia

Anec mantém previsão de exportação recorde de soja em 2026

ResumoA Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta exportação recorde de soja do Brasil em 2026, com 114 milhões de toneladas. A entidade alerta para o endividamento no campo como fator limitante para safras futuras. A previsão mantém o país como principal fornecedor global do grão, com números superiores aos registrados em anos anteriores.

Anec mantém previsão de exportação recorde de soja do Brasil em 2026: 114 milhões de toneladas. Mas alerta para endividamento no campo, que pode limitar safras futuras. Veja os números.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 07 de agosto de 2026
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Anec mantém previsão de exportação recorde de soja do Brasil em 2026, mas alerta para dívidas agrícolas

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) manteve nesta quinta-feira (6) a previsão de exportação recorde de soja do Brasil em 2026. O país deve embarcar 114 milhões de toneladas, um aumento de quase 5% em relação à melhor marca anterior, registrada no ano passado. A demanda está "aquecida", e a safra brasileira cresce, mas a entidade alerta para o endividamento dos agricultores, que pode limitar o ritmo das próximas safras.

A Anec, que reúne as principais tradings do setor, estima que o Brasil continue como maior produtor e exportador de soja do mundo. No acumulado de janeiro a julho, as exportações somaram 84,8 milhões de toneladas, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Para agosto, a projeção preliminar é de 9,74 milhões de toneladas, alta de 1,6 milhão de toneladas ante agosto do ano passado. Com isso, o acumulado do ano até o fim do mês pode atingir 94,5 milhões de toneladas.

O alerta sobre as dívidas agrícolas

Apesar do cenário positivo para os embarques, a Anec chama atenção para um problema que pode afetar o futuro do agronegócio: o endividamento dos produtores rurais. Em relatório, Jean Carlo Budziak, engenheiro agrônomo e responsável pela área de Inteligência de Mercado da Anec, afirmou que "o endividamento no campo cresce de forma significativa e sinaliza o enfraquecimento da saúde financeira dos produtores, que ainda não demonstra capacidade de recuperação, em razão das margens cada vez mais apertadas, além das restrições de crédito".

Os números explicam a preocupação. Levantamento da própria associação, realizado em junho em Mato Grosso, mostrou custo médio de produção de soja em aproximadamente US$ 423,31 por tonelada. A receita obtida com a exportação, porém, ficou em US$ 417,01 por tonelada. Ou seja, o produtor está gastando mais do que ganha, o que aperta a margem e dificulta a recuperação financeira.

O que isso significa para as próximas safras

Budziak foi direto ao avaliar o impacto: "Esse cenário é preocupante e tende a limitar a expansão da área cultivada e da produção nas próximas safras, refletindo também sobre o potencial de crescimento das exportações". Ele ponderou, no entanto, que o país não vai parar de crescer. "Isso não significa que o país deixará de crescer, mas indica que esse crescimento dificilmente ocorrerá no mesmo ritmo observado nos últimos anos."

Para quem acompanha o setor, o recado é claro: o ciclo de expansão acelerada pode estar chegando a um limite. A dívida no campo não é um problema novo, mas a combinação de margens apertadas, crédito restrito e custos elevados cria um cenário de atenção. O produtor que planta hoje está apostando em uma recuperação de preços que ainda não veio.

Milho: queda nos embarques e concorrência externa

Enquanto a soja segue em alta, o milho vive situação oposta. A estimativa da Anec, baseada na programação de navios, indica queda nos embarques do cereal em agosto para cerca de 4 milhões de toneladas, contra 7,34 milhões no mesmo mês de 2025. A previsão, segundo o relatório, deve passar por alteração nas próximas semanas.

O mês de agosto costuma ser importante para o milho brasileiro, quando a colheita da segunda safra está mais avançada e os volumes de soja diminuem, liberando espaço nos portos. Mas, em 2026, o Brasil enfrenta forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina. Com a estimativa atual para agosto e os embarques de janeiro a julho, a exportação acumulada até o fim do mês deve ficar em 13,2 milhões de toneladas, uma queda de 22,4% na comparação com o mesmo período de 2025.

Farelo de soja: avanço expressivo

Nem tudo é queda no complexo soja. Os embarques de farelo de soja têm sido maiores em 2026. Para agosto, a Anec projeta inicialmente 2,475 milhões de toneladas, um avanço de mais de 450 mil toneladas ante o mesmo mês do ano passado. O farelo, que é usado na alimentação animal, acompanha a demanda aquecida por proteína no mercado internacional.

O que observar daqui para frente

Para o investidor e para quem vive do campo, os próximos meses serão decisivos. De um lado, a soja garante receita e volume recorde. De outro, o endividamento pode frear o plantio da próxima safra, o que afetaria a oferta global e, possivelmente, os preços. A Anec promete revisar as projeções nas próximas semanas, especialmente para o milho, e o mercado deve ficar de olho nos números.

A recomendação de quem acompanha o setor é monitorar tanto os embarques quanto a saúde financeira dos produtores. O recorde de 2026 é real, mas a sustentabilidade desse crescimento depende de o produtor conseguir fechar as contas no fim do ciclo. como o endividamento agrícola afeta os preços das commodities

Perguntas Frequentes

O Brasil vai bater recorde de exportação de soja em 2026?

Sim, segundo a Anec. A previsão é de 114 milhões de toneladas exportadas, quase 5% acima do recorde anterior, registrado em 2025.

Por que a Anec alerta para as dívidas agrícolas?

Porque o endividamento no campo cresce e a capacidade de recuperação dos produtores é limitada, com margens apertadas e restrição de crédito. Isso pode reduzir o ritmo de expansão das próximas safras.

Qual é o custo de produção da soja em Mato Grosso?

Segundo levantamento da Anec em junho, o custo médio é de US$ 423,31 por tonelada, acima da receita de exportação, de US$ 417,01 por tonelada.

Como está a exportação de milho em agosto de 2026?

A Anec estima queda para cerca de 4 milhões de toneladas, contra 7,34 milhões em agosto de 2025, por causa da concorrência de EUA e Argentina.

O que acontece com o farelo de soja?

Os embarques de farelo cresceram. Para agosto, a projeção é de 2,475 milhões de toneladas, avanço de mais de 450 mil toneladas ante o mesmo mês do ano passado.

o impacto do câmbio nas exportações agrícolas como funciona a safra de soja no Brasil

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