Economia

Âmbar anuncia R$ 5,5 bi para rede elétrica do AM

ResumoÂmbar Energia, do grupo J&F, planeja investir R$ 5,5 bilhões na rede elétrica do Amazonas até 2031. Desse total, R$ 3,9 bilhões virão de capital próprio e o restante de repasses federais, incluindo o programa Luz para Todos. A empresa assumiu a concessão do estado em abril.

Empresa do grupo J&F assumiu a concessão do Amazonas em abril e prevê R$ 5,5 bilhões até 2031. Do total, R$ 3,9 bilhões saem de capital próprio; o restante vem de repasses federais, incluindo o Luz para Todos.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 11 de setembro de 2026
Âmbar anuncia R$ 5,5 bi para rede elétrica do AM

A Âmbar Energia, empresa do setor elétrico controlada pela J&F, holding da família Batista, que também controla a JBS, vai investir R$ 5,5 bilhões no sistema de eletricidade do Amazonas até 2031. O plano foi apresentado na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) na semana passada.

Do total previsto, R$ 3,9 bilhões serão financiados com capital próprio da companhia. O restante virá de repasses do governo federal, incluindo recursos do programa Luz para Todos, segundo comunicado da empresa.

A Âmbar assumiu a concessão no Amazonas em abril deste ano, depois de adquirir a Amazonas Energia da Eletrobras em 2024. A aquisição fez parte de um pacote em que a Âmbar comprou 13 usinas termelétricas da Axia, antiga holding estatal do setor elétrico privatizada em 2022, por R$ 4,7 bilhões.

Por que o investimento foi desenhado agora

O plano foi elaborado a partir das necessidades mais urgentes, segundo a empresa. A Âmbar afirma que recebeu, junto com a concessionária, "um sistema com problemas estruturais".

Na audiência pública na Aleam, o presidente da Amazonas Energia, João Pilla, disse aos deputados estaduais que "a companhia assumiu uma distribuidora que enfrentava há anos um cenário de restrição de investimentos, dificuldades financeiras, elevados índices de perdas e uma infraestrutura que demanda ampla modernização".

A fala consta do comunicado da Âmbar sobre a apresentação. O histórico de queixas no estado ajuda a entender o contexto: conforme comunicados sobre a atividade legislativa publicados no site da Aleam, os parlamentares amazonenses vinham cobrando melhorias nos serviços de distribuição de eletricidade de forma rotineira.

O que a Aleam debatia às vésperas do anúncio

Na sessão plenária de 2 de setembro, véspera da apresentação da Âmbar, "as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica no estado voltaram a dominar os debates", segundo texto da própria Aleam.

O deputado João Luiz (Republicanos) levou ao plenário uma recomendação aos clientes da Amazonas Energia, veiculada nos canais oficiais da concessionária, que orientava a população a substituir o uso de aparelhos de ar-condicionado por ventiladores como medida de economia.

"No calor que o Amazonas enfrenta, com o El Niño castigando nosso povo, a orientação da empresa Âmbar Energia é desligar os condicionadores de ar e ligar ventiladores", criticou o deputado, conforme o registro da Aleam.

O anúncio chega, portanto, num momento em que a qualidade do serviço no estado já estava sob cobrança pública recorrente. Para quem paga a conta de luz no Amazonas, o dado prático é o prazo: o plano se estende até 2031, e a execução começa por um sistema que a própria concessionária descreve como deficitário em investimentos há anos.

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