Economia

Aluguel desacelera, mas alta de 9,16% supera o dobro da inflação

ResumoO aluguel residencial no Brasil desacelerou para 0,55% em agosto, mas acumula alta de 9,16% em 12 meses, mais que o dobro do IPCA de 4,22% no mesmo período. A desaceleração mensal não representa queda de preços para o inquilino, apenas ritmo menor de aumento.

O preço dos novos aluguéis residenciais desacelerou para 0,55% em agosto, mas acumula alta de 9,16% em 12 meses, mais que o dobro do IPCA de 4,22%. Para o inquilino, subir mais devagar não significa cair.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 15 de setembro de 2026
Aluguel desacelera, mas alta de 9,16% supera o dobro da inflação

O preço dos novos aluguéis residenciais perdeu velocidade em agosto. Os valores avançaram 0,55% no mês, abaixo da alta de 0,70% de julho, enquanto o IPCA registrou deflação de 0,32% no período, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial. Em 12 meses, a locação acumula alta de 9,16%, ante inflação de 4,22%.

O dado resume a distância entre as duas trajetórias. O IPCA acompanha uma cesta ampla de produtos consumidos pelas famílias, com variação mensal de -0,32% em agosto. Já o preço da locação responde à oferta e à procura por moradia. Quando muita gente busca um tipo de imóvel e a oferta não acompanha, a desaceleração da inflação geral não se traduz em aluguel mais barato.

No acumulado de janeiro a agosto, os aluguéis sobem 6,56%, mais que o dobro do IPCA de 3,11%. O IGP-M, referência tradicional em contratos imobiliários, avançou apenas 2,16% no mesmo intervalo. O levantamento é da Fipe com o Grupo OLX, a partir de anúncios de apartamentos prontos para locação em 36 cidades, entre elas 22 capitais. O indicador acompanha preços anunciados para novos contratos, não os reajustes de contratos vigentes.

Por que o aluguel não cai mesmo com inflação baixa

Para Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, os resultados indicam moderação no ritmo, mas não reversão da tendência de valorização. "Apesar da desaceleração observada na variação mensal, os dados ainda mostram um mercado de locação residencial ainda aquecido", afirma.

A economista aponta um componente que mantém a pressão: o custo elevado do crédito imobiliário. Com juros altos e menor acesso ao financiamento, parte das famílias que migraria do aluguel para a casa própria posterga a compra e permanece disputando imóveis para locação. "Os juros elevados e o crédito imobiliário mais restritivo pode postergar a decisão de compra de parte das famílias e manter essa demanda no mercado de locação", explica Mariangela.

Desacelerar é subir mais devagar, não cair

A série histórica mostra perda de força. A alta de 9,16% em 12 meses está abaixo dos 9,44% de dezembro de 2025 e distante dos 16,16% de 2023 e dos 13,50% de 2024. Mesmo assim, os novos contratos seguem ofertados em valores que avançam mais rápido que a inflação e pressionam o orçamento de quem precisa mudar de imóvel.

A alta está disseminada. Em agosto, 27 das 36 cidades monitoradas registraram aumento, e 16 das 22 capitais ficaram no campo positivo. Vitória liderou a elevação mensal, com 4,01%, seguida por Campo Grande (3,85%) e Natal (2,82%). Aracaju caiu 2,20%, Belém recuou 0,80% e Brasília, 0,79%.

No acumulado de 2026, Campo Grande lidera entre as capitais, com 16,25%, seguida por Natal (13,84%), Aracaju (13,57%) e Fortaleza (12,32%). Em 12 meses, Aracaju assume a ponta, com 21,61%, seguida por Fortaleza (16,81%), Natal (16,60%), Teresina (15,81%) e Vitória (14,65%).

O preço médio dos anúncios chegou a R$ 54,47 por metro quadrado em agosto. São Paulo lidera entre as capitais, com R$ 65,36, seguida por Recife (R$ 64,19), Belém (R$ 62,15), Rio de Janeiro (R$ 61,40) e Florianópolis (R$ 61,19). Entre as 36 cidades, Barueri tem o maior valor, R$ 71,92 como negociar o valor do aluguel na renovação.

Para o proprietário, o rental yield médio ficou em 6,14% ao ano em agosto, com o melhor retorno nos imóveis de um dormitório (6,77% ao ano).

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