Economia

Aliados dos EUA colocam em dúvida versão de Trump sobre Ormuz

ResumoO Estreito de Ormuz provavelmente ainda contém minas navais, segundo alertas reservados de aliados dos Estados Unidos. A afirmação de Donald Trump de que a Marinha americana removeu todos os explosivos instalados pelo Irã é questionada por esses parceiros. A avaliação contradiz a versão oficial e sugere risco persistente à navegação na região.

Aliados dos Estados Unidos alertam reservadamente que o Estreito de Ormuz provavelmente ainda contém minas navais, colocando em dúvida a afirmação de Trump de que a Marinha americana removeu todos os explosivos instalados pelo Irã.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 26 de agosto de 2026
Aliados dos EUA colocam em dúvida versão de Trump sobre Ormuz

Aliados dos Estados Unidos estão alertando reservadamente que o Estreito de Ormuz provavelmente ainda contém minas navais, colocando em dúvida a afirmação do presidente Donald Trump de que a Marinha americana removeu e detonou completamente os explosivos instalados pelo Irã. Segundo pessoas familiarizadas com avaliações internas, que pediram anonimato, os EUA provavelmente tiveram algum sucesso na remoção em águas internacionais, mas as operações ainda não eliminaram todas as cerca de 80 a 150 minas que teriam sido colocadas pelo Irã.

A avaliação contraria declarações repetidas por Trump nos últimos dias. Nesta quarta-feira, ele classificou Ormuz como "um estreito plenamente funcional" e reiterou que não restam minas na região. "As minas desapareceram. Vocês provavelmente viram isso. Divulgamos ontem: eliminamos todas as minas", afirmou durante entrevista ao The Glenn Beck Program. O Comando Central dos EUA (Centcom) se recusou a comentar as estimativas.

Autoridades de países aliados acreditam que a tarefa se tornou mais complicada porque muitas minas, inclusive as posicionadas em grupos, podem ter sido deslocadas pelas correntes marítimas. Restaurar a confiança das empresas de navegação exigirá uma iniciativa internacional, combinando equipamentos sofisticados de desminagem com proteção aérea e naval. Os aliados também querem que o Irã autorize Omã a conduzir uma missão desse tipo em águas omanenses.

"É altamente improvável que todas as minas no estreito tenham sido removidas", afirmou Becca Wasser, especialista em defesa da Bloomberg Economics. "Mesmo que a ameaça tenha sido reduzida, o Irã ainda pode intensificar o conflito. Diversos navios comerciais continuam ao alcance de drones iranianos e mísseis de curto alcance."

O almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, declarou ao Congresso em maio que ataques americanos destruíram mais de 90% do estoque estimado de cerca de 8 mil minas armazenadas pelo Irã. Em abril, o comando informou que dois destróieres atravessaram o estreito "como parte de uma missão mais ampla para garantir que a passagem esteja completamente livre das minas marítimas".

O tráfego pelo estreito aumentou, mas segue muito abaixo dos níveis pré-guerra. A Organização Marítima Internacional (IMO) voltou a alertar na terça-feira para que embarcações "exerçam máxima cautela e evitem expor marinheiros a riscos desnecessários". Teerã continua ameaçando atacar embarcações sem sua autorização, e o vice-ministro Kazem Gharibabadi afirmou que apenas o Irã sabe onde as minas estão.

Irã e Omã vêm mantendo negociações intermitentes sobre o controle do tráfego, com proposta de "corredor marítimo temporário conjunto". Reino Unido e França planejam uma missão mais ampla de desminagem assim que um cessar-fogo for firmado. Para investidores, o risco de interrupção na rota segue pressionando os preços de energia, e a confiança na segurança de Ormuz ainda depende de ações coordenadas internacionais.

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