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Alerta do Bradesco no 2T: o que sinaliza para o agro do BB

O alerta dos dados do Bradesco no 2T para a carteira agro do Banco do Brasil

O balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) do Bradesco trouxe um dado que acendeu sinal de alerta no setor bancário, especialmente para o Banco do Brasil (BBAS3), na avaliação dos analistas do JPMorgan. O banco americano destacou que cerca de 10% da carteira de crédito do John Deere Bank migrou da categoria Stage 1 para Stage 2 apenas no trimestre, indicando deterioração relevante na qualidade dos empréstimos ligados ao agronegócio.

O que significa a migração de Stage 1 para Stage 2

Na classificação de risco dos bancos, Stage 1 é considerado risco normal, em que as instituições provisionam apenas as perdas esperadas para os próximos 12 meses. Já Stage 2 indica risco aumentado, exigindo provisão para perdas esperadas durante toda a vida útil do contrato, o que eleva significativamente os custos de financiamento.

Segundo os cálculos do JPMorgan, aproximadamente R$ 1,7 bilhão em operações migraram de Stage 1 para Stage 2 durante o trimestre. Considerando uma carteira de crédito de R$ 17,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, isso representa cerca de 9,6% do portfólio com deterioração de risco em apenas três meses.

O impacto para o Banco do Brasil

Para o JPMorgan, o movimento tem implicações negativas para o Banco do Brasil devido à elevada exposição da instituição ao setor rural. O crédito rural representa cerca de 32% da carteira ampliada de empréstimos do banco estatal, que divulgará seus resultados no próximo dia 12.

Os analistas Yuri Fernandes, Guilherme Grespan e Fernanda Sayao classificaram o movimento como preocupante. Embora reconheçam que o segundo e o terceiro trimestres costumam concentrar pagamentos e renegociações no agronegócio, eles afirmam que a deterioração observada foi significativamente pior do que a registrada no ano passado.

"Temos uma leitura negativa para o Banco do Brasil", afirmam os analistas, acrescentando que o banco estatal deve enfrentar ventos contrários na carteira do agronegócio ao longo do segundo trimestre.

O que está por trás da piora no agronegócio

A preocupação com a qualidade dos ativos rurais já vem crescendo nos últimos trimestres. A combinação de juros elevados, preços mais baixos de algumas commodities agrícolas e aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor pressiona os produtores.

Segundo o JPMorgan, a situação sugere que o agronegócio brasileiro atravessa um momento mais difícil do que em 2025. O banco também avalia que expectativas dos produtores em relação a novos programas de renegociação de dívidas podem ter contribuído para um efeito de "moral hazard", reduzindo os incentivos para a regularização dos financiamentos no curto prazo.

O cenário da carteira do John Deere Bank

O John Deere Bank atua com crédito voltado ao agronegócio e teve 50% de participação adquirida pelo Bradesco em 2024. Ao final de 2025, o banco já possuía cerca de 1% da carteira em Stage 2 e 13% em Stage 3. Com a deterioração observada agora, a parcela de operações classificadas nos estágios mais problemáticos pode ter alcançado aproximadamente 24% do portfólio.

Historicamente, segundo o relatório, parte das operações classificadas em Stage 2 tende a retornar para categorias de menor risco durante o segundo semestre, à medida que ocorrem cobranças, renegociações e recuperações de crédito. Isso abre espaço para uma possível melhora à frente.

O que pode aliviar a pressão no setor

Investidores acompanham os potenciais efeitos da MP 1376, medida voltada ao setor agropecuário que pode ajudar a reduzir parte da pressão financeira enfrentada pelos produtores rurais e, consequentemente, aliviar a inadimplência do segmento. O JPMorgan afirma que o mercado deposita expectativas de que a medida contribua para uma melhora do cenário já no terceiro trimestre.

No geral, juros altos, crédito restrito e oscilação dos preços das commodities pressionam o setor produtivo. O número de empresas em recuperação continua em patamar recorde, segundo estudo citado no relatório.

O que esperar dos próximos meses

Apesar da avaliação cautelosa para o curto prazo, o banco vê possibilidade de melhora à frente. O ciclo de renegociações e recuperações no segundo semestre pode trazer algum alívio, assim como os efeitos da MP 1376.

Para quem acompanha o setor, o dado do Bradesco serve como termômetro do que pode vir nos resultados do Banco do Brasil. A leitura do JPMorgan é clara: o agronegócio enfrenta um momento delicado, e bancos com forte exposição ao setor precisarão administrar a qualidade de suas carteiras com atenção redobrada.

O ciclo sempre vira, mas a velocidade da recuperação vai depender de fatores como o comportamento dos juros, os preços das commodities e a efetividade das medidas de apoio ao produtor. o alerta dos dados do Bradesco no 2T para a carteira agro do Banco do Brasil impacto dos juros altos no agronegócio

Perguntas Frequentes

O que é Stage 1 e Stage 2 na carteira de crédito?

Stage 1 é a classificação de risco normal, em que o banco provisiona perdas esperadas para 12 meses. Stage 2 indica risco aumentado, exigindo provisão para toda a vida útil do contrato, elevando custos.

Por que o dado do Bradesco afeta o Banco do Brasil?

Porque o Banco do Brasil tem cerca de 32% da carteira ampliada em crédito rural. A deterioração observada no John Deere Bank serve como indicativo de pressões semelhantes para instituições com forte exposição ao agro.

O que é a MP 1376?

É uma medida provisória voltada ao setor agropecuário que pode reduzir a pressão financeira sobre produtores rurais e aliviar a inadimplência. O mercado espera melhora já no terceiro trimestre.

Quando o Banco do Brasil divulga seus resultados?

O banco estatal divulgará seus resultados no próximo dia 12, segundo a fonte original.

O que é efeito "moral hazard" no crédito rural?

É quando a expectativa de novos programas de renegociação reduz os incentivos para os produtores regularizarem seus financiamentos no curto prazo, segundo avaliação do JPMorgan.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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