Economia

EUA criticam Brasil, Canadá, México e China por tráfico

ResumoO governo dos Estados Unidos criticou Brasil, Canadá, México e China por falhas no combate ao tráfico de drogas em relatório enviado ao Congresso. O documento aponta o Brasil como hub da cocaína e cita facções como PCC e Comando Vermelho.

Governo dos EUA enviou ao Congresso avaliação que critica Brasil, Canadá, México e China por falhas no combate ao tráfico. Texto cita PCC e Comando Vermelho e aponta o país como hub da cocaína.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 17 de setembro de 2026
EUA criticam Brasil, Canadá, México e China por tráfico

O governo dos Estados Unidos criticou Canadá, China e México por falhas no combate ao tráfico de drogas, em documento enviado ao Congresso norte-americano e divulgado nesta quarta-feira (16). A avaliação, assinada pela gestão de Donald Trump, também aponta que o Brasil tem falhado no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

A crítica chega em um momento em que a política antidrogas voltou ao centro do debate comercial entre as maiores economias do continente. Para quem acompanha o ciclo de commodities e câmbio, o tom do documento importa menos pelo que diz sobre segurança pública e mais pelo que sinaliza sobre a relação dos EUA com seus parceiros comerciais.

O que diz o documento enviado ao Congresso

O relatório lista países ligados ao trânsito ou à produção de drogas ilícitas no ano fiscal de 2027. Sobre Canadá e México, a Casa Branca afirma que os dois vizinhos devem "fazer muito mais para impedir o fluxo de drogas letais" para os Estados Unidos.

No caso canadense, o texto sustenta que "o fentanil continua sendo produzido ilegalmente em laboratórios clandestinos canadenses, e precursores químicos e drogas sintéticas continuam entrando nos Estados Unidos através do Canadá". A gestão republicana cobra "medidas significativas para desmantelar laboratórios de drogas, fortalecer a segurança da cadeia de abastecimento e enfraquecer as redes criminosas e as gangues chinesas que operam" na fronteira.

A avaliação reconhece avanços do governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, citando "apreender maiores volumes de drogas, desmantelar laboratórios clandestinos e mobilizar recursos adicionais das forças de segurança e militares para nossa fronteira comum". Ainda assim, cobra "medidas adicionais contra as organizações narcoterroristas que dominam vastas áreas de seu território".

Sobre a China, o documento afirma que o país é "a maior produtora mundial de muitos dos precursores químicos utilizados na produção ilícita de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas letais". Trump diz ter abordado o tema com Xi Jinping, que implementou requisitos de licenciamento para exportação de precursores à América do Norte. "No entanto, os criminosos continuam encontrando maneiras de contornar esses controles por meio do uso de precursores químicos não regulamentados", afirma o presidente.

Brasil, PCC e Comando Vermelho na mira

O trecho que trata do Brasil é direto. O documento critica o país por falhar "em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas PCC e CV, que transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína".

A avaliação também cita Afeganistão, Bolívia, Myanmar e Colômbia como países que, nos últimos 12 meses, não fizeram esforços suficientes de combate às drogas. O relatório, no entanto, não detalha quais ações específicas os EUA esperam das autoridades dos governos citados, incluindo o Brasil.

Essa ausência de detalhamento é o ponto que interessa ao mercado. Sem medidas concretas listadas, o documento funciona mais como sinal político do que como gatilho imediato para sanções comerciais ou tarifárias. O ciclo sempre vira, e a leitura fria é que a pressão fica no campo retórico até que apareça um ato administrativo de fato. política monetária e decisões do Copom

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