Air Force One vira avião-isca em ameaça a Trump
Em meio a uma ameaça grave, Trump foi retirado do Air Force One em Ancara dentro de um contêiner de catering. O avião decolou cheio de funcionários, jornalistas e militares, que serviram de isca sem saber.
Air Force One vira 'avião-isca' em meio a ameaça de ataque a Trump
A ameaça ao Air Force One foi tão grave que Donald Trump foi retirado secretamente do avião em Ancara, na Turquia, dentro de um contêiner de catering. A mesma ameaça não impediu que a aeronave decolasse normalmente, levando funcionários do governo, jornalistas e militares que serviram de iscas. Muitos deles não sabiam que o presidente não estava a bordo.
O que aconteceu no voo de 8 de julho?
Se os iranianos realmente tentavam derrubar o avião presidencial no mês passado, como concluíram autoridades americanas, a manobra em Ancara protegeu Trump, mas transformou dezenas de outras pessoas em alvos. Algumas sequer sabiam que o presidente não estava com elas, porque a situação era considerada perigosa demais.
Jornalistas na parte traseira do avião receberam instruções, ainda em solo, para manter as persianas fechadas durante o voo de 8 de julho de Ancara para a Grã-Bretanha. Trump pousou secretamente em outra aeronave militar. Depois, foi colocado novamente às escondidas no Air Force One para desembarcar diante das câmeras como se tivesse permanecido a bordo o tempo todo.
Como Trump foi retirado do avião?
Trump foi retirado do Air Force One dentro de um contêiner de catering, para mantê-lo em segurança. A troca secreta de aeronaves foi revelada inicialmente na segunda-feira pelo The Washington Post e confirmada pelo The New York Times e outros veículos. A operação foi tão extraordinária que parecia saída de Hollywood.
Quem eram as pessoas a bordo do avião-isca?
A aeronave levava funcionários do governo, jornalistas e militares. Eles serviram como iscas, sem consentimento informado. Funcionários e jornalistas que viajavam com presidentes para zonas de guerra, em outros casos, sabiam do risco. Em Ancara, porém, não foram informados sobre o aumento da ameaça.
Críticas à operação: o que disseram ex-secretários de imprensa?
Joe Lockhart, secretário de imprensa da Casa Branca durante o governo Clinton, criticou a decisão. "Eles simplesmente não pareceram pensar em ninguém além do presidente e das poucas pessoas que estavam com ele", disse. "Nós fizemos de tudo para garantir que o maior número possível de pessoas, especialmente civis, estivesse protegido e não fosse usado como escudo humano. Eles nem sequer pensaram nisso."
Já Joe Hagin, assessor de Bush e depois vice-chefe de gabinete de Trump, defendeu a operação. "Quando você vai trabalhar na Casa Branca ou viaja com o presidente, está aceitando um grau de risco que não é insignificante", afirmou. "Contar a todos o que estava acontecendo teria colocado a segurança do presidente em risco."
O roteirista de 'Air Force One' criticou a operação?
Andrew W. Marlowe, roteirista do suspense de 1997 'Air Force One', estrelado por Harrison Ford, disse que não conseguiria escrever uma cena como essa para um personagem heroico. "Se a ameaça fosse tão grande, é difícil imaginar o público torcendo por um personagem que colocaria sua própria segurança em risco ao tratar os civis restantes a bordo como possíveis cordeiros sacrificiais", disse.
Histórico de ameaças e iscas na segurança presidencial
O governo americano já usou artifícios para proteger presidentes em viagens a zonas de risco. Foi o caso de George W. Bush e Barack Obama no Iraque durante guerras, e de Bill Clinton em visita ao Paquistão. A operação em Ancara, porém, transferiu o risco para outras pessoas e permaneceu em segredo muito depois de Trump estar fora de perigo.
O Serviço Secreto e unidades militares costumam usar iscas para confundir atacantes, mas não envolvem civis sem conhecimento. Em comitivas, há duas limusines blindadas ou SUVs idênticos, com placas idênticas de Washington, D.C. No Marine One, normalmente há três ou quatro helicópteros verde e branco idênticos voando juntos.
Ari Fleischer, secretário de imprensa de Bush, escreveu nas redes sociais: "Se houver um ataque à comitiva, o grupo protegido se separa e todos os demais ficam por conta própria. A segurança do presidente sempre vem em primeiro lugar. Nós não reclamamos. É assim que funciona."
O que mudou na percepção de risco para Trump?
A operação evidenciou a percepção de perigo vivida por Trump. Ele foi atingido de raspão por uma bala de um possível assassino durante a campanha em Butler, na Pensilvânia, em 2024, e foi alvo de outro homem armado em seu campo de golfe na Flórida mais tarde naquele ano. Durante o governo Biden, autoridades disseram que elementos ligados ao Irã tentavam matar Trump.
Na terça-feira, a polícia investigava uma ameaça de bomba em um McDonald's de Ohio, perto do local onde Trump faria uma visita. A Casa Branca não respondeu a pedido de comentário sobre os cálculos da decisão ou sobre medidas adicionais para proteger o avião sem Trump a bordo.
O papel dos jornalistas na cobertura presidencial
Por tradição, um presidente viaja com um grupo de jornalistas que registra seus movimentos e declarações. A cobertura é considerada vital na era nuclear. Jornalistas estavam com John F. Kennedy quando ele foi baleado em Dallas, em 22 de novembro de 1963, e com Bush quando terroristas atacaram os EUA em 11 de setembro de 2001.
Em viagens a zonas de guerra, a Casa Branca convocou executivos de veículos de comunicação para a Sala de Situação, exigindo sigilo. Bush e Obama levaram jornalistas ao Afeganistão e ao Iraque. Biden levou um jornalista e um fotógrafo em viagem secreta de 9 horas e meia de trem até a Ucrânia. Clinton viajou ao Paquistão em 2000, e Lockhart participou da organização.
Perguntas Frequentes
Trump estava no Air Force One durante o voo de Ancara?
Não. Trump foi retirado secretamente do avião em Ancara, dentro de um contêiner de catering, e pousou na Grã-Bretanha em outra aeronave militar.
Quem estava no Air Force One quando ele decolou?
Funcionários do governo, jornalistas e militares. Eles serviram de iscas, sem saber que Trump não estava a bordo.
Por que o Air Force One decolou mesmo com a ameaça?
Para manter a aparência de que Trump estava a bordo e confundir possíveis atacantes, segundo a fonte.
O que disseram ex-secretários de imprensa sobre a operação?
Joe Lockhart criticou o uso de civis como escudo humano. Joe Hagin defendeu, dizendo que viajar com o presidente envolve aceitar risco.
O Serviço Secreto já usou iscas antes?
Sim, mas sem envolver civis sem conhecimento. Usa limusines idênticas e helicópteros múltiplos para confundir atacantes.