Economia

Adoçantes podem afetar bactérias importantes do intestino, diz estudo

ResumoPesquisadores da Universidade de Cambridge publicaram estudo na Molecular Systems Biology demonstrando que 39 adoçantes artificiais e de baixa caloria afetam bactérias intestinais. A pesquisa testou 25 espécies bacterianas e identificou interações entre adoçantes e medicamentos, alterando o microbioma intestinal.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge investigaram como adoçantes artificiais e de baixa caloria afetam bactérias intestinais. O estudo, publicado na Molecular Systems Biology, testou 39 adoçantes em 25 espécies bacterianas e identificou interações com medicamentos e aliment

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 20 de julho de 2026
Adoçantes podem afetar bactérias importantes do intestino, diz estudo

Adoçantes populares podem interferir diretamente no crescimento de bactérias que ajudam a manter a saúde intestinal, concluiu uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Adoçantes populares podem interferir diretamente no crescimento de bactérias que ajudam a manter a saúde intestinal, segundo estudo de cientistas da Universidade de Cambridge. A pesquisa, publicada na revista Molecular Systems Biology, testou 39 adoçantes em 25 espécies bacterianas. Cerca de três quartos afetaram o crescimento de pelo menos uma espécie.

Como o estudo foi conduzido

A equipe cultivou separadamente, em laboratório, 25 espécies de bactérias, incluindo microrganismos considerados benéficos, neutros e potencialmente prejudiciais. Cada espécie foi exposta a 39 adoçantes comercialmente utilizados, tanto naturais quanto artificiais. Os pesquisadores monitoraram a velocidade de multiplicação das bactérias e verificaram se seu crescimento diminuía ou era interrompido.

O efeito das combinações comuns

Uma das perguntas que os cientistas pretendiam investigar era como essas substâncias interagem com outros alimentos e remédios do dia a dia. Isso porque as pessoas raramente consomem um adoçante isoladamente. Ele pode estar presente ao lado da cafeína em uma bebida, de aromatizantes em uma sobremesa ou de princípios ativos em medicamentos.

Para emular a complexidade do microbioma, os cientistas criaram uma comunidade microbiana sintética contendo as 25 espécies bacterianas. Eles combinaram os adoçantes com substâncias como cafeína, vanilina, advantame e oito medicamentos de uso comum.

O resultado mais marcante

O efeito mais intenso foi observado quando os pesquisadores combinaram o isosteviol, um adoçante utilizado pela indústria de alimentos e bebidas, com o antidepressivo duloxetina. Juntos, os dois compostos reduziram de forma acentuada o crescimento de duas importantes espécies de bactérias associadas à saúde digestiva, ao controle da glicemia e ao funcionamento do sistema imunológico: Roseburia intestinalis e Parabacteroides merdae.

A equipe identificou mais de cem situações em que o efeito de um adoçante foi alterado pela presença de outro composto. Em 34 casos, o efeito combinado tornou-se mais intenso; em 68, foi reduzido.

O que isso significa para sua saúde

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que alguns adoçantes não são substâncias biologicamente inertes que simplesmente atravessam o sistema digestivo sem interagir com os microrganismos que vivem no intestino.

"Os adoçantes costumam ser comercializados como metabolicamente neutros, mas nosso estudo questiona essa ideia. Verificamos que eles podem afetar diretamente as bactérias intestinais, sobretudo quando combinados com outras substâncias, como medicamentos e aditivos alimentares", afirmou Sonja Blasche, autora principal do estudo e integrante da Unidade de Toxicologia do MRC da Universidade de Cambridge.

Os cientistas ressaltam, porém, que os experimentos foram conduzidos em laboratório, e não em seres humanos. Por isso, serão necessários novos estudos para determinar se as alterações observadas nas bactérias intestinais produzem efeitos relevantes para a saúde em condições reais.

Limitações e próximos passos

No organismo humano, os adoçantes podem ser absorvidos, sofrer alterações químicas, ser diluídos ou degradados antes de entrar em contato com determinadas bactérias. Além disso, fatores como dieta, genética, uso de medicamentos e a composição prévia do microbioma podem modificar os resultados.

Apesar do uso disseminado dos adoçantes, relativamente poucos estudos investigaram se eles afetam diretamente espécies específicas de bactérias intestinais. Kiran Patil, da Unidade de Toxicologia do Conselho de Pesquisa Médica (MRC) da Universidade de Cambridge, afirmou ao site ScienceDaily: "O que sabemos sobre os possíveis impactos dos adoçantes na saúde vem, em grande parte, de estudos com animais ou de pesquisas populacionais."

Perguntas Frequentes

Adoçantes causam diabetes tipo 2?

Um número crescente de estudos tem associado o consumo desses produtos a condições como diabetes tipo 2, obesidade e câncer. Essas associações não significam que os adoçantes causem diretamente essas doenças, mas a ciência tem buscado compreender os mecanismos biológicos que poderiam explicar essa relação.

Quais adoçantes foram testados no estudo?

A equipe testou 39 adoçantes comercialmente utilizados, tanto naturais quanto artificiais, incluindo isosteviol e advantame.

O que é isosteviol?

Isosteviol é um adoçante utilizado pela indústria de alimentos e bebidas. No estudo, quando combinado com o antidepressivo duloxetina, reduziu de forma acentuada o crescimento de duas espécies bacterianas.

Os resultados se aplicam a humanos?

Os experimentos foram conduzidos em laboratório, e não em seres humanos. Serão necessários novos estudos para determinar se as alterações observadas produzem efeitos relevantes para a saúde em condições reais.

Como os adoçantes interagem com medicamentos?

A equipe identificou mais de cem situações em que o efeito de um adoçante foi alterado pela presença de outro composto. Em 34 casos, o efeito combinado tornou-se mais intenso; em 68, foi reduzido.

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