Acabou a Copa, começam as eleições: mercado volta atenções para corrida presidencial
Com o fim da Copa do Mundo e o recesso do Congresso, o mercado volta as atenções para a eleição presidencial de 2026. Relatórios de Goldman Sachs e JPMorgan apontam corrida apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com pouca tração de terceira via. Investidores monitoram impactos f
A reta final da Copa do Mundo ajudou a dividir a atenção dos investidores nas últimas semanas. Agora, com o fim do torneio e o Congresso entrando em recesso, o foco do mercado tende a migrar quase integralmente para a eleição presidencial de 2026, considerada por analistas um dos principais vetores para os ativos brasileiros nos próximos meses.
Com o fim da Copa do Mundo e o recesso do Congresso, o mercado volta as atenções para a eleição presidencial de 2026. Relatórios de Goldman Sachs e JPMorgan indicam corrida apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com Lula liderando por 3 a 4 pontos percentuais em cenários de segundo turno. As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Corrida apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro
Relatórios divulgados por Goldman Sachs e JPMorgan apontam que a disputa segue altamente polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com poucas evidências de que uma terceira via consiga ganhar tração até outubro.
Para o Goldman Sachs, a atenção dos investidores deve aumentar significativamente já nas próximas semanas, quando os partidos realizarão suas convenções para oficializar candidaturas. O PT deve confirmar Lula para disputar um quarto mandato presidencial, enquanto o PL deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro. As convenções ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, enquanto a campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Pesquisas mostram vantagem de Lula
As pesquisas mais recentes mostram uma corrida apertada. Segundo o Goldman Sachs, Lula mantém vantagem de cerca de 3 a 4 pontos percentuais nos cenários de segundo turno analisados pela instituição. O banco também destaca que os mercados de apostas atribuem atualmente cerca de 62% de probabilidade de vitória ao atual presidente, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 26%.
JPMorgan vê eleição indefinida até os momentos finais
O JPMorgan chega a uma conclusão semelhante. Em relatório publicado neste domingo, a equipe liderada por Emy Shayo afirma que faltam cerca de 75 dias para o primeiro turno e que a eleição deve permanecer indefinida até os momentos finais da campanha. O banco lembra que fatos inesperados mudaram rumos eleitorais em praticamente todas as disputas recentes, como o acidente aéreo de Eduardo Campos em 2014, o atentado contra Jair Bolsonaro em 2018 e episódios da reta final da campanha de 2022.
"A lot can still happen" ("muita coisa ainda pode acontecer"), resume o JPMorgan ao destacar o histórico de reviravoltas das eleições brasileiras.
Melhora na aprovação de Lula
Se o cenário eleitoral continua apertado, alguns indicadores recentes sugerem melhora para o presidente Lula. O JPMorgan destaca pesquisa Quaest divulgada em 15 de julho mostrando que, pela primeira vez desde 2024, o governo passou a registrar mais aprovação do que rejeição. Entre os eleitores independentes, a aprovação do presidente avançou de 33% para 45% nos últimos quatro meses, enquanto a rejeição caiu de 57% para 45%.
O levantamento também mostrou avanço da popularidade presidencial na região Sudeste, responsável por mais de 40% do eleitorado nacional. Em simulações de segundo turno apresentadas pelo banco, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro.
Impactos fiscais e ambiente de negócios
Mais do que o resultado eleitoral em si, investidores acompanham os possíveis impactos sobre a política fiscal, os juros e o ambiente de negócios.
O Goldman Sachs destaca que a eleição ocorre em um contexto de elevada polarização política e que os dois principais candidatos concentram mais de 75% das intenções de voto de primeiro turno. Para o mercado, a principal questão é qual será a direção da política econômica após 2027 e quais sinais os candidatos darão para temas como gastos públicos, reformas e investimento privado.
Morgan Stanley mantém overweight para Brasil
Essa preocupação se soma a um quadro já monitorado pelos investidores internacionais. Em relatório recente sobre América Latina, o Morgan Stanley afirmou que a evolução da disputa presidencial será um elemento determinante para a narrativa de investimentos no Brasil, ao lado da trajetória dos juros americanos e da inflação doméstica. O banco avalia que uma percepção de agenda mais favorável ao mercado poderia ser um catalisador adicional para os ativos brasileiros.
Apesar das incertezas políticas, o Brasil continua atraindo atenção dos estrategistas globais. O Morgan Stanley mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para o mercado brasileiro, citando inflação mais comportada, perspectiva de queda de juros e valuations considerados descontados.
Para os analistas, a combinação de preços ainda baratos, posicionamento relativamente leve dos investidores estrangeiros e uma disputa eleitoral competitiva pode aumentar a volatilidade dos mercados nos próximos meses, mas também abrir espaço para uma reprecificação relevante dos ativos conforme a corrida presidencial avance.
Perguntas Frequentes
Quando ocorrem as convenções partidárias?
As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto. O PT deve confirmar Lula para disputar um quarto mandato presidencial, enquanto o PL deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Quando começa a campanha eleitoral?
A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Qual a vantagem de Lula nas pesquisas?
Segundo o Goldman Sachs, Lula mantém vantagem de cerca de 3 a 4 pontos percentuais nos cenários de segundo turno analisados pela instituição. Os mercados de apostas atribuem cerca de 62% de probabilidade de vitória ao atual presidente.
Por que o mercado está atento à eleição?
Investidores acompanham os possíveis impactos sobre a política fiscal, os juros e o ambiente de negócios. A principal questão é qual será a direção da política econômica após 2027.
Qual a recomendação do Morgan Stanley para o Brasil?
O Morgan Stanley mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para o mercado brasileiro, citando inflação mais comportada, perspectiva de queda de juros e valuations descontados.