Residências artísticas: 30 shows em 1 palco dominam a música
Quando Harry Styles subiu ao palco do Madison Square Garden, em Nova York, nesta quarta-feira (26), para a primeira de 30 apresentações de sua residência artística, protagonizou o exemplo mais ambicioso de uma tendência da indústria: realizar mais shows em menos lugares.
A estratégia combina economia de custos, já que gastos com transporte e combustível caem, com o desejo de criar espetáculos mais elaborados, segundo executivos do setor. "Temporadas mais longas permitem que os artistas criem experiências que simplesmente não são práticas quando a produção está constantemente em movimento", afirmou Omar Al-joulani, presidente da divisão de turnês da Live Nation. A empresa promoverá mais de 470 apresentações em formato de residência neste ano, a maior parte em Las Vegas.
O modelo não é novo. Billy Joel encerrou em 2024 uma série de dez anos no Madison Square Garden, com 104 shows esgotados. Prince realizou 21 apresentações na O2 Arena, em Londres, em 2007. E o próprio Styles já adotou o formato entre 2021 e 2023.
O custo para os fãs, porém, é alto. Na pré-venda de janeiro, ingressos ultrapassaram US$ 1.000 e ainda assim se esgotaram, com revendas por valores várias vezes maiores. Craig Church, fã de 38 anos da Baía de São Francisco, gastou cerca de US$ 10 mil em uma viagem a Londres, incluindo US$ 4.400 ligados à turnê. Dados da Live Nation mostram que quase seis em cada dez fãs viajam para pelo menos um show por ano, e 91% já escolheram um destino por causa de um evento ao vivo.
A Sphere, arena de US$ 2,3 bilhões em Las Vegas, elevou o padrão visual desde a estreia com U2 em 2023. Para o chefe de turnês da CAA, Mitch Rose, ela é a nova "mãe de todas as residências". Mas Jonathan Daniel, da Crush Music, resume o impacto: "É pior para os fãs".