Credito e Dividas

Polícia de SP revelou elo de sancionado pelos EUA com PCC e Master

ResumoO Denarc da Polícia Civil de São Paulo revelou, em julho de 2025, um esquema de lavagem de dinheiro do PCC que conecta o doleiro Victor Shimada, primeiro brasileiro sancionado pelos EUA, ao Banco Master. Relatório de 255 páginas aponta movimentação superior a R$ 49 bilhões, detalhando o elo entre a facção criminosa e as instituições financeiras.

O Denarc da Polícia Civil de SP descobriu, em julho de 2025, um esquema de lavagem de dinheiro do PCC que cita o doleiro Victor Shimada, primeiro brasileiro sancionado pelos EUA, e o Banco Master. Relatório de 255 páginas detalha movimentação superior a R$ 49 bilhões.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 18 de julho de 2026
Polícia de SP revelou elo de sancionado pelos EUA com PCC e Master

Denarc liga sancionado pelos EUA e Banco Master a esquema de lavagem do PCC

O Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc) da Polícia Civil de São Paulo descobriu, em julho de 2025, no âmbito da Operação Saturno, um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) que cita o doleiro Victor Henrique de Oliveira Shimada - primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por suposta ligação com a facção - e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Segundo os investigadores, o Banco Master teria servido de plataforma para o escoamento de recursos do crime organizado. Shimada está foragido desde a Operação Exchange, da Polícia Federal, deflagrada dois dias após o governo de Donald Trump impor sanções contra ele por supostamente atuar como principal operador financeiro do PCC no exterior. A defesa de Shimada nega enfaticamente que ele mantenha vínculo com organizações criminosas.

Relatório de 255 páginas detalha movimentação de R$ 49 bilhões

A 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) produziu um relatório de 255 páginas, ao qual o Estadão teve acesso, que detalha como a empresa de Shimada, a Victory Trading Inter de Negócios, Cobranças e Tecno, atuava como um "bolsão de recebimento e escoamento de recursos" do PCC. A movimentação total das contas analisadas superou R$ 49 bilhões.

Os investigadores afirmam que a estrutura era composta por empresas reais e também por 'empresas fantasmas' que movimentaram quantias milionárias, "a fim de mobilizar enormes cifras e funcionarem como bancos descentralizados para pagamentos dos entorpecentes, suporte logístico e de pessoas relacionadas à organização".

Como a investigação começou e quem são os envolvidos

A investigação começou com a prisão em flagrante de Alexsandro Freitas Faria, o 'Leko', apontado como integrante do PCC e operador do tráfico interestadual de cocaína. Durante buscas, policiais encontraram grande quantidade de drogas e cerca de R$ 100 mil em dinheiro.

A apreensão dos celulares de 'Leko' permitiu identificar os supostos fornecedores: Jean Carlos Guimar de Araújo, o 'Mogli'; Pedro Paulo Takahashi Santana, o 'Pedroca'; e Paulo Henrique Bergamaschi Bernardes, o 'PH', apontados como líderes do esquema que abastecia o tráfico com grandes quantidades de cocaína. Mensagens e áudios registram negociações frequentes de drogas com 'Leko', tratando da pesagem, preços e forma de pagamento.

Empresas como bolsões de recursos e criptomoedas

Os investigadores afirmam que essas empresas "funcionam como bolsões acumuladores de recursos, atuam recebendo valores oriundos de diversas práticas criminosas, mas, principalmente do tráfico de drogas, realizando múltiplas transações financeiras e transferindo seus montantes para outras empresas, algumas delas fundos de investimentos ou empresas de capital aberto, ONGs e institutos, deixando poucas evidências de beneficiários, utilizando também recursos por meio de empresas de pagamentos, que convertem os valores auferidos em criptomoedas".

É nesse contexto que o relatório cita a empresa de Victor Shimada e o Banco Master. De acordo com o Denarc, ambos integram "uma infinidade de empresas" que "estariam fomentando o tráfico de drogas e outros crimes, ligados a facções criminosas no Estado de São Paulo".

O que isso significa para o mercado financeiro

A revelação levanta alertas sobre o uso de instituições financeiras e fundos de investimento como canais de lavagem. O relatório acrescenta que "recentes investigações apontam fundos de investimentos atrelados ao tráfico de drogas e ao PCC, os quais de maneira oportuna penetraram nas grandes companhias por meio de agentes de investimentos e que atuariam como operadores da lavagem".

Para investidores, o caso reforça a necessidade de compliance rigoroso e due diligence em contrapartes, especialmente em instituições de médio porte. O Banco Master, à época, ainda não havia sido liquidado pelo Banco Central nem tinha seu controlador preso - o que ocorreria posteriormente, no âmbito de uma delação premiada frustrada.

Perguntas Frequentes

Quem é Victor Shimada?

Victor Henrique de Oliveira Shimada é um doleiro brasileiro, primeiro sancionado pelos EUA por suposta ligação com o PCC. Está foragido desde a Operação Exchange da PF.

O que o Banco Master tem a ver com o caso?

Segundo a investigação do Denarc, o Banco Master teria servido de plataforma para escoamento de recursos do crime organizado, junto com a empresa de Shimada.

Quanto dinheiro foi movimentado?

A movimentação total das contas analisadas superou R$ 49 bilhões, segundo o relatório de 255 páginas da Dise.

Quem são os outros investigados?

Alexsandro Freitas Faria ('Leko'), Jean Carlos Guimar de Araújo ('Mogli'), Pedro Paulo Takahashi Santana ('Pedroca') e Paulo Henrique Bergamaschi Bernardes ('PH'), apontados como líderes do esquema.

O que diz a defesa de Shimada?

A defesa de Shimada nega enfaticamente que ele mantenha vínculo com organizações criminosas.

Como a investigação começou?

Com a prisão em flagrante de 'Leko', que portava drogas e cerca de R$ 100 mil. A análise de seus celulares levou aos demais envolvidos.

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