Procuradoria pede bloqueio de fundos da teia do Master por rombo de R$ 640 mi no RioPrevidência
A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro pediu à Justiça o bloqueio de bens e fundos do Grupo Master, investigado por desviar R$ 640 milhões do RioPrevidência. Entenda o caso e os riscos para os servidores.
Procuradoria pede bloqueio de fundos da teia do Master por rombo de R$ 640 mi no RioPrevidência
A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) ingressou com uma ação cautelar solicitando o bloqueio de bens e fundos do Grupo Master, controlado pelo empresário Nelson Tanure, investigado por suposto desvio de R$ 640 milhões do RioPrevidência. O pedido foi protocolado na última segunda-feira e, se acatado pela Justiça, pode afetar diretamente a saúde financeira do fundo que paga aposentadorias e pensões de servidores estaduais.
O pedido de bloqueio em 40 segundos
A PGE-RJ quer que a Justiça determine o bloqueio de R$ 640 milhões em bens e ativos do Grupo Master, incluindo imóveis, veículos, ações e aplicações financeiras. O valor corresponde ao rombo identificado no RioPrevidência, fundo que administra os benefícios previdenciários de cerca de 300 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro. A ação foi baseada em auditoria interna que apontou movimentações suspeitas entre 2020 e 2025.
O que é o RioPrevidência e por que ele importa
O RioPrevidência é o fundo de previdência dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro. Ele recebe contribuições mensais de servidores ativos e do governo estadual, e com isso paga aposentadorias e pensões. Em 2025, o fundo tinha patrimônio líquido de aproximadamente R$ 42 bilhões (segundo dados do Relatório de Gestão do RioPrevidência, 2025). O rombo de R$ 640 milhões representa 1,5% desse total, mas, em um fundo com déficit atuarial histórico, qualquer perda agrava o risco de insolvência.
Como o Grupo Master entrou na história
O Grupo Master, do empresário Nelson Tanure, é um conglomerado que atua em setores como saúde, educação e mídia. Segundo a PGE-RJ, entre 2020 e 2025, o grupo teria usado contratos de prestação de serviços superfaturados com o RioPrevidência para desviar recursos. A auditoria interna do fundo identificou ao menos 12 contratos suspeitos, com valores que somam R$ 640 milhões. O grupo nega as acusações e afirma que os contratos foram legítimos.
O que a Justiça pode decidir
A ação cautelar da PGE-RJ pede o bloqueio liminar dos bens do Grupo Master, sem necessidade de ouvir a defesa antes. Se a Justiça acatar, os bens ficam indisponíveis até o julgamento final da ação principal, que pode pedir a devolução integral dos recursos. Para o juiz responsável, o risco é de que o grupo dissimule patrimônio antes da decisão. A PGE-RJ estima que o grupo tenha ao menos R$ 1,2 bilhão em bens no estado do Rio de Janeiro.
Impactos para os servidores
Para os servidores públicos estaduais, o caso gera incerteza. O RioPrevidência já enfrenta déficit atuarial de R$ 12 bilhões (segundo o Relatório Atuarial de 2025 do RioPrevidência). O rombo de R$ 640 milhões, se não recuperado, pode acelerar a necessidade de reformas no fundo, como aumento de alíquotas ou redução de benefícios. A PGE-RJ, no entanto, afirma que o pagamento de aposentadorias está garantido no curto prazo, pois o fundo tem reservas de liquidez.
Histórico de investigações do Grupo Master
O Grupo Master já foi alvo de outras investigações. Em 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) multou o grupo em R$ 5 milhões por irregularidades em ofertas de valores mobiliários. Em 2023, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo contratos com fundos de pensão. O caso do RioPrevidência, no entanto, é o maior em valor já identificado.
Como funciona o bloqueio judicial de bens
O bloqueio judicial de bens é uma medida cautelar que impede o proprietário de vender, alugar ou transferir os ativos. No caso de pessoas jurídicas, pode incluir contas bancárias, imóveis, veículos, ações e até recebíveis de contratos. A PGE-RJ pediu especificamente o bloqueio de:
- 12 imóveis comerciais e residenciais no Rio de Janeiro e em São Paulo
- 3 aeronaves e 2 helicópteros
- 100% das ações de 5 empresas do grupo
- R$ 200 milhões em contas bancárias
O pedido será analisado pela 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, que deve decidir nos próximos dias.
O que diz a defesa do Grupo Master
A defesa do Grupo Master, em nota, afirmou que "não houve qualquer desvio ou superfaturamento" e que os contratos com o RioPrevidência foram "legítimos e auditados por empresas independentes". O grupo também disse que vai recorrer da decisão liminar, caso ela seja concedida. A PGE-RJ, por sua vez, afirma que as auditorias independentes contratadas pelo próprio fundo confirmaram as irregularidades.
Próximos passos
A Justiça deve decidir sobre o bloqueio liminar em até 15 dias. Se acatado, o Grupo Master terá 30 dias para apresentar defesa na ação principal. A PGE-RJ estima que o processo possa levar de 6 meses a 2 anos para julgamento final. Enquanto isso, o RioPrevidência segue pagando benefícios normalmente, mas com o rombo contabilizado como perda contábil.
Perguntas Frequentes
O que é o RioPrevidência?
É o fundo de previdência dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro, que administra aposentadorias e pensões.
Quanto foi desviado?
O rombo identificado é de R$ 640 milhões, segundo auditoria interna do fundo.
O Grupo Master já foi condenado?
Ainda não. O pedido de bloqueio é cautelar e o caso será julgado em ação principal.
Os servidores vão perder a aposentadoria?
Não imediatamente. O fundo tem reservas de liquidez, mas o déficit pode exigir ajustes futuros.
Como saber se o bloqueio foi aceito?
A decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro deve ser publicada no Diário Oficial nos próximos dias.
O que fazer se eu for servidor e estiver preocupado?
Acompanhe os comunicados oficiais do RioPrevidência e da PGE-RJ. Em caso de dúvidas, procure o sindicato da sua categoria.