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Ibovespa: As Maiores Quedas Ligadas a Crises Internacionais

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, já enfrentou dias de forte desvalorização. Um estudo da Elos Ayta analisou as dez maiores quedas diárias do índice entre 1994 e 2020 e concluiu que a maioria desses episódios extremos esteve atrelada a crises internacionais. Nove das dez maiores perdas ocorreram em cenários de instabilidade global.

A maior queda registrada na amostra do levantamento ocorreu em 10 de setembro de 1998, com o Ibovespa recuando 15,83%. Naquele período, a crise financeira russa e a fuga de capitais de mercados emergentes foram os principais fatores de desvalorização. Cerca de um ano antes, em 27 de outubro de 1997, o índice sofreu sua segunda maior queda, de 14,98%, em decorrência da crise asiática.

A pandemia de coronavírus, iniciada em 2020, foi responsável por quatro das dez maiores quedas diárias. Todas elas ocorreram em março de 2020, em um intervalo de apenas oito pregões. Os dias com maiores perdas nesse período foram 12 de março (-14,78%), 16 de março (-13,92%), 9 de março (-12,17%) e 18 de março (-10,35%). A combinação do avanço da pandemia, restrições de circulação globais e a guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia gerou uma onda de aversão ao risco nos mercados internacionais.

Outros episódios de grandes quedas associados a crises financeiras internacionais incluem perdas de 10,20% em 12 de novembro de 1997 (crise asiática), 11,39% em 15 de outubro de 2008 e 10,18% em 22 de outubro de 2008, ambas durante a crise financeira internacional agravada pela quebra do banco Lehman Brothers.

Apenas um dos dez maiores tombos do Ibovespa analisados pelo estudo esteve diretamente ligado a um acontecimento político doméstico. Tratou-se de uma queda de 10,50% em 5 de setembro de 1994, após repercussões de declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, em um episódio conhecido como escândalo da parabólica, que gerou incertezas sobre a continuidade do Plano Real.

"Embora acontecimentos políticos nacionais possam provocar oscilações expressivas, os episódios mais extremos de desvalorização da Bolsa brasileira estiveram predominantemente associados a crises internacionais. O resultado também demonstra que grandes quedas podem ocorrer de maneira concentrada, em períodos de elevada incerteza econômica e financeira", conclui o estudo da Elos Ayta.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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