BRB: DF tenta empréstimo com contas parciais de 2026
Governo do DF tentará empréstimo para socorrer BRB com resultados parciais das contas de 2026
O governo do Distrito Federal vai apresentar resultados parciais das contas de 2026 para convencer a União e bancos de que tem condições de pagar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões que busca para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master no Banco de Brasília (BRB). A estratégia foi detalhada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 7, após o Estadão revelar na quinta-feira, 6, que o DF saiu de um déficit de R$ 926,5 milhões em 2025 para um superávit de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre do ano.
Resultados parciais: superávit de R$ 1,7 bilhão no semestre
Os números apresentados pela Secretaria de Economia mostram uma reversão relevante. A projeção inicial era de um déficit de R$ 6 bilhões nas contas de 2026. Agora, a expectativa é fechar o ano com superávit de R$ 3 bilhões. O secretário Valdivino de Oliveira afirma que é possível chegar a R$ 6 bilhões, o que demonstraria capacidade de pagamento do financiamento.
Segundo Oliveira, a gestão consegue gerar, em um único exercício, um superávit de mais de 70% ou 80% do valor da operação de empréstimo do BRB, desde que haja seriedade no trabalho.
Capag C e a busca por nota A
O Distrito Federal está com nota de Capacidade de Pagamento (Capag) "C" no Tesouro Nacional, o que impede o aval da União para novos empréstimos. Nos novos números, as contas de 2026 até julho estariam em condições de receber nota "A". O objetivo declarado é fechar 2026 com A+.
O Tesouro Nacional deve divulgar as novas notas dos Estados e do DF em outubro. Esses dados, porém, serão embasados em 2025, ano com resultados ruins para a administração distrital. Os números de 2026 servirão para a avaliação da Capag de 2027, que só sai no próximo ano. Mesmo assim, o governo do DF argumenta que a Capag parcial de 2026 é suficiente para uma avaliação excepcional. A governadora Celina Leão (PP) afirma que, para efeitos jurídicos, o Capag parcial serve.
Poupança corrente: o principal indicador revertido
A administração estadual destaca a reversão da poupança corrente como o principal avanço. As despesas somaram 93,95% da receita em julho. Há dois anos e meio, os gastos estavam acima do limite de 95% imposto pela Constituição, todos os meses.
Celina Leão reforçou o esforço da gestão: "Nós assumimos um rombo de quase R$ 5 bilhões, gravíssimo, com atrasos de pagamento, e imediatamente fizemos um choque de gestão que custou da nossa parte, administrativa e política também, um esforço gigante para que as pessoas pudessem entender que havia uma nova gestão".
O impasse do empréstimo e a reunião no STF
O DF pediu o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas ainda não conseguiu finalizar a operação. Bancos privados, que entrariam como avalistas, se recusam a conceder garantias nas condições atuais. O governo recorreu ao STF e fechou acordo com a União para obter o financiamento sem aval do Tesouro, mas com garantias de bancos públicos e privados.
O ministro Luiz Fux marcou nova audiência de conciliação após o DF alegar "inércia" da União e do FGC. Na quinta-feira, 6, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a "inércia" e afirmou que o empréstimo não saiu por falta de um plano "crível" do BRB e da administração distrital. Celina Leão rebateu sem citar diretamente o ministro: "Diferente do governo federal, que está fazendo avaliações políticas, falas políticas, nós não vamos cometer esse erro".
A reunião no STF está marcada para o próximo dia 13. entenda o que é Capag e como afeta empréstimos
O que isso significa para você
Se você é servidor público, cliente do BRB ou morador do DF, a disputa envolve dinheiro público e a saúde financeira do banco estatal. Um empréstimo mal estruturado pode pressionar as contas locais nos próximos anos. Por outro lado, a reversão do déficit para superávit indica espaço fiscal maior, o que pode influenciar investimentos e serviços públicos. veja como a Selic em 14% afeta os juros e o crédito
Perguntas Frequentes
O que é a Capag e por que ela é importante?
A Capag é a nota de Capacidade de Pagamento dada pelo Tesouro Nacional. Ela determina se um estado ou o DF pode receber aval da União para tomar empréstimos. Nota "C" bloqueia esse aval; nota "A" ou "B" facilita.
Quando o Tesouro divulga as novas notas?
O Tesouro deve divulgar as notas de 2026 em outubro, mas elas serão baseadas nos dados de 2025. A avaliação de 2026, que pode ser melhor, só sai em 2027.
Por que os bancos privados se recusam a dar garantia?
Os bancos privados não aceitam as condições atuais oferecidas pelo DF para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A operação depende de garantias que ainda não foram acordadas.
O que acontece na reunião do STF no dia 13?
A audiência de conciliação vai discutir o acordo entre o DF e a União para socorrer o BRB. O ministro Luiz Fux convocou a reunião após o DF alegar inércia.
O superávit de R$ 1,7 bilhão garante o empréstimo?
Não. O superávit é um argumento do DF para mostrar capacidade de pagamento, mas a operação ainda depende de aval do FGC, dos bancos e do STF. A nota Capag atual ainda é "C".