Credito e Dividas

BRB: DF tenta empréstimo com contas parciais de 2026

ResumoO BRB (Banco de Brasília) enfrenta análise de empréstimo de R$ 6,6 bilhões solicitado pelo governo do Distrito Federal. O Distrito Federal apresentará resultados parciais das contas de 2026, incluindo superávit de R$ 1,7 bilhão no semestre, como garantia. Reunião no STF está marcada para o dia 13 para deliberar sobre a operação financeira.

O governo do DF apresentará resultados parciais das contas de 2026 para tentar viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB. Superávit de R$ 1,7 bi no semestre é a principal carta. Reunião no STF ocorre no dia 13.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 07 de agosto de 2026
Bradesco BBDC4: lucro sobe 16,2% no 2T26, a R$ 7,1 bi

Governo do DF tentará empréstimo para socorrer BRB com resultados parciais das contas de 2026

O governo do Distrito Federal vai apresentar resultados parciais das contas de 2026 para convencer a União e bancos de que tem condições de pagar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões que busca para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master no Banco de Brasília (BRB). A estratégia foi detalhada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 7, após o Estadão revelar na quinta-feira, 6, que o DF saiu de um déficit de R$ 926,5 milhões em 2025 para um superávit de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre do ano.

Resultados parciais: superávit de R$ 1,7 bilhão no semestre

Os números apresentados pela Secretaria de Economia mostram uma reversão relevante. A projeção inicial era de um déficit de R$ 6 bilhões nas contas de 2026. Agora, a expectativa é fechar o ano com superávit de R$ 3 bilhões. O secretário Valdivino de Oliveira afirma que é possível chegar a R$ 6 bilhões, o que demonstraria capacidade de pagamento do financiamento.

Segundo Oliveira, a gestão consegue gerar, em um único exercício, um superávit de mais de 70% ou 80% do valor da operação de empréstimo do BRB, desde que haja seriedade no trabalho.

Capag C e a busca por nota A

O Distrito Federal está com nota de Capacidade de Pagamento (Capag) "C" no Tesouro Nacional, o que impede o aval da União para novos empréstimos. Nos novos números, as contas de 2026 até julho estariam em condições de receber nota "A". O objetivo declarado é fechar 2026 com A+.

O Tesouro Nacional deve divulgar as novas notas dos Estados e do DF em outubro. Esses dados, porém, serão embasados em 2025, ano com resultados ruins para a administração distrital. Os números de 2026 servirão para a avaliação da Capag de 2027, que só sai no próximo ano. Mesmo assim, o governo do DF argumenta que a Capag parcial de 2026 é suficiente para uma avaliação excepcional. A governadora Celina Leão (PP) afirma que, para efeitos jurídicos, o Capag parcial serve.

Poupança corrente: o principal indicador revertido

A administração estadual destaca a reversão da poupança corrente como o principal avanço. As despesas somaram 93,95% da receita em julho. Há dois anos e meio, os gastos estavam acima do limite de 95% imposto pela Constituição, todos os meses.

Celina Leão reforçou o esforço da gestão: "Nós assumimos um rombo de quase R$ 5 bilhões, gravíssimo, com atrasos de pagamento, e imediatamente fizemos um choque de gestão que custou da nossa parte, administrativa e política também, um esforço gigante para que as pessoas pudessem entender que havia uma nova gestão".

O impasse do empréstimo e a reunião no STF

O DF pediu o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas ainda não conseguiu finalizar a operação. Bancos privados, que entrariam como avalistas, se recusam a conceder garantias nas condições atuais. O governo recorreu ao STF e fechou acordo com a União para obter o financiamento sem aval do Tesouro, mas com garantias de bancos públicos e privados.

O ministro Luiz Fux marcou nova audiência de conciliação após o DF alegar "inércia" da União e do FGC. Na quinta-feira, 6, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a "inércia" e afirmou que o empréstimo não saiu por falta de um plano "crível" do BRB e da administração distrital. Celina Leão rebateu sem citar diretamente o ministro: "Diferente do governo federal, que está fazendo avaliações políticas, falas políticas, nós não vamos cometer esse erro".

A reunião no STF está marcada para o próximo dia 13. entenda o que é Capag e como afeta empréstimos

O que isso significa para você

Se você é servidor público, cliente do BRB ou morador do DF, a disputa envolve dinheiro público e a saúde financeira do banco estatal. Um empréstimo mal estruturado pode pressionar as contas locais nos próximos anos. Por outro lado, a reversão do déficit para superávit indica espaço fiscal maior, o que pode influenciar investimentos e serviços públicos. veja como a Selic em 14% afeta os juros e o crédito

Perguntas Frequentes

O que é a Capag e por que ela é importante?

A Capag é a nota de Capacidade de Pagamento dada pelo Tesouro Nacional. Ela determina se um estado ou o DF pode receber aval da União para tomar empréstimos. Nota "C" bloqueia esse aval; nota "A" ou "B" facilita.

Quando o Tesouro divulga as novas notas?

O Tesouro deve divulgar as notas de 2026 em outubro, mas elas serão baseadas nos dados de 2025. A avaliação de 2026, que pode ser melhor, só sai em 2027.

Por que os bancos privados se recusam a dar garantia?

Os bancos privados não aceitam as condições atuais oferecidas pelo DF para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A operação depende de garantias que ainda não foram acordadas.

O que acontece na reunião do STF no dia 13?

A audiência de conciliação vai discutir o acordo entre o DF e a União para socorrer o BRB. O ministro Luiz Fux convocou a reunião após o DF alegar inércia.

O superávit de R$ 1,7 bilhão garante o empréstimo?

Não. O superávit é um argumento do DF para mostrar capacidade de pagamento, mas a operação ainda depende de aval do FGC, dos bancos e do STF. A nota Capag atual ainda é "C".

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