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Cartão de crédito cashback vs sem cashback: vale a pena?

Cartão de crédito com cashback versus sem cashback: vale a pena?

Na hora de escolher um cartão de crédito, o cashback aparece como um atrativo que promete devolver parte do dinheiro gasto. Mas a conta nem sempre fecha a favor do consumidor. Cartões com cashback costumam cobrar anuidade mais alta ou exigir gastos mínimos, enquanto os modelos sem cashback podem ser gratuitos. Para decidir qual vale mais, é preciso comparar custos reais, hábitos de consumo e o valor efetivo do dinheiro de volta.

Critério 1: Anuidade e tarifas

O primeiro ponto de comparação é o custo de manter o cartão. Cartões com cashback geralmente têm anuidade entre R$ 200 e R$ 800 por ano, dependendo da bandeira e do banco emissor. Bancos como Santander (Elite) e XP (Legacy Visa Infinite) cobram anuidade que pode chegar a R$ 1.000, mas oferecem cashback de até 1% sobre compras. Já cartões sem cashback, como o Nubank ou o Inter, são isentos de anuidade e não exigem gasto mínimo.

Ressalva concreta: mesmo cartões ditos gratuitos podem ter tarifas ocultas, como taxa de segunda via ou de saque. Antes de escolher, leia o contrato e some todas as cobranças obrigatórias.

Critério 2: Percentual de cashback real

O cashback prometido nem sempre é o recebido. A maioria dos cartões oferece entre 0,5% e 1% sobre compras à vista. Mas há limites: o PagBank Visa, por exemplo, dá 1% até R$ 50 por mês; acima disso, o percentual cai. O PicPay Platinum Mastercard oferece 0,5% sem teto. Já o RecargaPay Titan Mastercard Black tem cashback de 1,5% em recargas de celular, mas 0,5% no restante.

Dado concreto: para receber R$ 300 de cashback por ano com 1% de retorno, é preciso gastar R$ 30.000 no período, ou R$ 2.500 por mês. Se a anuidade for de R$ 400, o ganho líquido cai para -R$ 100.

Critério 3: Condições de resgate e validade

Cartões com cashback impõem regras que reduzem o benefício. Alguns exigem saldo mínimo de R$ 25 para resgate, outros limitam o uso a descontos em lojas parceiras. O Amazon Prime Mastercard, por exemplo, converte cashback em crédito apenas na Amazon. Já o Santander Elite permite resgate a partir de R$ 10, mas o valor expira em 12 meses sem uso. Cartões sem cashback não têm essa complexidade: o dinheiro gasto é gasto, sem promessas de retorno.

Contraexemplo: se o cashback expirar antes de ser resgatado, o benefício simplesmente desaparece. É como pagar anuidade por nada.

Critério 4: Impacto do rotativo e parcelamento

Aqui mora a pegadinha. Se o usuário entrar no crédito rotativo ou parcelar a fatura, os juros (que chegam a 400% ao ano) consomem qualquer cashback. Um gasto de R$ 1.000 parcelado em 12 vezes com juros de 10% ao mês gera R$ 1.300 de custo extra. O cashback de 1% sobre R$ 1.000 devolve apenas R$ 10. A diferença é brutal. Para quem não paga a fatura integral, um cartão sem cashback com juros menores (ou mesmo sem anuidade) é mais vantajoso.

Tabela comparativa: cashback vs sem cashback

| Critério | Cartão com cashback | Cartão sem cashback | |---|---|---| | Anuidade típica | R$ 200 a R$ 800/ano | R$ 0 (gratuito) | | Retorno médio | 0,5% a 1% sobre compras | Nenhum | | Condições de resgate | Saldo mínimo, validade, lojas parceiras | Não se aplica | | Vantagem real | Gasto alto (+R$ 2.500/mês) e fatura paga em dia | Gasto baixo ou rotativo frequente | | Risco principal | Cashback não cobre anuidade se gasto for baixo | Nenhum benefício extra |

Critério 5: Benefícios extras (seguro, milhas, acesso a salas VIP)

Cartões com cashback costumam vir com benefícios agregados: seguro viagem, proteção de compra, acesso a salas VIP. O XP Legacy Visa Infinite, por exemplo, inclui seguro de bagagem e concierge. Já cartões sem cashback raramente oferecem esses extras. Para quem viaja com frequência, o valor desses benefícios pode superar o custo da anuidade, mesmo que o cashback seja pequeno.

Ressalva: leia as letras miúdas. Muitos seguros têm franquia ou cobrem apenas eventos específicos, como atraso de voo acima de 6 horas.

Veredito: para quem cada modelo serve

  • Escolha o cartão com cashback se: você gasta acima de R$ 2.000 por mês no cartão, paga a fatura integralmente todo mês, e consegue resgatar o cashback antes do vencimento. Nesse cenário, o retorno anual pode superar a anuidade.
  • Escolha o cartão sem cashback se: seus gastos mensais são baixos, você costuma parcelar a fatura ou atrasar pagamentos, ou prefere simplicidade sem taxas. Um cartão gratuito com zero anuidade é mais seguro financeiramente.

Perguntas frequentes sobre cartão de crédito cashback

Qual o melhor cartão de crédito com cashback?

Não existe um único melhor. O ideal depende do seu perfil de gasto. O PagBank Visa (1% sem anuidade) é bom para gastos médios. O Santander Elite (até 0,8% com anuidade) compensa para quem gasta muito. Compare sempre o percentual líquido após descontar a anuidade.

Cartão com cashback tem anuidade obrigatória?

A maioria sim, mas há exceções. O PagBank Visa é gratuito e dá 1% de cashback. O PicPay Platinum também não cobra anuidade. Verifique as condições antes de solicitar.

O cashback é tributado pelo Imposto de Renda?

Sim, o cashback é considerado rendimento e deve ser declarado como "rendimentos isentos e não tributáveis" se for inferior a R$ 40.000 por ano. Acima disso, incide IR. Consulte um contador.

Posso acumular cashback com milhas?

Geralmente não. Cartões de cashback e de milhas são programas distintos. Alguns permitem converter cashback em pontos, mas a taxa de conversão costuma ser desfavorável.

Vale a pena trocar um cartão sem cashback por um com cashback?

Depende do valor da anuidade. Some o cashback esperado (gasto mensal x percentual x 12) e subtraia a anuidade. Se o resultado for positivo, vale a troca. Caso contrário, mantenha o cartão gratuito.

Cashback expira?

Sim, muitos cartões estabelecem prazo de validade, que varia de 6 meses a 2 anos. Se o saldo não for resgatado dentro do período, o valor é perdido. Leia o regulamento.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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