Credito e Dividas

Governo estuda programa para eliminar dívidas antigas

ResumoO governo federal estuda um programa para eliminar dívidas antigas por meio de recompra com deságio elevado, conforme informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O modelo ainda está em elaboração e deve ser apresentado ao presidente Lula nos próximos dias, sem detalhes definidos sobre critérios de elegibilidade ou impacto fiscal.

Governo federal prepara novo programa para recomprar dívidas antigas com deságio alto, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Modelo ainda está em elaboração e será apresentado a Lula nos próximos dias.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 17 de setembro de 2026
Governo estuda programa para eliminar dívidas antigas

O governo federal prepara um novo programa para eliminar dívidas antigas de brasileiros, com foco em débitos cujos credores já não têm expectativa de recebimento. Em entrevista ao EXTRA, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a ideia é realizar um leilão para vender esses débitos com deságio alto. O modelo ainda está em elaboração e será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias.

Quem compraria essas dívidas e qual seria o percentual de deságio aplicado são perguntas ainda sem resposta. Durigan comparou as iniciativas a vacinas aplicadas de forma recorrente. Segundo ele, os programas Desenrola Brasil 1 e 2, já encerrados, atenderam 19 milhões de pessoas com algum alívio de dívida.

Como funcionaria a recompra de dívidas antigas

O mecanismo se baseia no que foi feito no Desenrola 1, quando houve um leilão de dívidas entre credores e o consumidor escolhia a melhor oferta de pagamento dentro de uma plataforma. A diferença agora é o foco: em vez de renegociar o que já foi renegociado, o governo quer comprar diretamente os débitos mais antigos, com deságio grande, para não pressionar as contas públicas.

Durigan disse que o programa não deve se chamar Desenrola, porque a proposta é limpar o nome, sobretudo de dívidas que bancos e empresas já perderam a esperança de receber. A origem do endividamento elevado das famílias, segundo o ministro, remonta à crise econômica e ao período da pandemia da Covid.

O ministro citou o caso de motociclistas e motoristas que tentaram crédito no Move Brasil, programa federal de financiamento de veículos a juros menores, e encontraram negativação antiga no caminho. A equipe econômica ainda estuda se o novo programa vai incluir dívidas não bancárias, como contas de luz e gás, ou se terá foco no que mais trava o acesso ao crédito.

O que isso muda para quem está endividado

Para o consumidor com nome negativado, o anúncio sinaliza uma possível porta de saída, mas sem data nem regras definidas. Durigan afirmou que a apresentação a Lula cabe ao presidente. A decisão sobre quando o programa será anunciado também é de Lula, segundo o ministro.

A lógica de recompra com deságio alto interessa a quem carrega dívidas antigas que já saíram do radar dos credores. Na prática, são débitos que hoje bloqueiam crédito novo, cartão e financiamento, mesmo quando a renda do devedor melhorou. O desenho do leilão é justamente tentar resolver esse gargalo sem exigir do consumidor uma nova renegociação.

O ministro ainda abordou na entrevista temas como bets, fim da escala 6x1, MEIs, combustíveis, aluguel, política para idosos e crédito consignado do INSS. Sobre bets, afirmou que mais de 1,2 milhão de pessoas já pediram autoexclusão das plataformas, quase metade alegando problema mental ou vício.

Leia também

Publicidade