# TRX nega acusações do MPF sobre gestão fraudulenta; entenda

> TRX e seus sócios fundadores negam as acusações do Ministério Público Federal (MPF) sobre gestão fraudulenta em um Fundo de Investimento em Participações (FIP). As operações citadas pelo MPF são anteriores ao TRXF11, fundo imobiliário listado. As cotas do TRXF11 recuaram 3,14% nesta terça-feira, refletindo a repercussão do caso.

*Mercado Valor · Investimentos · 01 de setembro de 2026 · Otávio Bandeira*

A TRX e seus sócios fundadores negaram as acusações do MPF sobre gestão fraudulenta em um FIP. As operações citadas são anteriores ao TRXF11, mas as cotas do fundo recuam 3,14% nesta terça-feira.

A TRX e seus sócios fundadores, Luiz Augusto Faria do Amaral e José Alves Neto, negaram as acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF), que denunciou os executivos por suposta gestão fraudulenta de um fundo de participações ligado à gestora. Em nota, a empresa afirmou que as operações questionadas ocorreram há mais de dez anos, antes da criação do TRXF11, e foram conduzidas de forma transparente e de acordo com a legislação vigente à época. A TRX também destacou que os fatos ainda são objeto de apuração pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que a denúncia ainda não teve seu mérito analisado pela Justiça.

A acusação envolve o FIP TRX Desenvolvimento Imobiliário I, fundo que investia em sociedades de propósito específico (SPEs) responsáveis pelo desenvolvimento de galpões construídos sob medida. O veículo possuía cerca de 230 cotistas, entre investidores diretos e indiretos. Segundo o MPF, entre 2014 e 2019, os executivos teriam direcionado recursos do fundo para empresas relacionadas à estrutura da TRX, entre elas a Pacificus 47 e a Logbrás. A procuradoria sustenta que determinadas operações teriam beneficiado empresas ligadas à gestora em detrimento dos interesses dos cotistas.

Uma das operações citadas ocorreu em 2015, quando o fundo vendeu por R$ 23 milhões uma participação na Saint Michel, empresa que detinha um galpão alugado à Renault por 30 anos. De acordo com o MPF, o ativo teria valor econômico estimado em aproximadamente R$ 36,6 milhões, com base em documentos contábeis e em um laudo contratado pela própria TRX. Após a venda, os R$ 23 milhões teriam sido utilizados para comprar e capitalizar a Pacificus 47, então uma empresa pré-operacional. Para o MPF, a operação teria retirado do fundo uma participação considerada madura e transferido os recursos para uma companhia ligada ao grupo da gestora. A denúncia aponta ainda que a operação teria sido realizada sem laudo prévio e sem autorização específica dos cotistas.

Outro episódio citado ocorreu em 2017, quando o centro de distribuição da Renault teria sido vendido por R$ 198 milhões. Segundo o MPF, a TRX passou a prestar serviços remunerados à empresa compradora na véspera da operação. A CVM investiga, entre outros pontos, a venda de ativos do FIP para sociedades ligadas à gestora e uma possível violação do dever de lealdade aos cotistas. O MPF pede a condenação dos dois executivos com base no artigo 4º da Lei 7.492/1986, que trata de gestão fraudulenta.

A acusação não envolve o TRXF11, fundo imobiliário da TRX. As operações citadas ocorreram em um FIP e são anteriores à criação do fundo imobiliário. No mercado, porém, as cotas do TRXF11 operam em queda nesta terça-feira. Às 15h53, o fundo recuava 3,14%, cotado a R$ 75,83 por cota. Para o investidor, o caso reforça a importância de acompanhar a governança dos fundos e os riscos de conflitos de interesse, mesmo em veículos que não estão diretamente envolvidos na denúncia. Ainda assim, a decisão final sobre o mérito cabe à Justiça, e a TRX mantém a defesa de que agiu dentro da lei.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/trx-nega-acusacoes-ministerio-publico-sobre-gestao-fraudulenta-entenda-caso/
