# Tesouro IPCA+ ainda é a melhor aposta da renda fixa? Especialista explica

> O Tesouro IPCA+ oferece taxas reais entre 7% e 8%, mantendo-se como a melhor aposta da renda fixa para investidores de longo prazo. O principal motor dos prêmios elevados é o risco fiscal brasileiro, não a volatilidade geopolítica do Oriente Médio. A alocação nesse título depende do perfil e do horizonte de cada investidor.

*Mercado Valor · Investimentos · 27 de julho de 2026 · Bianca Solano*

Com taxas reais entre 7% e 8%, o Tesouro IPCA+ volta a atrair investidores de longo prazo. Especialista explica que, apesar da volatilidade trazida pelo Oriente Médio, o principal motor dos prêmios elevados é o risco fiscal brasileiro. Veja como isso afeta sua carteira.

## Tesouro IPCA+ ainda é a melhor aposta da renda fixa? Especialista explica porque título continua pagando tão bem

A nova escalada das tensões no Oriente Médio devolveu volatilidade aos mercados globais e fez as taxas dos títulos públicos brasileiros voltarem a subir. O movimento, impulsionado pela disparada do petróleo e pela perspectiva de juros mais altos por mais tempo no exterior, reacendeu o interesse dos investidores pelo Tesouro IPCA+, que voltou a oferecer remunerações historicamente elevadas. O Tesouro IPCA+ continua pagando taxas reais elevadas, entre 7% e 8%, devido à combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e, principalmente, ao risco fiscal doméstico. Segundo Guilherme Almeida, da Suno Research, enquanto não houver clareza sobre o ajuste fiscal, os prêmios devem permanecer altos, beneficiando investidores de longo prazo que levam o título ao vencimento.

## Por que o Tesouro IPCA+ voltou a pagar taxas tão altas?

Para especialistas, o conflito no Oriente Médio é apenas parte da história. Embora o cenário internacional explique a abertura recente da curva de juros, o principal fator por trás das taxas elevadas dos títulos de longo prazo continua sendo doméstico: a deterioração das expectativas para o quadro fiscal brasileiro.

"O fim do conflito poderia trazer um arrefecimento das taxas, especialmente dos prefixados, mas isso tende a ser temporário caso os problemas estruturais do país permaneçam sem solução", afirma Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research. Segundo ele, a curva longa continua refletindo, sobretudo, o prêmio de risco associado ao crescimento da dívida pública e à falta de perspectivas para um ajuste fiscal consistente.

## Como o cenário externo pressiona os títulos públicos?

O agravamento do conflito no Oriente Médio elevou novamente os preços do petróleo e trouxe de volta o temor de uma inflação mais persistente no mundo. Para Almeida, esse movimento afeta diretamente as expectativas para a política monetária global.

Segundo ele, com o barril em altos patamares, cresce a percepção de que bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed), poderão manter uma postura mais restritiva ou até voltar a elevar juros. Isso reduz o fluxo de capital para mercados emergentes, pressiona o câmbio e acaba exigindo prêmios maiores também nos títulos públicos brasileiros.

"O mercado não busca uma remuneração maior por si só. Os prêmios aumentam porque a percepção de risco cresce", explica.

## Risco fiscal: o motor principal das taxas elevadas

Apesar da influência do cenário externo, Almeida afirma que o componente estrutural segue sendo determinante para as taxas reais de longo prazo. Segundo ele, o mercado não enxerga hoje um plano fiscal capaz de estabilizar o crescimento da dívida pública.

"O fiscal nunca deixou de ser um tema. Em alguns momentos perdeu protagonismo para as tarifas de Donald Trump ou para os conflitos geopolíticos, mas sempre permaneceu incorporado na curva de juros, principalmente nos vencimentos mais longos", afirma.

Essa percepção também explica a dificuldade encontrada pelo Tesouro Nacional para vender papéis de vencimentos longos. Segundo Almeida, os leilões mais recentes mostram que os investidores aceitam comprar esses títulos apenas mediante remunerações cada vez maiores, levando o Tesouro a reduzir a oferta de alguns papéis.

## Tesouro IPCA+ para longo prazo: oportunidade ou armadilha?

Mesmo com a volatilidade recente, Almeida considera que o momento continua bastante favorável para investidores de longo prazo. Segundo ele, os títulos indexados à inflação oferecem hoje taxas reais entre 7% e 8%, níveis observados em poucos momentos desde 2003. Para quem pretende levar o papel até o vencimento, trata-se de uma oportunidade rara de travar uma remuneração elevada por muitos anos.

O especialista ressalta, porém, que o investidor deve construir a carteira a partir de seus objetivos, horizonte de investimento e necessidade de liquidez. "O investimento não é um fim em si mesmo", afirma.

Na visão da Suno Research, o Tesouro IPCA+ segue sendo o principal "coringa" da renda fixa. Além de garantir um juro real elevado, o papel protege o investidor caso a inflação surpreenda para cima, cenário que voltou a ganhar força diante das incertezas geopolíticas e dos desafios fiscais do Brasil.

## Perguntas Frequentes

### O Tesouro IPCA+ é seguro para investir agora?

Sim, para quem tem horizonte de longo prazo e pretende levar o título ao vencimento, as taxas reais entre 7% e 8% são consideradas uma oportunidade rara desde 2003, segundo Guilherme Almeida.

### O que faz o Tesouro IPCA+ subir de taxa?

A combinação de risco fiscal doméstico (dívida pública e falta de ajuste) e tensões geopolíticas (Oriente Médio e petróleo) pressiona os prêmios para cima.

### O Tesouro IPCA+ protege contra a inflação?

Sim, o título é indexado ao IPCA, garantindo ganho real acima da inflação, além de um juro prefixado. como funciona o Tesouro IPCA+

### Qual a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro Selic?

O Tesouro IPCA+ oferece proteção contra a inflação e taxas reais elevadas no longo prazo, enquanto o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, ideal para reserva de emergência.

### O governo pode intervir no mercado de títulos?

O Tesouro Nacional já fez intervenções extraordinárias, mas, segundo Almeida, atuações frequentes podem prejudicar a liquidez e ter efeitos temporários.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/tesouro-ipca-ainda-melhor-aposta-renda-fixa-especialista-explica-porque-titulo-c/
