# SpaceX (SPCX) cai 13% após 1º balanço, mas analistas seguem otimistas

> SpaceX (SPCX) registrou queda de 13,61% nas ações, cotadas a US$ 108,27, após o primeiro balanço trimestral pós-IPO. A receita quase dobrou, mas os gastos elevados com inteligência artificial geraram preocupação entre investidores. Analistas mantêm otimismo, elevando preços-alvo e posicionando a empresa como ativo além do setor espacial tradicional.

*Mercado Valor · Investimentos · 05 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

A SpaceX (SPCX) divulgou seu primeiro resultado trimestral após a abertura de capital e as ações caíram 13,61%, a US$ 108,27. A receita quase dobrou, mas gastos com IA assustaram. Analistas, porém, elevam preços-alvo e veem a empresa além do setor espacial.

## SpaceX: ação cai 13% com 1º balanço após IPO, mas por que analistas seguem otimistas?

A SpaceX (SPCX) divulgou seu primeiro resultado trimestral após a abertura de capital e a reação dos investidores foi fortemente negativa. Nesta quarta-feira, as ações desabaram 13,61%, a US$ 108,27. A receita quase dobrou e os prejuízos operacionais diminuíram, mas os gastos com inteligência artificial colocaram um freio no entusiasmo.

## Por que a ação caiu 13% após o 1º balanço?

As sinalizações positivas divulgadas pela empresa falharam em impressionar. A receita da SpaceX quase dobrou e os prejuízos operacionais diminuíram, impulsionados pelo crescimento acelerado dos negócios de comunicações via satélite Starlink e de inteligência artificial. Mas as ações desabaram depois que executivos sinalizaram que a onda de gastos que sustenta suas ambições estava longe de terminar.

"Este é o ponto culminante de toda a história desta temporada de resultados. A SpaceX superou as expectativas dos analistas em relação à receita, mas os gastos com IA estão ficando fora de controle, sem sinais de desaceleração tão cedo", disse Nic Puckrin, analista e fundador da Coin Bureau.

## Os números do balanço: receita, lucro e prejuízo

A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 541 milhões. O resultado ajustado por ação ficou negativo em US$ 0,09, um prejuízo menor do que o esperado por analistas compilados pela FactSet, que projetavam perda de US$ 0,23. A receita saltou 92% no período, para US$ 7,8 bilhões, acima da estimativa de US$ 6,8 bilhões apurada pela FactSet.

A única fonte de lucro veio do segmento de conectividade, o serviço de internet via satélite Starlink. O produto registrou 12 milhões de inscritos no segundo semestre deste ano e obteve lucro de US$ 1,66 bilhão. Já os setores de Espaço e Inteligência Artificial registraram prejuízos de US$ 542 milhões e US$ 1,25 bilhão, respectivamente. Os gastos de capital (capex) chegaram a US$ 18,4 bilhões no trimestre.

## O que dizem Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan

Apesar dos pesares, a companhia surpreendeu analistas ao apresentar receitas e rentabilidade muito acima das expectativas. O desempenho foi impulsionado por três frentes simultâneas: lançamentos espaciais, expansão da Starlink e a acelerada entrada no mercado de infraestrutura para IA.

Análises de Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan apontam que o negócio de IA passou a ser o principal vetor de valor da empresa, eclipsando até as operações tradicionais no setor espacial.

No segundo trimestre de 2026, a receita foi de US$ 7,8 bilhões, acima das projeções tanto do Goldman Sachs quanto do consenso de mercado. O resultado operacional (EBIT) ficou negativo em apenas US$ 143 milhões, desempenho bem melhor do que o prejuízo superior a US$ 1,6 bilhão esperado. O EBITDA ajustado atingiu US$ 3,5 bilhões, superando amplamente as estimativas.

O destaque veio da divisão de IA, com receita de US$ 2,56 bilhões no trimestre, cerca de 30% acima das expectativas, beneficiada por contratos de computação em nuvem e pela rápida expansão da capacidade instalada de processamento.

## A meta de US$ 100 bilhões em receita anual

A companhia pretende atingir uma receita anual recorrente (ARR) superior a US$ 100 bilhões até dezembro de 2026. O objetivo supera com folga as estimativas anteriores de Wall Street. O Morgan Stanley destacou que essa meta representa um patamar muito acima do que estava embutido nas projeções anteriores, enquanto o JPMorgan classificou a previsão como uma forte aceleração da trajetória de crescimento.

Outro ponto que chamou atenção foi a estratégia para ampliar a capacidade computacional. A companhia espera encerrar 2026 com mais de 2 gigawatts (GW) de capacidade instalada e atingir entre 5 GW e 10 GW em 2027. O JPMorgan elevou sua projeção para 6,4 GW em 2027, enquanto o Morgan Stanley passou a trabalhar com aproximadamente 5 GW.

Os analistas ponderam que a expansão acelerada traz como consequência o aumento expressivo dos investimentos. O Morgan Stanley estima capex de US$ 64 bilhões em 2026 e US$ 163 bilhões em 2027, enquanto o JPMorgan trabalha com quase US$ 200 bilhões anuais nos próximos anos. Apesar disso, acreditam que o retorno pode ser rápido diante da forte demanda por capacidade computacional.

## Starlink e Starship: o que sustentam a tese

A Starlink mostrou força operacional, com cerca de 12 milhões de assinantes de banda larga, superando algumas estimativas. Os contratos corporativos e governamentais continuam ganhando relevância. O JPMorgan destacou mais de US$ 6 bilhões em novos contratos com o governo americano vinculados à rede Starshield, reforçando a importância da divisão de conectividade para geração de caixa e receitas recorrentes.

Na divisão espacial, os avanços do programa Starship seguem acompanhados de perto. A companhia informou que os testes recentes aumentaram a confiança na solução dos problemas relacionados ao escudo térmico da nave e reforçaram a expectativa de aceleração da cadência de lançamentos. A administração voltou a mencionar planos para ampliar a frequência dos voos e expandir a infraestrutura de lançamento até o fim de 2027.

## Preços-alvo revisados: o que esperar da ação

Após os resultados, os bancos revisaram suas projeções e mantiveram recomendações positivas. O Goldman Sachs reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo de US$ 205 para US$ 220, destacando que a IA passou a representar a maior parte do valor da companhia. O JPMorgan aumentou o preço-alvo de US$ 225 para US$ 240, enquanto o Morgan Stanley manteve alvo de US$ 300 por ação e classificação equivalente à compra.

Para os analistas, o balanço inaugural reforçou a visão de que a SpaceX deixou de ser apenas uma empresa espacial. A tese de investimento passou a combinar três grandes mercados endereçáveis: lançamentos e exploração espacial, conectividade global via Starlink e infraestrutura de inteligência artificial. O ciclo sempre vira, e quem observa o longo prazo vê a empresa em outro patamar.

## Perguntas Frequentes

### A SpaceX está dando prejuízo?

Sim, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 541 milhões no trimestre, mas o resultado foi melhor do que o esperado pelos analistas. O prejuízo por ação foi de US$ 0,09, contra projeção de perda de US$ 0,23.

### Por que a ação caiu se a receita subiu 92%?

Os investidores se assustaram com os gastos crescentes em inteligência artificial. Executivos sinalizaram que a onda de gastos está longe de terminar, e isso pesou no preço das ações.

### Qual é o preço-alvo para a ação da SpaceX?

O Goldman Sachs elevou para US$ 220, o JPMorgan para US$ 240 e o Morgan Stanley mantém US$ 300 por ação, todos com recomendação de compra.

### A Starlink é lucrativa?

Sim, a Starlink é a única fonte de lucro da empresa, com US$ 1,66 bilhão no trimestre e 12 milhões de inscritos. Os outros segmentos, Espaço e IA, registraram prejuízo.

### O que é a meta de US$ 100 bilhões em receita?

A SpaceX pretende atingir uma receita anual recorrente (ARR) superior a US$ 100 bilhões até dezembro de 2026, uma meta muito acima das estimativas anteriores de Wall Street.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/spacex-acao-cai-13-1-balanco-apos-ipo-mas-por-analistas-seguem-otimistas/
