Investimentos

Juros dos Treasuries viram maior risco aos mercados, diz BofA

ResumoA alta dos rendimentos dos Treasuries é apontada pelo Bank of America como o maior risco extremo para os mercados globais, superando temores de bolha em inteligência artificial. Pesquisa do BofA com 190 gestores mostra que a alocação em ações caiu para 49%, refletindo cautela diante da disparada dos juros dos títulos americanos.

Levantamento do Bank of America com 190 gestores globais mostra que a disparada dos rendimentos dos Treasuries virou o maior risco extremo para os mercados, superando a preocupação com a bolha de IA. Alocação em ações caiu para 49%.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 16 de setembro de 2026
Juros dos Treasuries viram maior risco aos mercados, diz BofA

A disparada recente dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, passou a ser o maior risco para os mercados, segundo a pesquisa do Bank of America (BofA) com gestores de fundos globais. O levantamento ouviu 190 gestores que detêm juntos US$ 512 bilhões em ativos sob gestão, entre 4 e 10 de setembro.

O que mudou no mês: 33% dos entrevistados apontam o aumento desordenado dos rendimentos dos Treasuries como o maior risco extremo, contra 27% em agosto. A preocupação tomou o lugar da bolha de IA, que recuou de 32% para 28% na comparação mês a mês.

Posição em caixa sobe e alocação em ações recua

A resposta dos gestores aparece no posicionamento. A alocação líquida em ações caiu de 56% para 49%, enquanto o nível de caixa subiu de 3,5% para 3,9% dos ativos. O patamar segue em território de venda por permanecer abaixo de 4%.

No mercado de títulos, a venda a descoberto de Treasuries é a segunda operação mais popular entre os gestores, atrás apenas das posições compradas em ações de semicondutores globais. A posição líquida em Treasuries está 48% abaixo do peso ideal, ante 39% no mês anterior, a menor exposição a títulos desde maio de 2022.

Para 27% dos entrevistados, uma mudança na alocação no mercado de títulos só deve ocorrer se os rendimentos subirem a um nível considerado atrativo, como um yield de 6% no título de 30 anos. Outros 19% dizem que precisariam observar uma alta significativa no mercado acionário.

Recompras do Tesouro e eleições nos EUA

O otimismo sobre as recompras de títulos de longo prazo anunciadas pelo Tesouro é baixo. As operações começaram no último dia 9 e devem se estender até 4 de novembro. Entre os gestores, 46% não esperam nenhum impacto sobre os rendimentos dos Treasuries, enquanto 26% acreditam que os juros podem subir ainda mais.

A possibilidade de vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA também entra na conta e reduz o apetite a risco. A expectativa de maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado subiu de 23% em agosto para 31% neste mês. Nesse cenário, 45% dos entrevistados esperam alta nos rendimentos dos Treasuries e queda das ações.

Apenas 14% dos gestores esperam algum corte nos investimentos em infraestrutura de IA pelas gigantes do setor, as hypescalers, ao longo deste ano. Para quem acompanha o ciclo de perto, a leitura é direta: enquanto o rendimento longo americano não encontrar teto, a decisão de aumentar risco em bolsa tende a ficar em segundo plano. O ciclo sempre vira, mas vira depois que o preço do dinheiro longo se ajusta.

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