# SMFT3: por que ação da Smart Fit caiu 7,82% com balanço sólido?

> SMFT3 (Smart Fit) registrou queda de 7,82% nas ações apesar do balanço sólido do 2T26. O movimento reflete pontos de atenção levantados por Morgan Stanley, Citi, XP e JPMorgan, incluindo margens pressionadas e guidance conservador. A reação negativa do mercado ocorre mesmo com resultados operacionais positivos, indicando preocupação com sustentabilidade de crescimento e valuation.

*Mercado Valor · Investimentos · 06 de agosto de 2026 · Caetano Vidal*

Smart Fit (SMFT3) apresentou balanço sólido no 2T26, mas ações caíram 7,82%. Entenda os pontos de atenção apontados por Morgan Stanley, Citi, XP e JPMorgan.

## Smart Fit (SMFT3) apresenta balanço sólido no 2T, mas por que ações caíram quase 8%?

A Smart Fit (SMFT3) apresentou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), com crescimento de receita e expansão de margens. Apesar disso, as ações fecharam em baixa de 7,82% na quinta-feira (6), a R$ 18,38, a maior queda do Ibovespa na sessão. O que explica essa reação? Os pontos de atenção abaixo da linha do Ebitda, como despesas financeiras mais altas e geração de caixa mais fraca que o esperado, pesaram mais que o desempenho operacional.

## Balanço sólido, mas reação negativa: o que pesou?

O Morgan Stanley avaliou que, apesar do crescimento robusto das receitas e da expansão das margens operacionais, a Smart Fit apresentou pontos de atenção abaixo da linha do Ebitda. A receita da divisão "Outros" veio ligeiramente abaixo do esperado, e o lucro líquido foi pressionado por despesas financeiras mais elevadas. O banco também destacou geração de caixa mais fraca que o previsto, com maior consumo de capital de giro, aumento dos investimentos e elevação da dívida líquida para R$ 4,6 bilhões ao fim do trimestre.

Na mesma linha, o analista João Pedro Soares, do Citi, classificou o resultado como misto: receita mais fraca que o esperado e lucro aquém das estimativas, mas margem bruta caixa mais forte e controle mais rígido das despesas operacionais. "Continuamos construtivos em relação à trajetória de crescimento da SmartFit, que permanece sólida e, em grande parte, intacta, embora tenha ficado ligeiramente abaixo de nossas expectativas neste trimestre", afirmou Soares em relatório a clientes.

Ele destacou que as margens foram o principal destaque positivo, com margem bruta caixa subindo de 50,9% para 51,9%. "Dito isso, não podemos descartar uma reação negativa do mercado no curto prazo, dado o lucro abaixo das expectativas e a elevada concentração de investidores no papel da SmartFit."

## Números do 2T26: receita, Ebitda e lucro

A receita líquida consolidada atingiu R$ 2,18 bilhões entre abril e junho, alta de 22% na comparação anual, impulsionada pela abertura de novas academias, aumento da base de clientes e crescimento do tíquete médio. O Ebitda ajustado pré-IFRS 16 somou R$ 712 milhões, avanço de 24%, com margem Ebitda de 32,7%, ante 32,1% um ano antes. O lucro líquido recorrente alcançou R$ 204 milhões, alta de 8%.

Para a XP, o principal destaque foi a rentabilidade. A corretora classificou o resultado como uma "forte surpresa positiva", afirmando que as margens vieram acima das expectativas mesmo em período sazonalmente mais fraco. A maior contribuição do TotalPass para o lucro bruto compensou a pressão nos negócios tradicionais e o aumento das despesas corporativas.

## TotalPass: vetor de crescimento e ponto de atenção

O TotalPass segue como principal vetor de crescimento. O segmento "Outros", que reúne a plataforma corporativa, franquias e negócios digitais, respondeu por 11% da receita consolidada, ante 8% há um ano, e já representa 17% do lucro bruto. Ao final de junho, a plataforma contabilizava 2,2 milhões de usuários no Brasil e no México, crescimento de 70% em relação a 2025. A participação de mercado por usuários ativos mensais (MAU) atingiu 35% no Brasil, oito pontos percentuais acima, e 79% no México.

O Morgan Stanley destacou que o TotalPass está deixando de ser apenas ferramenta de aquisição para se tornar fonte relevante de lucro, com margem bruta de 84,7% e lucro bruto de R$ 195 milhões, crescimento de 79%. A XP reforçou que a monetização vinda das empresas contratantes e dos usuários precisa ser considerada para avaliar a contribuição econômica.

Por outro lado, a receita da divisão "Outros" ficou abaixo das projeções do banco: R$ 230 milhões, crescimento de 47%, mas cerca de 18% abaixo da estimativa. Isso limitou um desempenho ainda melhor da receita consolidada e do Ebitda.

## O que pesou abaixo da linha do Ebitda

O principal ponto negativo foi a linha abaixo do Ebitda. O lucro líquido reportado ficou em R$ 156 milhões, 30% abaixo da estimativa do Morgan Stanley. Mesmo o lucro recorrente, de R$ 204 milhões, ficou aquém das projeções devido ao aumento das despesas financeiras e dos impostos. A instituição classificou o trimestre como "good quarter, messy below the EBITDA line" ("bom trimestre, mas bagunçado abaixo da linha do Ebitda").

A conversão de caixa também foi destaque. O fluxo de caixa operacional somou R$ 530 milhões, abaixo da expectativa de R$ 694 milhões do banco. O consumo mais elevado de capital de giro e maiores pagamentos de impostos pressionaram a geração de caixa.

## Brasil e América Latina: surpresas positivas

A receita da operação brasileira cresceu 17%, para R$ 695 milhões, sustentada por reajustes de preços, maior penetração do plano Black e aumento da utilização do TotalPass. O tíquete médio avançou 17%. Apesar da receita líquida por academia ter recuado 5%, a rentabilidade permaneceu resiliente. A XP destacou margens acima das estimativas, e o JPMorgan apontou expansão de dois pontos percentuais na margem Ebitda, para 43,6%. Academias maduras mantiveram margem próxima de 51%.

A operação em outros países latino-americanos foi o maior destaque positivo. A receita avançou 22%, para R$ 737 milhões, tornando-se pela primeira vez a maior operação em faturamento entre os negócios próprios, superando o Brasil. O JPMorgan destacou Ebitda crescendo cerca de 30%, com margem de 50,8%. A XP classificou a região como principal surpresa positiva.

O México seguiu em crescimento, com receita de R$ 448 milhões, alta de 16%, apoiada pelo aumento de 13% da base de clientes, mas segue como a geografia mais pressionada.

## O que esperar da ação da Smart Fit?

O balanço mostra uma companhia capaz de expandir a rede sem comprometer a rentabilidade, mas a reação do mercado reflete a preocupação com a conversão de resultado em caixa e lucro. A concentração de investidores no papel amplifica a volatilidade. Para quem acompanha o setor, a evolução do TotalPass e a geração de caixa serão os pontos a observar nos próximos trimestres. Nem tudo que sobe é tendência, e nem toda queda é motivo de pânico: o cenário é de cautela, com fundamentos sólidos, mas desafios abaixo da linha do Ebitda.

## Perguntas Frequentes

### Por que as ações da Smart Fit caíram se o balanço foi sólido?

As ações caíram 7,82% porque o mercado focou nos pontos de atenção abaixo da linha do Ebitda, como receita da divisão "Outros" abaixo do esperado, lucro pressionado por despesas financeiras e geração de caixa mais fraca que o previsto.

### Qual foi o lucro líquido da Smart Fit no 2T26?

O lucro líquido reportado foi de R$ 156 milhões, 30% abaixo da estimativa do Morgan Stanley. O lucro recorrente foi de R$ 204 milhões, alta de 8% na comparação anual.

### O que é o TotalPass e qual sua importância para a Smart Fit?

O TotalPass é a plataforma corporativa da Smart Fit, que respondeu por 11% da receita consolidada no 2T26 e 17% do lucro bruto. Tem 2,2 milhões de usuários no Brasil e México, com margem bruta de 84,7%.

### A operação internacional da Smart Fit superou o Brasil?

Sim, pela primeira vez a operação em outros países latino-americanos superou o Brasil em faturamento, com receita de R$ 737 milhões, alta de 22%, impulsionada pela maturação de academias e reajustes de preços.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/smart-fit-smft3-apresenta-balanco-solido-2t-mas-por-acoes-cairam-quase-8/
