# Apple fora de recomendações de ações: o que muda? Veja

> Apple foi removida da lista de ações internacionais mais recomendadas de setembro. A pressão do preço da memória sobre as margens da empresa motivou a saída da recomendação. A exclusão sinaliza cautela do mercado quanto à rentabilidade futura da fabricante do iPhone, impactando a percepção de risco no setor de tecnologia.

*Mercado Valor · Investimentos · 07 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

A Apple deixou a lista de ações internacionais mais recomendadas de setembro. Pressão do preço da memória sobre margens explica a saída. Veja o que isso sinaliza para o mercado.

A Apple deixou de figurar entre as ações internacionais mais recomendadas para setembro de 2026. A mudança veio em um cenário em que o mercado americano voltou a discutir alta de juros, após o discurso do presidente do banco central em Jackson Hole e um relatório de emprego que reforçaram essa leitura. A saída da companhia, que era a segunda mais indicada, foi atribuída à pressão do preço da memória sobre a margem do próximo iPhone.

O que explica a troca é o custo da memória usada em data centers, que subiu e separou as empresas que vendem o componente daquelas que precisam comprá-lo. Com isso, a Micron se tornou a mais recomendada, e as posições se concentraram em quem fornece o que a expansão dos data centers consome. Para quem investe, o sinal é claro: o mercado está precificando quem está na ponta da oferta de infraestrutura de IA, não quem depende dela.

A tese por trás da preferência por Micron é a mesma nas seis carteiras que trazem o papel: o mercado de memória segue subofertado, e a oferta não se expande na velocidade da demanda. A memória de alta largura de banda, usada em aceleradores de inteligência artificial, é vendida a um preço cerca de três vezes superior ao da memória tradicional, melhorando o mix e a rentabilidade da companhia. A capacidade de HBM para 2026 já está comprometida, e novas gerações de chips devem sustentar a demanda.

Além da Micron, outras gigantes de tecnologia seguem na lista, mas com narrativas distintas. O Google Cloud é o ponto central da recomendação do Google, com receita que cresceu 82% no segundo trimestre, impulsionada pela adoção corporativa de IA. A Amazon se apoia na AWS, cuja receita avançou 36,8% no mesmo período, com margem operacional acima de 39%. A Microsoft mantém a recomendação ancorada no Azure, que cresceu 43% no trimestre, o melhor ritmo desde 2022. A Nvidia, com participação em torno de 80% no fornecimento de GPUs para data centers, viu a receita do segmento crescer 117%, e projeta expansão de 70% no próximo ano fiscal.

A única representante do setor de energia entre as seis mais recomendadas entrou em uma das carteiras neste mês. O argumento tem três partes: a ação negocia com desconto frente à própria média dos últimos dois anos, o ambiente geopolítico tende a elevar o prêmio de risco do petróleo, e as margens de refino estão em patamar elevado por causa da oferta global restrita de capacidade de processamento. A consolidação do setor, com aquisições de porte entre grandes petroleiras, aparece como quarto fator.

Para o investidor, a leitura prática é que o mercado está migrando de empresas que consomem infraestrutura para aquelas que a produzem. A Apple, mesmo com ecossistema forte, sente o impacto do custo de memória em sua margem. Quem acompanha carteiras recomendadas deve observar se essa rotação é pontual ou tendência, especialmente com a decisão de juros do dia 16 no radar. o que são BDRs e como investir

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/sem-tim-cook-perde-brilho-apple-fica-fora-recomendacoes-acoes-globais/
