# Santander Brasil: menor lucro desde 2023 e ação cai 7% após 2T26

> Santander Brasil registrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no 2T26, menor valor desde 2023 e 20% abaixo das expectativas do mercado. A ação do Santander Brasil caiu 7,37% no pregão seguinte, pressionada por provisões recordes para devedores duvidosos e compressão da margem financeira líquida.

*Mercado Valor · Investimentos · 29 de julho de 2026 · Bianca Solano*

O Santander Brasil abriu a temporada de resultados dos bancões com lucro 20% menor que o esperado. Ação caiu 7,37% com provisões recordes e compressão de margem. Entenda o balanço do 2T26.

## Santander Brasil: o que está por trás do menor lucro desde 2023 e da queda de 7% da ação

O Santander Brasil (SANB11) abriu a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos grandes bancos brasileiros com números que frustraram o mercado. O lucro líquido gerencial somou R$ 3,014 bilhões entre abril e junho, queda de 20% em relação ao primeiro trimestre e de 18% na comparação anual. O resultado ficou entre 16% e 20% abaixo das expectativas do mercado e das principais casas de análise.

Com isso, as ações SANB11 caíram 7,37%, cotadas a R$ 25,63, registrando a segunda maior queda do Ibovespa na sessão desta quarta-feira (29). Foi o pior desempenho do papel desde abril de 2020. O banco reportou seu pior lucro líquido e rentabilidade em um trimestre desde o final de 2023.

### Por que o lucro do Santander Brasil caiu tanto?

O principal ponto negativo do balanço foi o lucro antes dos impostos (EBT), que totalizou R$ 2,54 bilhões, recuo de 45% ante o trimestre anterior e de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O número ficou até 48% abaixo de algumas estimativas. Esse resultado foi parcialmente compensado por uma alíquota de imposto efetiva negativa de 23%, que ajudou a sustentar o lucro líquido.

Com o desempenho fraco, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) caiu para 12,5%, ante 16% no primeiro trimestre e 16,4% um ano antes. O Goldman Sachs destacou que o indicador atingiu o menor nível em quase três anos.

### Providências para devedores duvidosos disparam 21%

O aumento das despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) foi o principal fator de deterioração do resultado. As provisões atingiram R$ 7,65 bilhões, alta de 21% frente ao trimestre anterior e de 12% na comparação anual. Segundo o banco, o movimento refletiu casos corporativos específicos, mudanças na metodologia de baixas contábeis (write-offs), provisões adicionais para clientes de atacado e um ambiente de crédito mais desafiador.

### Inadimplência estável? Depende do critério

Apesar da forte elevação das provisões, houve divergência na leitura sobre a qualidade dos ativos. JPMorgan e Goldman Sachs chamaram atenção para o fato de que a inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 3,3% apenas porque a nova política de write-offs acelerou baixas de créditos problemáticos. Sem esse efeito, o indicador teria avançado para aproximadamente 3,6%. Além disso, a cobertura de créditos em estágio 3 caiu para 65%, de 67,6% no trimestre anterior.

Já o Bradesco BBI adotou uma leitura mais construtiva. Segundo o banco, os indicadores antecedentes de inadimplência apresentaram melhora, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas. A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 3,3%, com destaque para a queda de 30 pontos-base nas PMEs. O BBI afirmou que esse movimento é positivo para o setor bancário como um todo, que continua monitorando riscos de deterioração do crédito.

### Margem financeira comprime e spread cai 40 pontos-base

Outro ponto que desagradou os analistas foi a margem financeira com clientes (NII), um dos principais motores de resultado dos bancos. O NII total caiu 3% na comparação trimestral e ficou abaixo das projeções das principais casas. A margem com clientes também recuou 3%, enquanto o spread caiu cerca de 40 pontos-base, para 10%, ante 10,4% no trimestre anterior.

O JPMorgan afirmou que a magnitude da compressão dos spreads foi difícil de explicar apenas pela estratégia de redução da exposição ao segmento de varejo de maior risco. O banco destacou que algumas linhas continuaram crescendo, como financiamento ao consumo e crédito para empresas, o que torna o comportamento da margem financeira o principal ponto de atenção para os próximos trimestres.

Na mesma linha, o Bradesco BBI observou que a contração da margem foi influenciada por um mix mais conservador da carteira, menor participação do segmento de massa e maiores despesas com comissões diferidas de correspondentes bancários. O banco alertou que a forte compressão dos spreads pode continuar pressionando as receitas do Santander no futuro.

### Receitas de tarifas e serviços também pressionam

As receitas com tarifas e serviços tampouco ajudaram. Elas caíram cerca de 2% na comparação trimestral, pressionadas principalmente pelos segmentos de seguros, operações de crédito e corretagem. Por outro lado, cartões e gestão de recursos apresentaram desempenho positivo.

### O que cresceu e o que encolheu na carteira de crédito

A carteira de crédito expandida avançou 1,3% frente ao primeiro trimestre e 5,8% na comparação anual. O destaque ficou para financiamento ao consumo, que cresceu 6% no trimestre e 15% em 12 meses. PMEs avançaram 12% na comparação anual, enquanto grandes empresas registraram alta próxima de 7%. Em contrapartida, empréstimos pessoais recuaram 8% no trimestre, refletindo a estratégia do Santander de reduzir exposição ao segmento de massa.

### O que dizem os analistas sobre SANB11

O Itaú BBA classificou o balanço como negativo. Para os analistas, receitas mais fracas encontraram provisões significativamente maiores, gerando um resultado aquém do esperado. O banco destacou que o mix da carteira está mais defensivo, com crescimento concentrado em financiamento de veículos, PMEs e grandes empresas, enquanto as linhas de varejo seguem encolhendo. Embora essa estratégia reduza riscos, ela também prejudica a rentabilidade e os spreads.

Entre as recomendações, o Goldman Sachs mantém recomendação de venda para SANB11, com preço-alvo de R$ 27. O Bradesco BBI tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 29, enquanto o Itaú BBA reiterou marketperform (equivalente a neutra), com preço-alvo de R$ 32. Já o JPMorgan segue com recomendação overweight (equivalente à compra) para as ações, embora tenha destacado que o resultado foi negativo principalmente por causa da fraqueza da margem financeira.

### Capital e estrutura: pontos positivos no balanço

Apesar da piora operacional, os índices de capital seguiram sólidos. O índice de Basileia ficou em 15,3%, enquanto o capital principal (CET1) permaneceu estável em 11,2%, segundo destacaram JPMorgan, Goldman Sachs e o próprio Santander.

As despesas operacionais permaneceram relativamente controladas. O banco continuou reduzindo sua estrutura física e seu quadro de funcionários, encerrando o trimestre com cerca de 47,3 mil empregados, queda de 12% em 12 meses. Ainda assim, o índice de eficiência piorou, refletindo o enfraquecimento das receitas.

## Perguntas Frequentes

### Qual foi o lucro do Santander Brasil no 2T26?

O lucro líquido gerencial foi de R$ 3,014 bilhões, queda de 20% ante o trimestre anterior e 18% na comparação anual.

### Quanto as ações SANB11 caíram após o resultado?

As ações caíram 7,37%, a R$ 25,63, sendo a segunda maior queda do Ibovespa na sessão.

### O que causou a queda do lucro do Santander?

O principal fator foi o aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD), que atingiram R$ 7,65 bilhões, alta de 21% no trimestre, além da compressão da margem financeira.

### Qual é a recomendação dos analistas para SANB11?

Goldman Sachs recomenda venda (preço-alvo R$ 27), Bradesco BBI e Itaú BBA têm neutra (R$ 29 e R$ 32), e JPMorgan tem overweight (compra).

### A inadimplência do Santander aumentou?

A inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 3,3%, mas analistas apontam que isso se deve à nova política de write-offs; sem ela, o indicador subiria para cerca de 3,6%.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/santander-brasil-menor-lucro-desde-2023-mas-mais-fez-acao-desabar-7-apos-2t/
