# Largar ação com perda: quando vender e cortar prejuízo

> Largar uma ação com perda exige critério técnico e fundamentalista. O stop loss define o ponto de saída para limitar prejuízo, enquanto a reavaliação da tese de investimento indica se o motivo original da compra ainda se sustenta. Casos como Squadra e Hapvida ilustram riscos de manter posições perdedoras por apego emocional.

*Mercado Valor · Investimentos · 14 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

Com o Ibovespa volátil e a renda fixa atrativa, saber quando largar mão de uma ação com perda vira decisão central. Especialistas apontam stop loss, reavaliação da tese e o caso Squadra e Hapvida como lição.

O Ibovespa voltou a subir nesta semana, apesar do recuo na sexta-feira (10), com o mercado precificando uma disputa eleitoral mais acirrada. A alta, porém, ainda está longe de compensar a perda de papéis mais surrados da Bolsa, e a renda fixa atrativa pressiona a decisão de quem está no prejuízo.

Não existe regra única. O investidor precisa definir o stop loss antes de comprar, reavaliar a tese quando os fundamentos piorarem e aceitar o erro. Renan Schroeder, head de varejo da Mirae Asset Brasil, cita como parâmetro a regra de 1 para 3: se o alvo de lucro é 15%, o limite de perda seria 5%.

O mercado tem exemplos que mostram o custo de não definir limites. A gestora Squadra Investimentos admitiu que o investimento em Hapvida (HAPV3) foi seu maior erro, prejudicando os resultados dos fundos desde o ano passado, quando os problemas da companhia ficaram mais visíveis. Schroeder lembra ainda a Casas Bahia (BHIA3), cujas ações chegaram a valer R$ 400 em 2020 e, nesta semana, eram negociadas a R$ 0,75, após a empresa anunciar pedido de recuperação judicial.

## O que muda na decisão de vender

Para Schroeder, a maioria dos investidores de ações no Brasil só pensa na venda quando o papel já cai e o prejuízo supera o esperado. "O investidor compra a ação apenas com uma expectativa de valorização e, quando o cenário muda, deixa de analisar a situação de forma 100% racional", diz. É aí que ele "casa com o papel", abdicando de outros investimentos. O executivo cita casos como Lojas Americanas, Gol, Magazine Luiza, Oi, Azul e Cogna.

Flavio Terni, cofundador do family office Revert, resume: o limite de perda não protege o dinheiro, protege o investidor dele mesmo. "Quando uma ação cai, a tendência natural é buscar argumentos para continuar no papel, porque vender significa admitir o erro", explica. Ele vê três caminhos: percentual sobre o preço de entrada (perdeu 15%, 20%, sai e reavalia); tese escrita antes da compra, com o que invalidaria a razão; e tamanho da posição. "O limite mais importante não é o ponto em que você sai, é quanto você colocou", afirma.

Gustavo Assis, CEO da gestora Asset, reforça que uma queda isolada não indica venda. O problema surge quando os fundamentos se deterioram: piora na geração de caixa, aumento do endividamento, redução de margens, mudança de governança ou perda de vantagem competitiva. Nesse caso, é preciso recalcular o valor justo e avaliar se ainda faz sentido permanecer.

Terni vê o caso da Squadra com Hapvida como processo funcionando, não falhando: a gestora escreveu aos cotistas assumindo o erro, detalhou onde falhou e redimensionou a posição. "Qualquer um que invista em ações por tempo suficiente vai errar em algum papel", diz.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/quando-hora-certa-largar-mao-uma-acao-perda/
