# Prefixados do Tesouro sobem pelo 2º dia com petróleo e Dark Horse

> Tesouro Prefixado 2032 registrou taxa de 14,29% nesta quinta-feira (10), segunda alta consecutiva dos títulos prefixados no Tesouro Direto. A valorização acompanha a crise institucional no STF, a operação da Polícia Federal no caso Dark Horse e a cotação do petróleo a US$ 105 por barril, fatores que pressionam a curva de juros futuros.

*Mercado Valor · Investimentos · 10 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Prefixados lideram a segunda alta consecutiva do Tesouro Direto nesta quinta (10), com o Prefixado 2032 a 14,29%. Crise no STF, operação da PF no caso Dark Horse e petróleo a US$ 105 por barril pressionam a curva.

As taxas do Tesouro Direto subiram pelo segundo pregão consecutivo nesta quinta-feira (10), e os prefixados lideraram o movimento. O Prefixado 2032 registrou a maior alta do dia, de 14,21% para 14,29%, avanço de 8 pontos-base. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,26% para 14,33%, e o Prefixado 2029, de 13,87% para 13,93%.

O que puxou a curva foi a combinação de três vetores: a escalada da crise no Supremo Tribunal Federal, uma nova operação da Polícia Federal sobre o caso Dark Horse e o petróleo de volta ao patamar de US$ 100 por barril, além de um índice de preços ao produtor acima do esperado nos Estados Unidos.

No acumulado de dois pregões, o Prefixado 2032 já sobe 25 pontos-base. Nos títulos de inflação, a alta também foi generalizada, com o IPCA+ 2040 à frente: de 7,30% para 7,37%, avanço de 7 pontos-base. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 foi de 7,50% para 7,55%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045, de 7,39% para 7,44%.

O movimento ocorre a despeito de dados domésticos que reforçam a expectativa de novo corte da Selic, sinal de que os fatores de risco pesaram mais do que a leitura de desaceleração da economia.

A operação da PF investiga suspeitas de desvios de emendas parlamentares que teriam sido destinadas ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Mário Frias (PL) é um dos alvos. O episódio engrossa as incertezas a menos de um mês do primeiro turno da eleição, após a crise no Supremo com o embate entre André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino sobre a permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo.

A Pesquisa Mensal de Serviços de julho veio mais fraca que o esperado, com estabilidade na margem. André Valério, economista sênior do Inter, aponta que o arrefecimento reflete a política monetária contracionista e deve persistir nos próximos meses. "Para a reunião de setembro outro corte de 25 pontos base é consenso, mas esperamos que o Copom siga cortando nas reuniões restantes do ano, com a Selic alcançando 13,25% em dezembro", diz.

No exterior, o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos subiu 5,4% em agosto na comparação anual, acima da expectativa de 5,3%. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficaram em 206 mil, também acima do projetado. O Banco Central Europeu elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 2,50% ao ano.

O petróleo segue como vetor relevante. O Brent voltou ao patamar de US$ 105 por barril com a tensão entre Estados Unidos e Irã e os ataques a navios. Gomes observa que o movimento tem dois lados para o Brasil: aumenta a pressão inflacionária global, mas favorece a Petrobras e as exportadoras de commodities, podendo gerar fluxo positivo. A Opep reduziu pela quinta vez consecutiva sua previsão para o crescimento da demanda mundial em 2026, agora em 380 mil barris por dia.

Os próximos eventos no radar são o índice de preços ao consumidor dos EUA e o IPCA, que serão divulgados na sexta-feira (11).

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/prefixados-tesouro-sobem-pelo-2-dia-petroleo-caso-dark-horse-radar/
