# Por que IPO da Shein não deu certo nos EUA e Inglaterra?

> A Shein realizou seu IPO em Hong Kong após tentativas frustradas nos Estados Unidos e na Inglaterra. Pressões políticas, alegações de trabalho forçado e obstáculos regulatórios impediram a listagem nesses mercados. A empresa optou pela bolsa de Hong Kong como alternativa viável para captação de recursos.

*Mercado Valor · Investimentos · 02 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

A Shein concluiu seu IPO em Hong Kong após anos de tentativas frustradas nos EUA e na Inglaterra. Pressões políticas, alegações de trabalho forçado e problemas regulatórios fecharam as portas. Entenda o que aconteceu.

A Shein, gigante de ultra fast fashion, concluiu sua abertura de capital na bolsa de Hong Kong em 1º de setembro, levantando HK$ 13,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão), com valor de mercado ligeiramente acima de US$ 26 bilhões. O desfecho, porém, veio após um longo processo em que a companhia tentou, sem sucesso, listar ações nos Estados Unidos e na Inglaterra. As tentativas esbarraram em pressões políticas, alegações de trabalho forçado e problemas regulatórios.

O primeiro revés ocorreu em 2024, quando a Shein tentou abrir capital nos EUA. A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) informou que não recomendaria o IPO devido a problemas na cadeia de suprimentos da empresa. Em maio do mesmo ano, uma reportagem da Associated Press revelou que um grupo bipartidário de duas dezenas de legisladores pediu à SEC que bloqueasse a listagem, exigindo verificação sobre possível uso de trabalho forçado da população uigur. Marco Rubio, então senador e atual secretário de Estado, estava entre os que pediram mais transparência sobre as operações.

A pressão também veio de uma coalizão anônima chamada "Shut Down Shein", lançada para aumentar o escrutínio em Washington. Com o cenário inviável, a Shein migrou para Londres. Em abril de 2024, submeteu um prospecto à FCA, que chegou a ser aprovado. Mas críticos alertaram que a listagem transformaria a cidade em um mercado de segunda linha. A Bloomberg noticiou alegações sobre o histórico ambiental, social e de governança da empresa. Uma investigação da União Europeia concluiu que a Shein violou leis de proteção ao consumidor, com descontos falsos e informações enganosas sobre sustentabilidade.

Com os mercados internacionais fechados, Hong Kong surgiu como alternativa. Analistas ouvidos pela CNBC apontaram que a abertura poderia render avaliação mais alta. O resultado, porém, ficou muito abaixo das estimativas anteriores, que chegaram a US$ 100 bilhões. Mesmo assim, a Shein se tornou uma das maiores empresas de vestuário listadas no mundo. O caso mostra como riscos reputacionais e políticos podem pesar mais que o apetite de mercado.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/por-ipo-shein-nao-deu-certo-eua-inglaterra/
