# Petrobras: BB Investimentos eleva ação para compra com petróleo mais caro

> Petrobras recebeu elevação de recomendação do BB Investimentos de neutro para compra. O banco justificou a mudança pela persistência do risco geopolítico e novo patamar elevado do petróleo. O relatório do analista Daniel Cobucci apontou tensões no Oriente Médio e riscos de oferta como fatores para a decisão.

*Mercado Valor · Investimentos · 22 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

O BB Investimentos elevou a recomendação da Petrobras de neutro para compra, citando a persistência do risco geopolítico e um novo patamar para o petróleo. O relatório, assinado pelo analista Daniel Cobucci, destaca tensões no Oriente Médio e riscos de oferta.

O BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Daniel Cobucci, elevou a recomendação da Petrobras (PETR4) de neutro para compra. A mudança reflete a persistência do risco geopolítico e a criação de um patamar mais elevado para os preços do petróleo.

Segundo os analistas do banco, o mercado de petróleo continua marcado por forte volatilidade e por sinais crescentes de que a relação entre oferta e demanda pode voltar a apresentar desequilíbrios relevantes. O principal fator por trás desse cenário é a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a comprometer a navegação no Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte global da commodity.

O BB-BI também destaca novos agravantes para o cenário de oferta. Entre eles, está o anúncio dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, de um bloqueio no Mar Vermelho direcionado à Arábia Saudita, elevando os riscos para o estreito de Bab el-Mandeb, corredor por onde passa cerca de 12% do comércio mundial.

Nesse contexto, o petróleo Brent voltou a subir e acumula valorização de 27% em relação à mínima de US$ 71,57 por barril registrada no início de julho, após o frágil acordo de paz firmado em meados de junho. Além disso, o indicador crack spread 3-2-1, que mede a rentabilidade das refinarias, avançou para níveis superiores aos observados em março, refletindo um aperto mais intenso no mercado de derivados do que no de petróleo bruto.

Outro fator de pressão sobre a oferta de combustíveis é a recente restrição imposta pela Rússia às exportações de diesel. Segundo o BB, a medida já tem levado importadores brasileiros a diversificar fornecedores, após um longo período de maior competitividade do produto russo.

Na avaliação da instituição, dois fatores têm impedido uma disparada ainda maior das cotações do petróleo desde a retomada das tensões geopolíticas: a utilização de reservas estratégicas por diversos países para suprir a demanda interna e a forte redução das importações chinesas, uma vez que o país passou a consumir seus estoques acumulados em vez de ampliar compras externas.

No entanto, o banco ressalta que essa dinâmica pode não ser sustentável. Apenas nos Estados Unidos, as reservas estratégicas de petróleo (SPR) foram reduzidas em cerca de 99 milhões de barris desde fevereiro, para 316,5 milhões de barris, o menor nível desde 1984. Para o BB Investimentos, caso os conflitos persistam, o mercado global poderá ficar praticamente sem margem de manobra para compensar choques de oferta, aumentando a probabilidade de um período prolongado de preços elevados para a commodity.

## Riscos para a tese de investimento da Petrobras

O BB Investimentos destacou três pontos de atenção que, na sua avaliação, exigem monitoramento e podem representar riscos para a tese de investimento da Petrobras.

### Deterioração do retorno sobre capital

O primeiro deles é uma eventual deterioração do retorno sobre o capital investido (ROIC) nos próximos períodos, caso a expansão dos investimentos (capex) não seja acompanhada por uma geração de caixa proporcional. Para o banco, essa relação é fundamental para garantir o equilíbrio de longo prazo da companhia em termos de rentabilidade e criação de valor.

### Mudanças na política de preços

O segundo risco envolve possíveis mudanças na política de preços dos combustíveis. Embora o modelo atualmente adotado pela estatal tenha contribuído para reduzir a transmissão da volatilidade dos preços internacionais do petróleo ao mercado doméstico, eventuais alterações futuras podem voltar a elevar as incertezas sobre a previsibilidade dos resultados da empresa.

### Impacto nos mercados globais

Por fim, o BB-BI ressalta que um cenário de preços mais elevados do petróleo também representa um fator de risco para os mercados globais de ações. Isso porque uma maior pressão inflacionária decorrente da alta da commodity pode levar bancos centrais a adotarem uma postura mais restritiva em relação aos juros, elevando o custo de capital das empresas e potencialmente desencadeando um movimento de reprecificação dos ativos, especialmente diante dos níveis ainda elevados de valuation observados no mercado norte-americano.

## Perguntas Frequentes

### O que levou o BB Investimentos a elevar a recomendação da Petrobras?

O banco citou a persistência do risco geopolítico e a criação de um patamar mais elevado para os preços do petróleo como fatores principais para a mudança de neutro para compra.

### Quem assina o relatório do BB sobre a Petrobras?

O relatório foi assinado pelo analista Daniel Cobucci.

### Qual é a cotação atual do petróleo Brent mencionada no relatório?

O petróleo Brent acumula valorização de 27% em relação à mínima de US$ 71,57 por barril registrada no início de julho.

### Quais são os principais riscos para a tese de investimento da Petrobras?

O BB destaca três riscos: deterioração do ROIC, mudanças na política de preços dos combustíveis e impacto inflacionário nos mercados globais.

### Como a Rússia afeta o mercado de combustíveis brasileiro?

A recente restrição imposta pela Rússia às exportações de diesel levou importadores brasileiros a diversificar fornecedores, segundo o BB.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/petrobras-bb-investimentos-aposta-petroleo-mais-caro-eleva-acoes-compra/
