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Fundos cortam PIB 2026 e zeram venda em ações

A leitura negativa sobre a economia brasileira atingiu 55% entre gestores de fundos multimercados macro, o maior patamar histórico da pesquisa feita pela XP com 20 gestoras entre 4 e 11 de setembro. No mesmo levantamento, a visão positiva subiu de 8% para 20%.

O pessimismo recorde veio acompanhado de ajustes concretos de carteira: corte na projeção de crescimento, recuo nas apostas direcionais em moeda e, pela primeira vez, zero posições vendidas em ações brasileiras. A parcela de fundos neutros em relação ao real saltou de 21% para 60%, o maior nível já registrado.

PIB 2026 e câmbio: o que mudou na pesquisa

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto de 2026 sofreu a maior revisão para baixo do histórico da pesquisa, passando de 2,0% para 1,8%. O número ficou abaixo da mediana de 1,93% capturada pelo boletim Focus.

No câmbio, a cautela virou regra. As posições vendidas no real caíram de 42% para 10%, enquanto as compradas recuaram de 38% para 30%. O movimento se repetiu no dólar: a posição comprada caiu de 46% para 20%, o menor patamar desde abril, as vendidas subiram de 21% para 35% e a neutralidade avançou de 33% para 45%.

Bolsa, juros e o contraste com o exterior

Na bolsa brasileira, o pessimismo macro não se traduziu em aposta contra o mercado local. O posicionamento comprado subiu de 63% para 70%, e a parcela vendida, que era de 17% em agosto, foi zerada.

Sobre política monetária, 95% dos consultados projetam corte da Selic de 14% para 13,75% na reunião do Copom, alinhados à mediana do Focus. Para o fim de 2026, as gestoras esperam Selic a 13,5%, abaixo dos 13,75% do mercado. A expectativa de IPCA para 2026 cedeu pela segunda vez seguida, de 5,01% para 4,97%.

O cenário externo destoa do doméstico. A visão positiva sobre o mercado internacional subiu de 33% para 40%, e a negativa caiu de 21% para 10%, o menor nível desde março. As posições compradas em ações dos EUA recuaram de 54% para 50%, e as compradas no restante do mundo avançaram de 17% para 25%. Para o Federal Reserve, que decide os juros na mesma data do Copom, 75% aguardam manutenção das taxas.

O documento assinado pela equipe de análise de fundos da XP, com Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini, lembra que estratégias multimercados têm horizonte mínimo de avaliação superior a 36 meses. Segundo os analistas, "mesmo diante de períodos de volatilidade no curto prazo, entendemos que os multimercados seguem como ferramenta relevante de diversificação e gestão ativa de risco na carteira dos investidores".

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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