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Ouro tem queda com pressão do dólar e trégua no Oriente Médio

ResumoO ouro registrou queda de 0,40% na segunda-feira (3), encerrando o dia pressionado pelo fortalecimento do dólar e pela alta dos juros dos Estados Unidos. O movimento ocorreu apesar do alívio no preço do petróleo, influenciado pela trégua no Oriente Médio. O metal precioso refletiu o cenário macroeconômico global, com investidores ajustando posições diante das expectativas de política monetária americana.

O ouro encerrou a segunda-feira (3) em queda de 0,40%, pressionado pelo dólar e pelos juros dos EUA, apesar do alívio no petróleo. Entenda o cenário.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 03 de agosto de 2026
Ouro tem queda com pressão do dólar e trégua no Oriente Médio

O ouro encerrou o pregão desta segunda-feira (3) em queda, ainda pressionado pela valorização recente do dólar e dos juros dos títulos dos Estados Unidos, os Treasuries, apesar do alívio nos preços do petróleo. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto encerrou em baixa de 0,40%, a US$ 4.075,90 por onça-troy. Já a prata para setembro subiu 0,12%, a US$ 57,856 por onça-troy.

O metal dourado continuou a perder força com os investidores atentos à política monetária dos Estados Unidos. Na semana passada, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com dissidência entre os membros do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Por que o ouro cai com o dólar forte?

A relação entre o ouro e o dólar é histórica e direta: quando a moeda americana se valoriza, o metal fica mais caro para investidores de outras moedas, o que reduz a demanda. Além disso, os juros dos Treasuries, que também subiram, aumentam o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga rendimentos.

Nesta segunda-feira (3), o dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0723, segundo o Banco Central. Na semana anterior, a moeda oscilou entre R$ 5,0773 (31/07) e R$ 5,1217 (29/07), conforme dados oficiais. Essa pressão cambial soma-se ao cenário de juros elevados nos EUA.

O Fed e a política monetária: o que esperar?

Hoje, o presidente da unidade do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que permanece otimista de que as pressões inflacionárias estão no caminho para diminuir gradualmente, mas se isso não acontecer, o Banco Central não hesitará em responder com aumentos nas taxas de juros para garantir que os preços retornem à meta.

"Minha previsão pessoal é que a inflação caia na segunda metade deste ano e caia ainda mais no próximo ano", afirmou Williams. Ele também reconheceu que há muita incerteza em torno das perspectivas no momento e que o conflito no Oriente Médio torna incerta quando os preços da energia podem diminuir.

Hoje, o mercado precifica 66,7% de chance de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, na próxima reunião do Fomc, em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.

Deutsche Bank: ouro pode ter encontrado o piso

"Uma análise de regressão dos preços do ouro indica que tanto a extensão da alta quanto a correção de baixa estão atenuadas neste episódio. O ouro pode ter atingido o piso de sua correção em torno de US$ 3.900 por onça, em vez de recuar até o patamar de US$ 3.700 sugerido pela regressão", aponta o Deutsche Bank.

O banco alemão ainda estima que o valor justo do ouro deverá se situar em torno de US$ 4.700 por onça até o final do ano, acima da projeção de US$ 4.600 por onça para o quarto trimestre de 2026. Isso sugere que, apesar da correção recente, o metal ainda tem espaço de alta no médio prazo, caso o cenário de juros e dólar se acomode.

Trégua no Oriente Médio e o petróleo

O alívio nos preços do petróleo, citado na fonte, ajudou a conter pressões inflacionárias adicionais, mas não foi suficiente para sustentar o ouro. A trégua no Oriente Médio reduz a aversão ao risco, o que tende a tirar força do metal como porto seguro. Williams, do Fed de Nova York, destacou que o conflito na região ainda torna incerta a trajetória dos preços de energia, o que mantém o banco central em alerta.

O que isso significa para o investidor?

Para quem acompanha o ciclo macroeconômico, o recado é de cautela. A combinação de dólar forte, juros elevados e incerteza geopolítica cria um ambiente de volatilidade para o ouro. O Deutsche Bank, no entanto, vê a correção atual como atenuada, com piso em torno de US$ 3.900 por onça, e projeta valor justo de US$ 4.700 até o fim do ano.

O ciclo sempre vira, mas o momento exige paciência e atenção aos próximos passos do Fed. Se a inflação não ceder, novos aumentos de juros podem pressionar ainda mais o metal. Por outro lado, se o conflito no Oriente Médio se acalmar e o dólar perder força, o ouro pode voltar a subir. investimento em ouro 2026

Perguntas Frequentes

O ouro caiu quanto nesta segunda-feira?

O ouro para agosto caiu 0,40%, fechando a US$ 4.075,90 por onça-troy na Comex.

Por que o ouro está caindo?

A queda é pressionada pela valorização do dólar e dos juros dos Treasuries, além da trégua no Oriente Médio, que reduz a demanda por ativos de proteção.

Qual a chance de alta de juros do Fed em setembro?

O mercado precifica 66,7% de chance de elevação de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

O que o Deutsche Bank projeta para o ouro?

O banco estima que o piso da correção pode ser US$ 3.900 por onça e que o valor justo do metal deve ficar em torno de US$ 4.700 até o final do ano.

Como o dólar influencia o ouro?

Um dólar mais forte torna o ouro mais caro para investidores de outras moedas, reduzindo a demanda. O dólar PTAX de venda fechou a R$ 5,0723 em 03/08/2026, segundo o Banco Central.

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