Ouro sobe com Treasuries e petróleo antes do Fed
O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta sessão, sustentado pelo recuo dos juros dos Treasuries e do petróleo, poucas horas antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York, o contrato de ouro para dezembro avançou 1,26%, cotado a US$ 4.387,50 por onça-troy. A prata acompanhou o movimento e subiu 1,66%, encerrando o dia a US$ 64,91 por onça-troy.
O que mudou foi a direção dos ativos que vinham pressionando o metal. Os Treasuries perderam força após as altas dos últimos dias, e o petróleo também recuou. Com isso, investidores voltaram a buscar proteção no ouro em um intervalo curto antes do comunicado do Fed.
O que o mercado espera do Fed
A precificação embutida já aponta alta de juros como cenário quase certo. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, há 95% de probabilidade de aumento das taxas nesta reunião.
Ainda assim, analistas avaliam que qualquer surpresa depois da decisão pode provocar movimentos relevantes nos preços dos metais. Para especialistas, os indicadores econômicos mais recentes seguem apontando para uma postura mais branda dos dirigentes do Fed. Por isso, mesmo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, muitos economistas não veem justificativa para um ciclo ainda mais agressivo de alta de juros.
A comunicação do Fed como fator principal
Segundo Bilal Matt, economista para Estados Unidos do UBS, o principal fator para o ouro agora é a comunicação do Fed. Na avaliação dele, uma decisão de alta de juros acompanhada de um tom mais duro do banco central americano, a chamada postura hawkish, pode reduzir o apelo do metal precioso. Do outro lado, sinais mais suaves sobre os próximos passos da política monetária tendem a favorecer o ouro nos mercados internacionais.
A leitura prática: o movimento desta sessão não veio de uma mudança no ciclo, mas do alívio momentâneo em dois ativos que competem com o ouro na alocação. Se o Fed confirmar a alta com discurso duro, esse alívio pode se desfazer rápido. Se o comunicado abrir espaço para pausa, o metal tende a manter o fôlego. Para quem acompanha macro, vale observar também decisão do Copom sobre a Selic e o efeito do diferencial de juros sobre o câmbio.