# Ouro recua com dólar forte e Treasuries após inflação dos EUA

> O ouro recuou 0,88% na quarta-feira (26), fechando a US$ 4.653,30, sob pressão do dólar forte e da alta dos rendimentos dos Treasuries. O movimento seguiu a divulgação do índice PCE dos Estados Unidos, que veio acima do esperado, reforçando expectativas de juros elevados. O metal precioso perdeu atratividade como proteção em cenário de moeda americana valorizada.

*Mercado Valor · Investimentos · 26 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

O ouro encerrou a quarta-feira (26) em queda de 0,88%, a US$ 4.653,30, pressionado pelo dólar forte e avanço dos Treasuries após PCE dos EUA acima do esperado. Entenda o cenário.

O ouro encerrou as negociações desta quarta-feira (26) em queda, pressionado pelo fortalecimento do dólar após dados de inflação nos Estados Unidos que reforçaram a perspectiva de juros elevados por mais tempo. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro para dezembro fechou em baixa de 0,88%, a US$ 4.653,30 por onça-troy. A prata para setembro também caiu, recuando 0,96%, a US$ 68,02 por onça-troy.

O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,2% em julho, segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA). No acumulado do ano, a inflação preferida do Federal Reserve apontou alta de 3,7%, acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano. Os economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6%, o que reforçou a leitura de uma postura mais restritiva do Fed. Com isso, os juros dos títulos do Tesouro dos EUA voltaram a operar em alta.

Para o economista-chefe internacional James Knightley, do ING, a inflação continua avançando lentamente em direção à meta, mantendo em jogo a possibilidade de uma alta de juros ainda este ano. Ele aponta que reembolsos relacionados a tarifas, crescimento fraco dos salários, desaceleração dos aluguéis residenciais e estabilidade nos mercados de energia devem empurrar a inflação para 2% nos próximos 12 meses. O ING projeta juros estáveis nos EUA até meados de 2027, com a taxa atual na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

A Capital Economics também espera um aumento de 25 pontos-base em dezembro, seguido por outro no início de 2027. Apesar disso, a consultoria avalia que o PCE acima do esperado não será suficiente para convencer o Fed a elevar as taxas já em setembro. Os investidores ainda aguardam o discurso de estreia de Kevin Warsh no Simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira (28).

No Brasil, o IPCA acumula alta de 0,072% em julho, segundo o IBGE, o que mostra um cenário inflacionário doméstico distinto do norte-americano. Para quem investe em ouro, o movimento reforça a importância de acompanhar os juros reais nos EUA, que tendem a pressionar o metal em momentos de dólar forte. Acompanhe os próximos passos do Fed e os dados de emprego para calibrar expectativas.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/ouro-recua-fortalecimento-dolar-avanco-treasuries-apos-inflacao-eua/
