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Oportunidades no radar: 5 ações para ficar de olho na temporada do 2T

ResumoA temporada de resultados do 2T26 do Itaú BBA destaca cinco ações com potencial de valorização. As empresas selecionadas apresentam fundamentos sólidos e perspectivas de crescimento no cenário econômico atual. Investidores devem monitorar os balanços para identificar oportunidades de entrada no mercado acionário brasileiro.

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 já começou, trazendo reações do mercado e projeções do Itaú BBA. Conheça as cinco ações que merecem atenção neste período.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 28 de julho de 2026
Oportunidades no radar: 5 ações para ficar de olho na temporada do 2T

Oportunidades no radar: 5 ações para ficar de olho na temporada do 2T, segundo o BBA

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) começou e já trouxe algumas reações importantes do mercado, como a disparada das ações da WEG (WEGE3) e perspectivas mais positivas após o balanço.

Para os estrategistas do Itaú BBA, a temporada deve confirmar um cenário de crescimento dos lucros das empresas brasileiras, embora com uma qualidade considerada mais desigual.

O banco avalia que os resultados devem refletir tendências operacionais resilientes, mas alerta que boa parte da expansão dos ganhos continua concentrada em empresas ligadas a commodities, enquanto o ambiente de juros elevados limita o potencial de aceleração das companhias domésticas.

Segundo as projeções do banco, as empresas do Ibovespa devem registrar crescimento de 11,9% na receita, 22,7% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e 18,4% no lucro líquido na comparação anual. Excluindo os setores de commodities, os números continuam positivos, mas mais modestos: alta de 9,4% na receita, 11,4% no Ebitda e 12,1% no lucro líquido.

Para os estrategistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, o principal desafio para o mercado é que parte relevante da melhora continua vindo do complexo de commodities, enquanto as revisões de lucro para empresas domésticas e financeiras seguem pressionadas. Para os estrategistas, as estimativas de lucro para 2026 avançaram 42,3% nos setores de commodities nos últimos 12 meses, enquanto ficaram negativas para financeiras e companhias voltadas à economia doméstica.

O cenário macroeconômico também se tornou menos favorável ao longo do trimestre. Embora o Banco Central tenha reduzido a Selic em 50 pontos-base, para 14,25%, as expectativas de inflação e juros futuros pioraram significativamente. O mercado passou a projetar Selic de 14% no fim de 2026, acima dos 12,5% esperados anteriormente, enquanto as projeções para o IPCA subiram para 4,92%.

Além disso, indicadores de atividade monitorados pelo banco apontam desaceleração da economia. O índice IDAT registrou queda de 1,7% em junho na série dessazonalizada, com destaque para a fraqueza do setor de serviços e das categorias mais dependentes de crédito, como veículos e materiais de construção.

Entre os destaques positivos da temporada, o Itaú BBA vê o setor de óleo e gás como o principal motor dos resultados corporativos. A expectativa é de crescimento de 55,3% do Ebitda e de 79,9% do lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado.

Os setores de utilities, transportes e logística e bancos também devem apresentar desempenho sólido. O banco projeta expansão de 7,5% do Ebitda para utilities, crescimento de 42% do lucro líquido para transportes e alta de 6,5% nos lucros dos bancos.

Na outra ponta, os maiores pontos de preocupação aparecem nos segmentos de mineração e siderurgia e de papel e celulose. O lucro líquido das empresas de mineração e aço deve recuar 17,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda do setor de papel e celulose é projetado para cair 23,4%.

O Itaú BBA também elencou cinco empresas que considera particularmente relevantes nesta temporada de balanços, sendo possíveis destaques positivos.

A Embraer (EMBJ3) aparece entre os principais destaques, com projeção de crescimento de 11,2% da receita e de 14% do Ebitda, além de lucro líquido de US$ 152 milhões, reforçando a confiança do banco nas projeções para 2026.

O banco também vê espaço para resultados fortes de BTG Pactual (BPAC11), sustentados por retorno sobre patrimônio (ROE) de 25,3% e expansão de 27% da carteira de crédito corporativo.

No varejo, os estrategistas destacam Smart Fit (SMFT3), impulsionada pelo crescimento do TotalPass, e RD Saúde (RADL3), que deve apresentar receita próxima de R$ 12,7 bilhões e desaceleração mais suave do que a esperada pelo mercado.

Já na siderurgia, o BBA vê a Gerdau (GGBR4) como o "highlight" da temporada, com os números mais fortes trimestralmente no Brasil e na América do Norte e com expansão de margem esperada para o 3T26 (alta de 11% do Ebitda trimestralmente, para R$ 3,28 bilhões).

Também vale destacar alguns nomes que são monitorados com a expectativa mais negativa, caso de Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e Aura Minerals (AURA33), que devem ser pressionadas por maiores custos e pior realização de preços. Também aparecem entre os desafios da temporada empresas como Natura (NATU3), Grupo Mateus (GMAT3) e Vivara (VIVA3).

Apesar de projetar crescimento médio anual dos lucros do Ibovespa próximo de 15% entre 2025 e 2028, o Itaú BBA afirma que a composição desse avanço ficou menos equilibrada. A redução do potencial de queda dos juros e a piora das expectativas para a Selic diminuem a capacidade de aceleração dos setores domésticos, tornando o mercado mais dependente do desempenho das commodities.

Na avaliação dos estrategistas, o segundo trimestre deverá confirmar um quadro ainda resiliente para as empresas brasileiras, mas o foco dos investidores tende a migrar rapidamente para as sinalizações sobre o segundo semestre e 2027, período em que os efeitos da desaceleração econômica e dos juros elevados poderão se tornar mais evidentes.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/mercados/oportunidades-no-radar-5-acoes-para-ficar-de-olho-na-temporada-do-2t-segundo-o-bba/

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