# Tarifaço dos EUA: impacto menor na bolsa, mas negociação é chave, diz Azimut

> A tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil, segundo Eduardo Carlier da Azimut, gera impacto menor na bolsa que o primeiro tarifaço. O governo brasileiro precisa negociar com cuidado para evitar escalada do conflito comercial. A análise destaca riscos controlados no curto prazo, mas exige atenção diplomática para proteger exportações.

*Mercado Valor · Investimentos · 23 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

A nova tarifa de 25% imposta pelos EUA ao Brasil entrou em vigor. Para Eduardo Carlier, da Azimut, o impacto na bolsa é menor que o primeiro tarifaço, mas o governo brasileiro precisa negociar com cuidado para evitar escalada. Entenda os números e os riscos.

Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na quarta-feira (22). Com isso, o Brasil tornou-se o segundo país com maior carga tarifária aplicada pelos EUA, atrás apenas da China. Segundo a Global Trade Alert, a taxa média efetiva sobre o Brasil é de 18,2%, enquanto a da China é de 27%. E o cenário ainda pode piorar: há a expectativa de uma nova rodada de 12,5% para dezenas de parceiros, incluindo o Brasil.

Para Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, o novo tarifaço deve ter um impacto mais limitado sobre a bolsa brasileira do que o primeiro, que entrou em vigor em agosto do ano passado. Na ocasião, uma tarifa adicional de 40% exclusiva para o Brasil foi anunciada em 30 de julho de 2025, e no dia seguinte o Ibovespa caiu 0,68%. Agora, o anúncio foi em 15 de janeiro, e o recuo foi de 1,24% no dia seguinte.

## Por que o impacto na bolsa é menor desta vez?

A principal diferença está no alcance das tarifas. No primeiro tarifaço, a taxa de 40% atingia quase todos os produtos que o Brasil exportava para os EUA. Desta vez, o número de itens tarifados é menor, o que reduz o peso sobre a economia e, consequentemente, sobre o mercado acionário. "As consequências para a bolsa, desta vez, são menores", afirmou Carlier, em entrevista ao Money Times.

### O que muda com a tarifa de 25%?

A tarifa atual é de 25%, mas incide sobre uma lista mais restrita de produtos. Isso significa que setores inteiros da pauta exportadora brasileira, como commodities agrícolas e minerais, podem não ser afetados diretamente. No entanto, o gestor alerta que "a notícia não é boa", e o ponto de atenção agora é como os governos vão encontrar um caminho para negociar de forma que seja mais positiva para o Brasil ao longo do tempo.

## O risco da retaliação e o papel da diplomacia

Para Carlier, a principal preocupação não está nas tarifas em si, mas na forma como o governo brasileiro conduzirá as negociações com os EUA daqui para frente. A expectativa do mercado é de que o Palácio do Planalto acione instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, como restrições às importações, suspensão de concessões, patentes ou remessas de royalties, além de tarifas adicionais sobre países-alvo de retaliação.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, já afirmou que a reciprocidade não é uma "vingança" e que será adotada quando for considerada adequada. "O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário", disse o ministro em entrevista à Bandeirantes FM na última quarta-feira.

### Por que retaliar pode ser arriscado?

Carlier avalia que a retaliação tarifária tende a ser pouco eficiente e pode dificultar um acordo entre os países. Ele cita o exemplo da China, que no ano passado adotou uma política de retaliação que levou o governo Trump a elevar as tarifas sobre produtos chineses para 100% em meados de outubro, intensificando as tensões comerciais. "Eu não acho que seja uma saída muito inteligente. A saída é da diplomacia e da negociação", avaliou. "Retaliar parece ter pouca eficiência."

## O que esperar da negociação Brasil-EUA?

O primeiro tarifaço, em certa medida, foi renegociado, segundo Carlier. Isso sugere que há espaço para acordo, mas o timing e a estratégia serão determinantes. O mercado acompanha de perto os movimentos do Itamaraty e do Ministério da Economia, que devem buscar um equilíbrio entre defender os interesses nacionais e evitar uma escalada que prejudique ainda mais as exportações brasileiras.

### Cenário de curto prazo

No curto prazo, a expectativa é de volatilidade na B3, mas com impacto menor do que o observado em agosto de 2025. A queda de 1,24% do Ibovespa no dia seguinte ao anúncio já reflete essa percepção. Contudo, se as negociações não avançarem, uma nova rodada de tarifas pode pressionar novamente o mercado.

## Perguntas Frequentes

### Qual é a tarifa atual dos EUA sobre produtos brasileiros?

A tarifa é de 25%, imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que entrou em vigor na quarta-feira (22).

### O Brasil é o país com a maior tarifa dos EUA?

Não. Segundo a Global Trade Alert, a taxa média efetiva sobre o Brasil é de 18,2%, atrás apenas da China, cuja tarifa média é de 27%.

### O que é a Lei da Reciprocidade?

É um instrumento que permite ao Brasil adotar medidas de restrição às importações, suspensão de concessões, patentes ou remessas de royalties, além de tarifas adicionais sobre países que imponham barreiras comerciais.

### A retaliação é a melhor saída?

Para Eduardo Carlier, da Azimut, não. Ele avalia que a retaliação tende a ser pouco eficiente e que a saída ideal é pela diplomacia e negociação.

### Qual foi o impacto na bolsa após o anúncio?

No dia seguinte ao anúncio do novo tarifaço, em 15 de janeiro, o Ibovespa registrou recuo de 1,24%.

### O que esperar das negociações?

A expectativa é de que o governo brasileiro busque um acordo via diplomacia, mas o mercado monitora possíveis retaliações que podem escalar as tensões, como ocorreu com a China.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/novo-8216tarifaco8217-eua-deve-ter-impacto-menor-bolsa-brasileira-mas-exige-nego/
