# BDRs no Ibovespa: o que muda e quando entra em vigor

> A B3 anunciou a inclusão de BDRs de empresas brasileiras no universo elegível do Ibovespa a partir do primeiro semestre de 2027. A mudança mantém teto de 10% por ativo e critérios de liquidez, sendo vista pela XP como avanço na modernização do índice.

*Mercado Valor · Investimentos · 10 de setembro de 2026 · Otávio Bandeira*

A B3 anunciou a inclusão de BDRs de empresas brasileiras no universo elegível do Ibovespa a partir do primeiro semestre de 2027. A XP vê avanço na modernização do índice, com teto de 10% e critérios de liquidez mantidos.

A B3 S.A. - Brasil, Bolsa, Balcão anunciou nesta semana que BDRs de empresas brasileiras passam a integrar o universo elegível do Ibovespa a partir do primeiro semestre de 2027. Na avaliação da XP Investimentos, a decisão representa mais um passo na modernização do principal índice da Bolsa brasileira.

A mudança permitirá que recibos de ações de companhias brasileiras negociadas no exterior disputem espaço na carteira teórica do Ibovespa. Hoje, o índice reúne 76 ativos de 74 empresas e serve de referência para fundos, ETFs e produtos de mercado.

## O que muda com a inclusão dos BDRs

Segundo a XP, a medida reflete transformações do mercado de capitais nos últimos anos. O crescimento da base de investidores, o maior acesso a instrumentos internacionais e a expansão do mercado de BDRs criaram condições para uma revisão metodológica do índice.

Os BDRs, sigla para Brazilian Depositary Receipts, são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras. Desde 2020, quando a regulamentação passou a permitir o acesso do público geral a esses ativos, o mercado cresceu de forma consistente em número de investidores e liquidez.

Diversas empresas brasileiras optaram por listar suas ações em mercados internacionais, especialmente nos Estados Unidos. Como consequência, algumas companhias relevantes para investidores locais ficaram fora do principal índice da Bolsa brasileira, apesar da crescente participação dos seus BDRs nas negociações domésticas. A mudança busca corrigir parte dessa distorção.

## Teto de 10% e critérios mantidos

A abertura para os novos ativos tem limite. De acordo com a B3, o peso agregado dos recibos de ações não poderá ultrapassar 10% da carteira do Ibovespa. A restrição busca garantir aderência às normas aplicáveis a fundos de investimento e entidades previdenciárias, preservando o uso do índice como benchmark para investidores institucionais.

A bolsa também ressaltou que a mudança não garante inclusão automática. Os BDRs continuarão sujeitos aos mesmos critérios de liquidez, negociabilidade e representatividade exigidos para os demais componentes do índice.

Em comunicado, a B3 afirmou que a revisão metodológica busca manter a relevância e a representatividade do índice, assegurando que ele continue acompanhando a evolução do mercado e as necessidades dos participantes da indústria financeira.

## Previsibilidade até 2027

A implementação apenas em 2027 foi vista como uma forma de oferecer previsibilidade ao mercado. Segundo a B3, o prazo permitirá que gestores de recursos, fundos de investimento e entidades previdenciárias promovam eventuais ajustes em regulamentos, políticas de investimento e documentos internos antes da mudança entrar em vigor.

A expectativa agora é pela divulgação dos detalhes operacionais da nova metodologia. A bolsa informou que os procedimentos completos de implementação e o cronograma detalhado serão apresentados nas próximas semanas.

Para a XP, a iniciativa reforça uma tendência de evolução do mercado brasileiro em direção a uma estrutura mais ampla e diversificada, aproximando o Ibovespa das transformações ocorridas no universo de investimentos dos últimos anos e ampliando as possibilidades de representação das empresas brasileiras no principal indicador da Bolsa.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/muda-bdrs-ibovespa-expectativa-por-maior-diversidade-novos-fluxos/
