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MRV (MRVE3): Santander corta preço-alvo para R$ 10,70 e mantém compra

ResumoMRV&Co (MRVE3) teve preço-alvo reduzido pelo Santander de R$ 12,80 para R$ 10,70. O banco manteve recomendação de compra (outperform), adotando cenário mais conservador devido a perdas na operação americana (Resia) e revisão de margens no Brasil. O novo alvo representa potencial de valorização sobre o preço atual.

O Santander cortou o preço-alvo das ações da MRV&Co (MRVE3) de R$ 12,80 para R$ 10,70, mas manteve a recomendação de compra (outperform). O banco adotou cenário mais conservador, citando perdas na operação americana (Resia) e revisão de margens no Brasil. Ainda assim, o novo alvo

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 22 de julho de 2026
MRV (MRVE3): Santander corta preço-alvo para R$ 10,70 e mantém compra

Santander corta preço-alvo da MRV (MRVE3): o que está por trás da decisão?

O Santander reduziu o preço-alvo das ações da MRV&Co (MRVE3) de R$ 12,80 para R$ 10,70, após adotar um cenário mais conservador para o conglomerado que reúne as marcas MRV, Resia, Urba e Luggo. Apesar do corte, o banco manteve a recomendação outperform (equivalente à compra), destacando que o papel ainda negocia a níveis "bastante descontados". O novo preço-alvo representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 133% sobre a cotação atual, de R$ 4,59.

Por que o Santander revisou o preço-alvo da MRV&Co?

Segundo o Santander, o principal motivo para a revisão foi a expectativa de novas perdas relacionadas à Resia, a marca da MRV&Co nos Estados Unidos. O ajuste também reflete os resultados do primeiro trimestre (1T26), a prévia operacional do segundo trimestre (2T26) e novas premissas macroeconômicas. O banco agora espera um prejuízo líquido de R$ 727 milhões para o grupo em 2026, contra uma estimativa anterior de R$ 562 milhões. Já para 2027, a expectativa é de lucro líquido de R$ 721 milhões, cerca de 29% abaixo do cálculo anterior.

Impacto na operação brasileira e margens da MRV Incorporação

Os analistas também reduziram a projeção de margem bruta da MRV Incorporação, marca voltada ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV), para 31,4% em 2026 e 32,8% em 2027, contra 32,2% e 33,9% respectivamente, refletindo uma recuperação mais lenta do que o esperado. Como consequência, a estimativa de lucro da divisão brasileira caiu para R$ 483 milhões este ano e R$ 823 milhões no próximo, cortes de 43% e 24% em relação às expectativas anteriores.

Resia: o principal fator de risco para a tese de investimento

De acordo com o Santander, a Resia continua sendo o principal fator de risco para a tese de investimento, embora a expectativa seja de que a companhia venda os ativos remanescentes da operação americana até o fim de 2026, permitindo que a subsidiária seja classificada como descontinuada. O banco destaca que dois projetos da marca, o Memorial e o Golden Glades, devem ser alienados ainda este ano, enquanto o restante do portfólio deve ser monetizado ao longo de 2027. Mesmo assim, a instituição elevou sua projeção de prejuízo da Resia para US$ 229,7 milhões em 2026, contra apenas US$ 11,7 milhões previstos anteriormente. O salto ocorreu porque o Santander mudou sua visão sobre quanto a subsidiária ainda perderá na venda dos seus imóveis.

Mercado imobiliário nos EUA e venda de ativos com desconto

De acordo com os analistas, o mercado imobiliário nos Estados Unidos continua pressionado pelos juros elevados, o que reduz o valor que esses empreendimentos conseguem alcançar. A mudança de visão também ocorreu após a venda dos empreendimentos Rayzor Ranch e Ten Oaks, em junho, por US$ 139 milhões (equivalente a R$ 716 milhões). Segundo o banco, esses dois ativos foram negociados com desconto de 26% em relação ao valor contábil, indicando que outros também podem precisar ser alienados com deságios semelhantes.

Desempenho no Brasil e reunião com a administração

Quanto à operação no Brasil, o Santander afirmou que abril e maio apresentaram bom desempenho de vendas, enquanto junho foi prejudicado pela Copa do Mundo e por critérios mais restritivos da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito imobiliário. No entanto, após realizar reunião com o diretor de Relações com Investidores da MRV, Augusto Andrade, os analistas do banco destacaram que a situação já foi normalizada e que a comercialização "voltou ao ritmo esperado". Ao Santander, a administração também afirmou que continua focada em ampliar sua equipe própria de vendas, acelerar a geração de caixa e simplificar sua estrutura.

Tese de investimento permanece interessante, apesar dos cortes

Mesmo revisando para baixo suas projeções, o Santander entende que a tese de investimento em MRV&Co permanece interessante. Na avaliação do banco, a operação brasileira está praticamente recuperada, enquanto os ativos que mais pressionavam os resultados, especialmente a Resia, devem perder relevância à medida que forem vendidos. Além disso, os analistas ressaltam que a ação MRVE3 negocia a apenas 3,5 vezes o múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, um patamar considerado atrativo. "A trajetória da MRV&Co está agora mais clara, visto que seu negócio principal está quase totalmente recuperado, enquanto a Luggo e a Resia, que pressionavam e distorciam os resultados, agora têm relevância muito menor."

Perguntas Frequentes

Qual é o novo preço-alvo do Santander para a MRV (MRVE3)?

O Santander reduziu o preço-alvo de R$ 12,80 para R$ 10,70, mantendo recomendação de compra (outperform).

Por que o Santander cortou o preço-alvo da MRV&Co?

O corte reflete expectativa de novas perdas na Resia (operação nos EUA), resultados do 1T26 e novas premissas macroeconômicas.

Qual é o potencial de valorização (upside) da ação MRVE3?

O novo preço-alvo de R$ 10,70 representa upside de aproximadamente 133% sobre a cotação atual de R$ 4,59.

O que é a Resia e por que ela impacta os resultados da MRV?

A Resia é a marca da MRV&Co nos Estados Unidos. O Santander projeta prejuízo de US$ 229,7 milhões em 2026, elevando o risco da tese de investimento.

Como está o desempenho da MRV no Brasil?

Abril e maio tiveram bom desempenho de vendas; junho foi prejudicado pela Copa do Mundo e restrições da Caixa. A situação já foi normalizada, segundo a administração.

Qual é a projeção de lucro da MRV para 2026 e 2027?

O Santander espera prejuízo líquido de R$ 727 milhões em 2026 e lucro de R$ 721 milhões em 2027, 29% abaixo da estimativa anterior.

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