# Ibovespa acima de 200 mil pontos: 46% dos gestores projetam, diz BofA

> Pesquisa do Bank of America mostra que 46% dos gestores projetam o Ibovespa acima de 200 mil pontos, enquanto 73% esperam o índice em 180 mil pontos ou mais até dezembro. O levantamento indica otimismo elevado com a bolsa brasileira, mas eleições e juros nos Estados Unidos ainda limitam posições maiores.

*Mercado Valor · Investimentos · 15 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

Levantamento do Bank of America aponta salto no otimismo com o Ibovespa: 73% dos gestores esperam o índice em 180 mil pontos ou mais até dezembro. Eleições e juros nos EUA ainda seguram posições maiores.

O sentimento dos gestores de fundos em relação ao mercado brasileiro melhorou de forma significativa em setembro, segundo pesquisa do Bank of America (BofA). Quase metade dos participantes, 46%, já projeta o Ibovespa acima dos 200 mil pontos até o final de 2026.

A maioria dos entrevistados, 73%, espera o Ibovespa em 180 mil pontos ou mais até dezembro. Na pesquisa anterior, esse percentual era de 34%.

## O que sustenta o otimismo com o Ibovespa

As expectativas para a política monetária ajudam a explicar a melhora. Segundo o levantamento do BofA, 83% dos participantes esperam pelo menos mais um corte da Selic neste ano, o que levaria o juro básico para 13,75% ao ano. Mais da metade acredita que o Banco Central promoverá dois ou mais cortes adicionais.

Para os gestores, inflação, cenário fiscal e ambiente político serão os principais fatores capazes de determinar a intensidade do ciclo de afrouxamento monetário. É esse tripé que define, na prática, o espaço para a queda dos juros e, por consequência, o prêmio exigido para carregar ação em carteira.

O apetite por risco na América Latina também subiu. Dois terços dos gestores pretendem ampliar a alocação em ações nos próximos seis meses, o maior percentual desde junho de 2025.

## Eleições e juros nos EUA seguram posições maiores

A proximidade das eleições mantém os investidores cautelosos, segundo o BofA. Apenas 30% afirmaram que aumentariam a exposição a ações nos níveis atuais antes da definição do cenário eleitoral. A maior parte prefere aguardar uma correção dos preços ou esperar maior clareza política antes de elevar as posições.

Os níveis de caixa permaneceram estáveis em 6%, ainda acima da média histórica de 5,5%. É um sinal de que parte dos investidores segue mantendo postura defensiva, mesmo com a melhora das projeções.

No cenário internacional, o principal risco apontado pelos entrevistados para os mercados latino-americanos continua sendo a manutenção de taxas de juros elevadas nos Estados Unidos.

## Onde os gestores enxergam valor na Bolsa

Entre os setores da Bolsa brasileira, os gestores seguem demonstrando maior confiança em financeiras e empresas de serviços públicos (utilities), que permanecem como as principais apostas da pesquisa.

Na outra ponta, consumo discricionário e bens de consumo básico continuam entre os menos atrativos, refletindo preocupações com o ritmo da atividade econômica e os impactos dos juros sobre o consumo.

O levantamento aponta ainda preferência pelo mercado brasileiro em relação ao mexicano, reforçando a visão positiva para os ativos locais. Para quem monta posição pensando no ciclo de queda de juros, a leitura é direta: o mercado já precifica parte do movimento, mas ainda não se posicionou por completo antes do pleito.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/mercado-virou-chave-quase-metade-gestores-projeta-ibovespa-acima-200-mil-pontos-/
