# Mercado se anima com eleições e ativos disparam

> O mercado financeiro brasileiro registrou forte alta nos ativos com a aproximação das eleições entre Lula e Flávio Bolsonaro. O Ibovespa avançou, o dólar cedeu e os juros futuros caíram, refletindo a troca de cautela por otimismo. Gestoras elevaram a exposição ao Brasil, impulsionadas pela perspectiva de redução de incertezas políticas e maior previsibilidade econômica.

*Mercado Valor · Investimentos · 08 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

O mercado troca cautela por otimismo com a disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ibovespa avança, dólar cede e juros caem, enquanto gestoras aumentam exposição ao Brasil.

O mercado começou o mês passado à espera da volatilidade típica de eleições, mas a cautela rapidamente deu lugar ao otimismo. Pesquisas de intenção de voto mostram disputa acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, e os ativos brasileiros reagem em alta. Nesta terça-feira (8), a Quaest apontou empate no segundo turno, e a BTG/Nexus trouxe o primeiro efeito da crise no Supremo Tribunal Federal, com Flávio numericamente à frente de Lula.

O Ibovespa avança aos 189 mil pontos, o dólar cede a R$ 5,08 e as taxas do Tesouro Direto operam em queda. O movimento ocorre mesmo com o exterior adverso: rendimentos do Tesouro americano em alta e petróleo Brent subindo rumo a US$ 100. Para a Quantitas Asset Management, o imbróglio no STF envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, além do caso Lulinha, beneficiam a candidatura de Flávio. A gestora avalia que é razoável atribuir a ele pelo menos 50% de chance de vitória, com viés de alta.

A Legacy Capital afirma que fatores domésticos justificam alguma exposição ao país no portfólio. Gestoras como Ibiuna e Verde preferem opções de EWZ, mais baratas de operar do que compra direta de ações. Se a aposta em um governo de direita se confirmar, o ganho seria alto; em caso de reeleição de Lula, a perda seria limitada.

A RPS Capital entrou em setembro aumentando exposição a ativos locais via opções, ações defensivas e setores cíclicos, como incorporadoras de baixa renda. A casa avalia que pequenas mudanças na percepção sobre crescimento, juros e política podem gerar fluxos significativos. Na semana passada, o fluxo estrangeiro para a Bolsa voltou a ser positivo, com R$ 2,8 bilhões em compras líquidas, e o total do ano superou R$ 20 bilhões. Fundos de ações tiveram resgates de R$ 100 milhões, enquanto multimercados receberam R$ 300 milhões.

A expectativa de inflação mais baixa, com deflação na prévia de agosto, reforça a aposta em queda da Selic. O Bank of America elevou a recomendação para ações brasileiras de neutro para overweight, citando possível recuo da taxa para até 11,25% em 2027. O estrategista David Beker lembra que o Ibovespa, excluindo commodities, negocia com desconto de 10% sobre a média histórica.

No câmbio, o JPMorgan aponta a dinâmica fiscal como principal preocupação. O banco considera estruturas alavancadas em opções mais atrativas e adiciona uma ratio put spread 1x2 em dólar/real, com strikes em R$ 5 e R$ 4,80. A operação compra uma opção de venda de R$ 5 e vende duas de R$ 4,80, apostando em valorização moderada do real. No mercado de juros, o banco vê preços precisos, sem distorções a explorar.

O trade eleitoral está claro. O ciclo sempre vira, e quem se posiciona agora pode colher frutos, mas é preciso atenção aos riscos fiscais e externos.

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