# B3 lança índices que seguem Tesouro IPCA+ em meio a juros recordes

> A B3 lançou uma família de índices que replicam a rentabilidade do Tesouro IPCA+ em meio a juros reais recordes no Brasil. Os novos benchmarks visam aumentar a transparência no mercado de renda fixa indexada à inflação, oferecendo referências para investidores acompanharem o desempenho desses títulos públicos.

*Mercado Valor · Investimentos · 16 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

A B3 lançou uma família de índices que replicam a rentabilidade do Tesouro IPCA+, em um momento de juros reais recordes no Brasil. Os novos benchmarks prometem dar mais transparência ao mercado de renda fixa indexada à inflação.

A B3 lançou índices que seguem o Tesouro IPCA+, ampliando as referências para o mercado de renda fixa indexada à inflação. O movimento ocorre em um cenário de juros reais recordes, com a taxa Selic em patamares elevados e o IPCA mostrando desaceleração. Segundo o Banco Central, a inflação mensal medida pelo IPCA foi de 0,16% em junho de 2026, após variação de 0,58% em maio e 0,67% em abril.

A família de índices IMA (Índice de Mercado ANBIMA) já conta com sub-índices que acompanham títulos públicos prefixados e indexados à Selic. Agora, a B3 adiciona benchmarks específicos para o Tesouro IPCA+, que paga a variação da inflação mais uma taxa real prefixada. Esses novos índices permitem que fundos de investimento e ETFs tenham uma referência precisa para a parcela atrelada à inflação em suas carteiras.

## O que são os novos índices da B3 para o Tesouro IPCA+

Os novos benchmarks da B3 replicam a rentabilidade de cestas de títulos do Tesouro IPCA+ com diferentes durações (curto, médio e longo prazo). Cada índice pondera os papéis conforme o valor de mercado em circulação, ajustando a composição mensalmente. A metodologia segue os padrões internacionais de índices de renda fixa, com regras claras de rebalanceamento e exclusão de papéis com baixa liquidez.

Para o investidor pessoa física, o principal efeito é a possibilidade de fundos e ETFs passivos que acompanhem exatamente a performance do Tesouro IPCA+. Antes, muitos fundos usavam o IMA-B (que segue NTN-Bs, títulos do Tesouro Nacional) como referência, mas com diferenças de indexação e duration. Agora, a B3 cria um benchmark mais aderente ao produto real vendido no Tesouro Direto.

## Inflação em queda: cenário para os novos índices

O lançamento ocorre em um momento de desaceleração da inflação. Dados do IBGE mostram que o IPCA acumulado no semestre ficou em 3,31%, com variações mensais de 0,33% em janeiro, 0,70% em fevereiro, 0,88% em março, 0,67% em abril, 0,58% em maio e 0,16% em junho. A trajetória de queda abre espaço para que o Tesouro IPCA+ mantenha atratividade real, especialmente se os juros nominais começarem a cair.

No entanto, a taxa real oferecida pelo Tesouro IPCA+ ainda está em níveis historicamente elevados, acima de 6% ao ano para prazos longos. Isso significa que, mesmo com inflação controlada, o investidor garante um ganho real expressivo. Os novos índices da B3 permitem medir exatamente essa rentabilidade ao longo do tempo, sem ruídos de marcação a mercado de outros ativos.

## Como os índices impactam fundos e ETFs

Fundos multimercado e de renda fixa que investem em Tesouro IPCA+ agora podem usar benchmarks mais precisos para avaliar sua performance. Antes, a referência era o próprio título ou índices genéricos de inflação. Com os novos índices da B3, a comparação fica mais justa, pois considera a duration específica da carteira.

Para quem opera ETFs, a novidade abre caminho para o lançamento de fundos passivos que repliquem exatamente a curva do Tesouro IPCA+. Isso reduz custos de gestão e aumenta a transparência para o investidor final. ETFs de renda fixa no Brasil A B3 já possui uma linha de ETFs de renda fixa, e a expectativa é que novos produtos surjam atrelados a esses benchmarks.

## Juros recordes e o apelo do Tesouro IPCA+

O cenário de juros reais elevados torna o Tesouro IPCA+ um dos ativos mais procurados por investidores que buscam proteção contra a inflação sem abrir mão de rentabilidade real. A B3, ao lançar índices específicos, atende a uma demanda do mercado por maior granularidade na precificação e comparação desses papéis.

Além disso, a medida pode atrair investidores estrangeiros, que muitas vezes usam índices como referência para alocar recursos em renda fixa brasileira. Com benchmarks claros e auditáveis, a B3 se alinha a práticas de mercados desenvolvidos, como os índices de TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities) nos Estados Unidos.

## Perguntas Frequentes

### Os novos índices da B3 substituem o IMA-B?

Não. Os índices do Tesouro IPCA+ são complementares ao IMA-B, que segue as NTN-Bs emitidas pelo Tesouro Nacional. A diferença está na composição e na metodologia de ponderação.

### Qual a vantagem para o investidor pessoa física?

Fundos e ETFs que usarem esses índices terão performance mais alinhada ao Tesouro IPCA+, facilitando a comparação e a tomada de decisão.

### Os índices consideram todos os vencimentos do Tesouro IPCA+?

Sim, mas divididos por faixas de duration (curto, médio e longo prazo), permitindo que cada fundo escolha o benchmark mais adequado à sua estratégia.

### Quando os índices começam a ser calculados?

A B3 já iniciou o cálculo e a divulgação dos índices, que estão disponíveis para licenciamento por gestoras e plataformas de investimento.

### A inflação atual favorece o Tesouro IPCA+?

Com o IPCA em desaceleração, o Tesouro IPCA+ mantém atratividade pela taxa real elevada, mesmo com inflação corrente mais baixa. Tesouro IPCA+ vale a pena em 2026

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/meio-juros-recordes-b3-lanca-indices-seguem-tesouro-ipca/
