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Liberland: o paraíso dos bilionários cripto onde até o voto pode ser comprado

ResumoLiberland é uma micronação autoproclamada entre Sérvia e Croácia, administrada por blockchain, onde contribuições financeiras são recompensadas com tokens Merits que concedem poder de voto. O presidente Vít Jedlička afirma que detentores de mais Merits influenciam diretamente a liderança. O sistema permite que cidadãos comprem influência política, transformando a governança em um mercado de tokens.

Liberland é uma micronação autoproclamada entre Sérvia e Croácia, administrada por blockchain, onde contribuições financeiras são recompensadas com tokens que dão poder de voto. O presidente Vít Jedlička afirma que quem tem mais Merits influencia mais a liderança. Com 1.295 cidad

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 27 de julho de 2026
Liberland: o paraíso dos bilionários cripto onde até o voto pode ser comprado

Liberland: o paraíso dos bilionários cripto onde até o voto pode ser comprado

Liberland é o paraíso prometido dos bilionários cripto. Localizada entre Sérvia e Croácia, a micronação pretende se tornar um país libertário e digital administrado por blockchain - mesma tecnologia que sustenta as criptomoedas. A ideia central é que o governo pode ser substituído. As práticas, porém, extrapolam a tese e possuem uma lógica incomum no Brasil e em muitos outros países, onde comprar votos ou obter vantagens políticas por meio de pagamentos é crime.

Na micronação de Liberland, quem doa mais influencia mais. Na prática, as contribuições financeiras para transformar o projeto no refúgio ideal são recompensadas com um token chamado Liberland Merit. Segundo o presidente da micronação, Vít Jedlička, "quem têm mais Merits consegue ter mais influência sobre quem fará parte da liderança". O modelo lembra o voto censitário adotado em parte do Ocidente entre os séculos XVIII e XIX, quando renda e patrimônio determinavam o peso político dos cidadãos. Na micronação, a riqueza é medida pela quantidade de tokens acumulados.

Como funciona o sistema de votos em Liberland

Liberland já acumula mais de uma década de existência, ao menos no papel. Segundo dados do site de Liberland, a micronação tem 1.295 cidadãos registrados e 812.284 solicitações de cidadania. O território de apenas 7 quilômetros quadrados parece ter sido escolhido a dedo pelos idealizadores da micronação. Ele se situa em uma área da disputada fronteira entre Sérvia e Croácia que não é reivindicada por Belgrado e é considerada sérvio por Zagreb.

Na prática, porém, trata-se apenas de uma estreita faixa alagadiça às margens do rio Danúbio, marcada por árvores, barracas e algumas construções improvisadas. A paisagem contrasta com o futuro imaginado pelos idealizadores. Uma versão digital de Liberland, assinada pelo escritório ZHA, da arquiteta Zaha Hadid, exibe arranha-céus reluzentes, parques flutuantes e estruturas futuristas.

Acesso restrito e falta de reconhecimento internacional

O acesso é feito por barco. Isso porque a Croácia restringe a chegada ao território e a Sérvia não mantém nenhuma infraestrutura próxima que viabilize o acesso por terra. Além disso, nenhum país reconhece a existência de Liberland. O máximo que a micronação autoproclamada em 2015 dispõe é de diálogo ou laços informais com outros territórios autônomos, como a Somalilândia.

As polêmicas além do voto comprável

As polêmicas em torno de Liberland vão muito além da ausência de reconhecimento externo e da possibilidade de comprar influência no governo. O ministro do Interior, Ivan Pernar, ex-deputado croata expulso do Parlamento por espalhar teorias da conspiração, defende a aplicação de um rigoroso "filtro" para a concessão de cidadania. De acordo com ele, pessoas favoráveis às finanças descentralizadas costumam vir das classes mais altas.

Em uma entrevista recente à BBC, Pernar não parou por aí. Ele declarou que, se houvesse "um monte de vagabundos no país sem nada", outras pessoas teriam de contribuir para seus benefícios. Em seguida, afirmou: "Não alimente os animais, porque, se fizer isso, eles se acostumarão e perderão a capacidade de se alimentar sozinhos. O mesmo acontece com as pessoas". O ministro disse ainda que, sem qualquer seleção das pessoas que chegassem de barco, o lugar acabaria como o Reino Unido, o que, segundo ele, "não é desejável".

Os bilionários por trás do projeto

Os organizadores acreditam que esse projeto poderá sair das telas graças ao apoio de cerca de 30 bilionários. Entre eles está Justin Sun, fundador da blockchain Tron, cuja fortuna é estimada em US$ 8,5 bilhões pela Forbes. Sun ocupa o cargo de primeiro-ministro da micronação e se tornou um dos principais patrocinadores da iniciativa, que também funciona para ele como um laboratório. O empresário já declarou acreditar que o conceito tradicional de Estado-nação pode se tornar obsoleto e ser substituído por sistemas baseados em blockchain, exatamente como propõe Liberland.

Liberland não é caso isolado

A micronação, porém, não é um caso isolado. Projetos como Prospera, em Honduras, iniciativas ligadas ao Seasteading Institute, apoiado por Peter Thiel, e a chamada Draper Nation, idealizada pelo investidor Tim Draper, compartilham a mesma visão: criar comunidades digitais ou semiautônomas com regras próprias e forte dependência da tecnologia blockchain.

Perguntas Frequentes

O que é Liberland?

Liberland é uma micronação autoproclamada em 2015, localizada entre Sérvia e Croácia, que pretende ser um país libertário e digital administrado por blockchain.

Como funciona o sistema de votos em Liberland?

As contribuições financeiras são recompensadas com tokens Liberland Merit. Quem tem mais Merits tem mais influência sobre quem fará parte da liderança, segundo o presidente Vít Jedlička.

Quantos cidadãos Liberland tem?

Segundo o site oficial, a micronação tem 1.295 cidadãos registrados e 812.284 solicitações de cidadania.

Quem é Justin Sun em Liberland?

Justin Sun, fundador da blockchain Tron, é o primeiro-ministro da micronação e um dos principais patrocinadores, com fortuna estimada em US$ 8,5 bilhões pela Forbes.

Liberland é reconhecido por algum país?

Não. Nenhum país reconhece a existência de Liberland. Ela mantém diálogo informal com territórios como a Somalilândia.

O que é o voto censitário em Liberland?

O modelo lembra o voto censitário dos séculos XVIII e XIX, onde riqueza (medida em tokens) determina o peso político dos cidadãos.

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