# Juros futuros sobem com Treasuries: impacto nos seus investimentos

> A curva de juros futuros brasileira registrou alta em todos os vencimentos, com a DI para janeiro de 2027 subindo 2 pontos-base (13,935%) e a de 2029 avançando 5 pontos-base (14,410%). O movimento acompanhou a abertura dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), refletindo tensões no Oriente Médio que pressionam os mercados globais.

*Mercado Valor · Investimentos · 21 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

A curva de juros futuros fechou em leve alta em todos os vencimentos, acompanhando a abertura dos títulos do Tesouro dos EUA. A DI para janeiro de 2027 subiu 2 pontos-base, para 13,935%, enquanto a de 2029 avançou 5 pontos-base, a 14,410%. O movimento reflete as tensões no Orient

## Juros futuros sobem com Treasuries: impacto nos seus investimentos

A curva de juros futuros acompanhou a abertura dos títulos do Tesouro dos EUA e fechou em leve alta em todos os vencimentos. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 2 pontos-base e fechou a 13,935%, ante 13,915% do fechamento anterior. A DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 14,410% ante 14,355% do fechamento anterior, avanço de 5 pontos-base. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, avançou 4 pontos-base e terminou o dia a 14,635% ante 14,595% do fechamento da última segunda-feira (20).

## Por que os juros futuros subiram?

O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, subiu com a escalada de tensões geopolíticas. Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos - mais sensível à política monetária - operava a 4,261% ante 4,215% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, subia para 4,626%, de 4,598% ontem.

## Tensões no Oriente Médio pressionam mercados

O avanço na curva de juros acompanhou o recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio. A guerra, que entrou no décimo dia consecutivo de ataques diretos entre Estados Unidos e Irã, segue nos holofotes com relatos de que Teerã recebeu uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de dez dias. Além disso, o grupo extremista Houthis, aliado do Irã, ameaçou interromper o fluxo no Estreito de Bab-el-Mandeb, um dia após anunciar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ampliando o conflito e aumentando a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio para além do Golfo Pérsico.

## Petróleo Brent dispara com risco geopolítico

Com as tensões elevadas, o barril do Brent para setembro subiu mais de 2% e fechou cotado a US$ 91,01 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior fechamento desde 10 de junho. O avanço do petróleo pressiona ainda mais as expectativas de inflação, o que pode influenciar a política monetária tanto nos EUA quanto no Brasil.

## Liquidez baixa e agenda esvaziada ampliam volatilidade

Profissional ouvido pela Reuters também chamou a atenção para os "volumes baixíssimos" negociados na sessão, em um período de férias de meio de ano que costuma afetar as mesas de operação. A agenda de indicadores econômicos esvaziada no Brasil e nos EUA também contribuiu para a liquidez menor. Em cenários de baixa liquidez, movimentos de preço tendem a ser amplificados, o que pode ter contribuído para a alta das taxas.

## O que esperar da Selic? Mercado aposta em corte em agosto

O mercado, por sua vez, seguiu mostrando os investidores posicionados para um corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, mas divididos sobre o encontro de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Na atualização mais recente, a precificação das Opções do Copom negociadas na B3 apontavam 78% de chance de redução de 25 pontos-base na Selic em agosto, contra 18,98% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25% ao ano.

## Como as altas dos juros futuros afetam seus investimentos?

A alta dos juros futuros impacta diretamente os rendimentos de títulos de renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs. Com taxas DI mais altas, novos investimentos em papéis pós-fixados tendem a render mais. Por outro lado, títulos prefixados já emitidos podem perder valor de mercado temporariamente. Para quem tem dívidas atreladas a juros, como financiamentos, o cenário de juros elevados mantém o custo do crédito pressionado.

## Perspectivas para os próximos meses

O mercado segue atento às negociações de cessar-fogo no Oriente Médio e aos próximos passos do Fed e do Copom. Se as tensões geopolíticas se reduzirem, os Treasuries podem recuar, aliviando a pressão sobre os juros futuros brasileiros. Caso contrário, o petróleo pode continuar subindo, o que dificultaria a trajetória de queda da Selic. O cenário ainda é incerto, mas o mercado já precifica com alta probabilidade um primeiro corte em agosto.

## Perguntas Frequentes sobre Juros Futuros e Tesouro Americano

### O que são juros futuros?

Juros futuros são taxas negociadas no mercado para contratos que vencem em datas futuras, como o DI. Eles refletem as expectativas do mercado para a taxa de juros básica (Selic) e outros fatores como risco e inflação.

### Como os Treasuries afetam os juros futuros brasileiros?

Os Treasuries são referência global. Quando os rendimentos dos títulos americanos sobem, investidores estrangeiros podem migrar capital para os EUA, pressionando as taxas brasileiras para cima para manter a atratividade.

### O que significa a alta da DI para o investidor?

Para quem investe em renda fixa pós-fixada, a alta da DI é positiva, pois os rendimentos acompanham a taxa. Para títulos prefixados, o valor de mercado pode cair temporariamente.

### Qual a chance de corte da Selic em agosto?

Segundo a precificação das Opções do Copom na B3, há 78% de chance de redução de 25 pontos-base na Selic em agosto, com 18,98% de probabilidade de manutenção em 14,25% ao ano.

### O que é o Estreito de Bab-el-Mandeb?

É uma passagem estratégica para o comércio global, localizada entre o Iêmen e o Chifre da África. A ameaça de bloqueio pelo grupo Houthis pode interromper o fluxo de petróleo e mercadorias, elevando preços e pressões inflacionárias.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/juros-futuros-tem-timida-alta-esteira-titulos-eua/
