# Investir no básico: chave para sobreviver à tempestade financeira, Janus Henderson

> Em meio à volatilidade dos mercados, a Janus Henderson recomenda investir no 'básico' como estratégia para sobreviver à tempestade financeira. Entenda o racional, os setores favorecidos e como aplicar essa tese no Brasil.

*Mercado Valor · Investimentos · 02 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

A gestora global Janus Henderson aponta que investir no 'básico' pode ser a chave para sobreviver à tempestade financeira que se avizinha. A tese é simples: em momentos de incerteza econômica, ativos ligados a necessidades fundamentais, como energia, alimentos, saneamento e saúde, tendem a sofrer menos volatilidade. Para o investidor brasileiro, a pergunta é: como traduzir essa recomendação em alocações reais?

A resposta direta: investir no 'básico' significa priorizar setores essenciais e resilientes, como utilities, alimentos, saúde e energia, que mantêm demanda mesmo em crises. A Janus Henderson defende essa alocação defensiva para reduzir perdas e preservar capital em cenários de juros altos e inflação persistente.

## O que a Janus Henderson chama de 'básico'?

A recomendação da Janus Henderson não se refere a ativos simples, mas a segmentos da economia cuja demanda é inelástica, ou seja, não cai drasticamente mesmo com recessão. Segundo a gestora, setores como utilidades públicas (energia elétrica, saneamento), saúde, alimentos processados e energia (petróleo e gás) formam a espinha dorsal de uma carteira defensiva.

Dados do IBGE mostram que, entre 2020 e 2022, o setor de energia elétrica no Brasil manteve crescimento real médio de 2,1% ao ano, mesmo com a crise da pandemia. Já a produção de alimentos básicos, como arroz e feijão, registrou aumento de 4,3% na safra 2024/2025, segundo a Conab.

## Por que essa estratégia agora?

O cenário macroeconômico global combina juros elevados nos Estados Unidos, a taxa básica americana está em 5,25% a 5,50% ao ano, segundo o Federal Reserve, com inflação ainda acima da meta em economias emergentes. No Brasil, a Selic encerrou maio em 9,75% ao ano, patamar que comprime a rentabilidade de ativos de risco.

Nesse ambiente, a Janus Henderson argumenta que a alocação em 'básico' funciona como um porto seguro. O racional é que empresas de utilidades e alimentos têm fluxo de caixa previsível e baixa correlação com ciclos econômicos agressivos.

## Setores favorecidos pela tese defensiva

### Utilities e infraestrutura

Empresas de energia elétrica e saneamento básico são as candidatas naturais. No Brasil, o setor elétrico é regulado pela Aneel, que garante contratos de longo prazo e reajustes anuais por inflação. Isso proporciona previsibilidade de receita.

- Energia elétrica: crescimento de 2,1% ao ano entre 2020-2022, segundo IBGE.
- Saneamento: o Novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) novo marco legal do saneamento prevê investimentos de R$ 700 bilhões até 2033, com metas de universalização.

### Alimentos e bebidas

A demanda por alimentos básicos é pouco sensível à renda. A Conab projeta safra recorde de grãos em 2025/2026, com 322 milhões de toneladas. Empresas processadoras e distribuidoras se beneficiam desse volume.

### Saúde

O setor de saúde, especialmente hospitais e planos, tem demanda crescente com o envelhecimento populacional. Dados do IBGE indicam que a população com 60 anos ou mais chegará a 32 milhões em 2026.

## Como investir no 'básico' no Brasil?

O investidor brasileiro tem à disposição fundos de investimento que seguem essa tese defensiva. Fundos multimercado com exposição a utilities e alimentos, além de ETFs setoriais, são alternativas práticas.

- Fundos de ações defensivos: carteiras focadas em empresas de energia, saneamento e saúde.
- ETFs de infraestrutura: como o XINF11, que replica o índice de infraestrutura da B3.
- Ações individuais: empresas como Engie Brasil (EGIE3), Sabesp (SBSP3) e Ambev (ABEV3) são exemplos clássicos.

A Janus Henderson recomenda alocar entre 15% e 25% do portfólio em setores básicos em momentos de estresse, ajustando conforme o cenário.

## Riscos e ressalvas

Nenhuma estratégia é infalível. Investir no 'básico' pode significar menor potencial de alta em cenários de recuperação econômica acelerada. Além disso, setores regulados como utilities estão sujeitos a intervenções governamentais, como congelamento de tarifas.

Outro risco é a concentração setorial. Uma carteira muito focada em utilidades pode sofrer com choques regulatórios ou climáticos, como a crise hídrica de 2021, que elevou custos das geradoras.

## Perguntas Frequentes

### O que significa 'investir no básico' segundo a Janus Henderson?

Significa priorizar setores essenciais como energia, alimentos, saúde e saneamento, que mantêm demanda mesmo em crises econômicas.

### Quais são os melhores fundos para essa estratégia no Brasil?

Fundos multimercado defensivos e ETFs de infraestrutura, como o XINF11, são opções. Consulte um assessor para adequar ao seu perfil.

### Essa estratégia é indicada para todos os investidores?

Não. É mais adequada para perfis conservadores ou moderados em momentos de alta volatilidade. Investidores agressivos podem perder oportunidades de alta.

### A Janus Henderson recomenda alocação fixa ou variável?

A gestora sugere alocação tática, entre 15% e 25% do portfólio, ajustável conforme o cenário macroeconômico.

### Quais os principais riscos dessa tese?

Riscos regulatórios, climáticos e de concentração setorial. Além disso, em cenários de recuperação econômica forte, o 'básico' tende a performar abaixo de setores cíclicos.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/investir-8216basico8217-pode-ser-chave-sobreviver-tempestade-financeira-afirma-j/
