# Ibovespa mira 200 mil pontos, mas eleição e correção testam rali

> Ibovespa fechou em alta de 3,05% aos 185.205 pontos, registrando a 11ª sessão consecutiva de valorização. O índice brasileiro está aproximadamente 8% distante da marca de 200 mil pontos. Eleição presidencial e possibilidade de correção técnica representam riscos para a continuidade do rali. A trajetória de curto prazo depende da absorção desses fatores pelo mercado.

*Mercado Valor · Investimentos · 03 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

O Ibovespa fechou em alta de 3,05%, aos 185.205 pontos, completando a 11ª sessão consecutiva de valorização. O índice está a cerca de 8% da marca de 200 mil pontos, mas eleição e correção podem testar o rali.

O Ibovespa fechou esta quarta-feira (2) em alta de 3,05%, aos 185.205 pontos, completando a 11ª sessão consecutiva de valorização. Foi o maior fechamento desde o início de maio, deixando o índice a cerca de 8% da marca de 200 mil pontos. A pergunta que mudou o mercado: os 200 mil voltaram a ser um alvo possível?

Desde a reação iniciada na região dos 164.835 pontos, o Ibovespa acumula recuperação de aproximadamente 12%. Parte dos fatores que pressionavam a Bolsa em junho, como saída de estrangeiros, juros elevados e piora da percepção de risco, começou a se mover em direção mais favorável. Mas o caminho até a máxima histórica de 199.354 pontos não será uma linha reta.

Depois de 11 altas seguidas, aumenta a possibilidade de realização de lucros. Ao mesmo tempo, a eleição passou a ter influência cada vez maior sobre Bolsa, dólar e juros, adicionando volatilidade ao cenário. "Na minha visão, no curto prazo não está na hora de entrar, mas acho que ainda tem mais alta", afirma André Moraes, analista e chairman da BFR Investimentos. Para ele, quem tenta capturar apenas o movimento imediato chega depois de uma parte relevante da arrancada.

O contraste com junho ajuda a entender por que os 200 mil pontos voltaram à conversa. Depois de alcançar o recorde de 199.354 pontos em abril, o Ibovespa perdeu mais de 15% e chegou a negociar abaixo dos 170 mil pontos. Naquele momento, pesavam a saída de capital estrangeiro, juros elevados, apreensão fiscal, ruído eleitoral e um ambiente externo avesso ao risco. No fim de agosto, a pressão vendedora dos estrangeiros perdeu intensidade. Nesta quarta, o dólar caiu para R$ 5,109 e os juros futuros recuaram ao longo da curva.

Rafael Perretti, economista e analista da Clear, avalia que o mercado brasileiro está hoje dependente de dois vetores: o cenário político doméstico e o comportamento dos juros, no Brasil e nos Estados Unidos. Dados mais fracos do mercado de trabalho americano tendem a reduzir a pressão por novos aumentos pelo Federal Reserve, o que melhora a atratividade dos emergentes. "A questão fiscal e o endividamento público são o calcanhar de Aquiles para o capital estrangeiro permanecer no Brasil", afirma.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. A reação foi rápida: Bolsa subiu, dólar caiu e juros futuros recuaram. "A alta da Bolsa tem um motivo muito mais político do que qualquer outra coisa", diz Moraes. Na leitura de parte do mercado, uma disputa equilibrada aumenta a possibilidade de mudança na condução da política fiscal a partir de 2027, mas o mesmo componente pode provocar movimentos bruscos na direção contrária.

No gráfico semanal, o Ibovespa recuperou as médias móveis de 9 e 21 períodos e rompeu a parte superior do canal da correção. O IFR de 14 períodos está em 59,59 pontos, indicando força sem sobrecompra. Antes do recorde, há resistência em 188.790 pontos. "O primeiro ponto que me chama a atenção são os 189 mil pontos. Depois, vem o topo histórico, perto dos 200 mil", diz Moraes. No mensal, o IFR chegou a 70,04, entrando em sobrecompra, o que aumenta a chance de acomodação.

Uma eventual queda após 11 altas não significaria o fim do rali. O ponto principal será observar a intensidade da realização e a manutenção do fluxo comprador. Os 164.835 pontos seguem como suporte estrutural. Os 200 mil pontos voltaram a ser plausíveis, mas ainda não são destino garantido. O gráfico permite olhar para cima, mas a eleição suficientemente disputada tende a fazer a volatilidade acompanhar o Ibovespa até a reta final.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/ibovespa-mira-200-mil-pontos-mas-eleicao-correcao-podem-testar-rali/
