Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa, Dólar e Juros nesta sexta (24/07)
O Ibovespa opera nesta sexta-feira (24) em meio a tensões geopolíticas, novas tarifas dos EUA e a visita de Javier Milei ao Brasil. Confira o que movimenta a Bolsa, o dólar e os juros ao vivo.
Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta sexta (24/07)
O Ibovespa opera nesta sexta-feira (24) em um cenário de múltiplos estímulos. A visita do presidente argentino Javier Milei ao Brasil para declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a 60 parceiros comerciais, os contínuos ataques americanos ao Irã e a revisão para baixo das projeções da Volkswagen são os principais drivers do dia. O petróleo volta a US$ 100 por barril, enquanto os índices futuros dos EUA avançam, com investidores se recuperando da queda provocada pelo petróleo.
Milei no Brasil: impacto político e econômico
O presidente da Argentina, Javier Milei, viaja ao Brasil nesta sexta-feira para participar da convenção do Partido Liberal e declarar apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. O endosso de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção de lançamento de candidatura é raro e oferece à campanha de Flávio Bolsonaro um novo impulso após meses marcados por escândalos e disputas internas, com a perda de terreno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas. O prestígio importado pode ajudar o senador a consolidar um campo político fragmentado. Outros partidos conservadores evitaram apoiar sua candidatura, enquanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. "Ter o Milei na convenção ajuda a motivar, mobilizar essa base mais ideológica", disse Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group para o Brasil, destacando o alinhamento com recentes vitórias da direita na Colômbia, Peru e Chile.
Tarifas de Trump: novo capítulo na guerra comercial
O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia e a China, sob alegações de fiscalização frouxa das proibições ao trabalho forçado. A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, reagiu classificando as alegações como "infundadas" e disse que o bloco buscará esclarecimentos junto a Washington. "Tínhamos um acordo com os Estados Unidos e cumprimos a nossa parte. Por isso, é uma surpresa negativa que esse acordo não esteja sendo respeitado", acrescentou. O ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, classificou a ação americana como "completamente injustificada" e afirmou que continuará pressionando o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, para que remova todas as tarifas sobre produtos australianos. A China se opõe a todas as tarifas unilaterais, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, acrescentando que as guerras comerciais não beneficiam nenhuma das partes.
BCE e o impacto das tarifas na Europa
O dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, afirmou que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a parceiros comerciais "acrescentam mais incerteza à economia mundial e ao crescimento econômico", em entrevista à BFM Business TV nesta sexta-feira. Moulin afirmou ainda que as tarifas representam "um obstáculo", apesar do acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado. "Para a Europa, não deve haver grandes mudanças, pois temos o acordo, que deveria ser respeitado por Donald Trump. No entanto, isso obviamente gera mais incerteza para o comércio mundial e, claramente, não é favorável ao crescimento", disse o dirigente. Em relação à economia francesa, Moulin afirmou que "há uma boa resiliência".
Petróleo a US$ 100 e o Estreito de Ormuz
O petróleo volta a atingir US$ 100 por barril, em meio aos riscos contínuos para o transporte marítimo no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu uma "grande punição militar" ao Irã e aos seus aliados Houthis após os ataques no Mar Vermelho. As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram na noite de quinta-feira que haviam concluído a 13ª noite consecutiva de ataques ao Irã. O número diário de passagens de navios pelo Estreito de Ormuz se manteve estável em três nos últimos três dias, de acordo com dados preliminares de rastreamento de navios. Três navios passaram pelo Estreito de Ormuz a cada dia, de 22 a 24 de julho, segundo dados da empresa de análise Kpler. Nesta sexta-feira, mais um superpetroleiro (VLCC) carregado, o Romania Prosperity, foi avistado ao largo de Fujairah, fora do estreito, com petróleo bruto Murban, embora seu destino ainda seja desconhecido, e dois graneleiros vazios de commodities agrícolas saíram do estreito em direção ao Golfo Pérsico. Na quinta-feira, o VLCC New Giant, carregado com 2 milhões de barris de petróleo bruto de Basrah, no Iraque, saiu do estreito e deveria chegar ao porto de Rizhao, na China, em meados de agosto. Outros dois navios, incluindo o VLCC vazio Noble, também entraram no Golfo pelo Estreito de Ormuz na quinta-feira.
Volkswagen revisa projeções para baixo
A Volkswagen reduziu suas projeções de vendas e de entregas de veículos para este ano e reiterou que precisa fazer mais para enfrentar os ventos contrários do setor, que incluem conflitos geopolíticos e comerciais, exigências regulatórias, volatilidade dos mercados e concorrência mais acirrada. A montadora alemã afirmou que agora espera que as vendas em 2026 fiquem entre estabilidade e queda de 3%, ante a projeção anterior de estabilidade a alta de 3%. A revisão reflete principalmente um forte recuo de volumes na China, depois de o mercado do país ter encolhido 20% no primeiro semestre. A estimativa para entregas também foi reduzida: a Volkswagen agora prevê queda entre 3% e 7% na comparação anual, ante a previsão anterior de estabilidade, ajustando as expectativas à fraqueza do mercado chinês. A empresa manteve a projeção de margem operacional entre 4% e 5,5% neste ano, acima dos 2,8% registrados em 2025.
PMI da zona do euro surpreende positivamente
O índice de gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro subiu de 50 em junho para 51,9 em julho, atingindo o maior nível em cinco meses, segundo dados preliminares publicados nesta sexta-feira pela S&P Global em parceria com o Hamburg Commercial Bank. O resultado superou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam manutenção do indicador em 50 neste mês. O PMI de serviços avançou de 49,4 para 51,6 no mesmo período, alcançando também o maior patamar em cinco meses. Nesse caso, o consenso da FactSet era de baixa para 49. Já o PMI industrial da zona do euro aumentou de 51,4 em junho para 52 em julho, tocando o maior nível em três meses. A projeção da FactSet era de queda para 50,9. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade econômica.
Dólar e juros: o que esperar
O dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0807 na quinta-feira (23), segundo o Banco Central. Na quarta (22), foi a R$ 5,0638, e na terça (21), a R$ 5,0780. O movimento reflete a cautela global com as tarifas de Trump, os ataques ao Irã e a revisão de projeções da Volkswagen. Para o investidor, o cenário de incerteza externa pode pressionar a moeda americana para cima, enquanto juros futuros tendem a acompanhar o humor do mercado internacional.
Perguntas Frequentes
O que é o Ibovespa?
O Ibovespa é o principal índice de ações da Bolsa de Valores brasileira (B3), que reflete o desempenho médio das ações mais negociadas no mercado.
Como o dólar afeta o Ibovespa?
A alta do dólar tende a beneficiar empresas exportadoras listadas no Ibovespa, mas pode pressionar a inflação e os juros, impactando negativamente o consumo e o mercado doméstico.
O que são juros futuros?
São taxas de juros projetadas para contratos de empréstimos ou investimentos com vencimento em data futura, negociadas na B3 e que refletem as expectativas do mercado para a Selic.
Como as tarifas de Trump afetam o Brasil?
As tarifas aumentam a incerteza global, podem desacelerar o comércio mundial e pressionar o dólar, o que impacta diretamente a inflação e os juros no Brasil.
O que é o Estreito de Ormuz e por que é importante?
É uma passagem marítima estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Tensões na região elevam o preço do barril e geram volatilidade nos mercados.
Como a visita de Milei ao Brasil pode influenciar o mercado?
O apoio a Flávio Bolsonaro pode reduzir a incerteza política no curto prazo, mas o mercado monitora o impacto nas pesquisas e na aprovação de reformas.