Ibovespa cai 0,51% com Petrobras e após Fed elevar juro
Ibovespa fechou em queda de 0,51%, a 185.547,66 pontos, pressionado por Petrobras e pelo primeiro aperto monetário do Fed desde 2023. Volume somou R$ 72,48 bilhões em dia de vencimento de opções.
O Ibovespa fechou em queda de 0,51%, a 185.547,66 pontos, renovando a mínima da sessão à tarde depois que o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos e sinalizou mais uma alta neste ano. O índice marcou 186.738,25 na máxima e 184.753,98 na mínima. O volume financeiro somou R$ 72,48 bilhões, em pregão também marcado por vencimento de opções sobre o Ibovespa.
A queda do Ibovespa combinou dois vetores: o recuo de Petrobras, que acompanhou o declínio do petróleo no exterior, e a sinalização de aperto adicional pelo Fed. A B3 ainda operou na expectativa da decisão do Copom, com apostas indicando corte da Selic de 14% para 13,75% ao ano.
O que mudou no pregão
O Federal Reserve promoveu o primeiro aperto monetário desde 2023 ao elevar a taxa overnight em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, em decisão unânime. Novas projeções mostraram que 16 autoridades do Fed preveem pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto até o fim deste ano, enquanto duas estimam estabilidade.
Na entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a economia dos EUA se fortaleceu desde junho e que as tendências da inflação mostraram pouca melhora. Warsh disse ter dificuldade de chamar as condições financeiras atuais de restritivas, ou seja, na visão dele os juros atuais ainda não freiam a economia o suficiente.
"A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio", afirmou.
"Isso é um discurso claramente hawkish, e o fato de essa avaliação ser 'amplamente compartilhada' pelo FOMC, nas palavras do próprio Warsh, reforça que não se trata de posição isolada", avalia Beto Saadia, economista-chefe da Nomos.
Para ativos de risco como ações, o recado é de cautela, aponta Saadia, já que "higher for longer" volta a predominar. "O ponto a monitorar agora é a reação do governo Trump", afirma.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou com declínio de 0,45%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 5,0205% no fim do dia, de 4,996% na véspera.
"A bolsa passou o dia refém da 'superquarta' e o pregão foi mais de posicionamento do que de convicção", afirmou o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan.
Segundo Trevisan, a alta de 0,25 ponto estava no preço e havia expectativa de sinalização de um ciclo mais longo de aperto. Ele destacou que a decisão ocorre no mesmo dia em que o Copom deve cortar a Selic, encolhendo o diferencial de juros entre os dois países.
"Para o investidor estrangeiro, parte da vantagem de manter recursos em reais desaparece, justamente às vésperas de uma eleição decisiva e com o crédito corporativo sob estresse", afirmou.
Petrobras e Braskem puxam perdas
Petrobras PN recuou 3,53% e Petrobras ON perdeu 4,27%, acompanhando o declínio do petróleo no exterior, onde o barril do Brent fechou em baixa de 2,69%, a US$ 105,83, pressionando também outras petrolíferas na B3.
Braskem PNA, que não faz parte do Ibovespa, desabou 15,17%, após analistas do UBS BB cortarem a recomendação das ações para venda, reduzindo o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75. O jornal Valor Econômico também reportou que a petroquímica enviou aos credores termos mais detalhados para sua reestruturação financeira e incorporou a previsão de deságio na dívida.
No setor bancário, o dia foi misto. Banco do Brasil ON fechou em alta de 3,04%, ganhando fôlego na segunda etapa do pregão. Itaú Unibanco PN caiu 0,12%, Bradesco PN encerrou com variação positiva de 0,05% e Santander Brasil Unit recuou 0,96%. Nubank, listado nos EUA, recuou 2,68%, com relatório do Itaú BBA cortando a recomendação das ações de "outperform" para "market perform".
Vale ON caiu 2,14%, em pregão de oscilação modesta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 0,14%.
Na ponta positiva, Magazine Luiza ON avançou 6,64%, em sessão positiva também para outros varejistas, com Assaí ON subindo 4,66% e Lojas Renner ON valorizando-se 3,14%, endossadas pelo alívio nas taxas dos DIs com prazos mais longos e expectativa de novo alívio monetário no Brasil.
Dados atualizados da B3 mostraram mais um dia com saída líquida das ações brasileiras. Até o dia 14, o saldo de capital externo estava positivo em R$ 7 bilhões em setembro. Na conta até o dia 11, eram R$ 7,3 bilhões.