# IA aproxima gestão de ações: quantitativa e discricionária

> A Inteligência Artificial (IA) aproxima a gestão quantitativa e discricionária de ações ao processar dados não estruturados, como notícias e relatórios. Marcello Paixão, da Bayes Capital Management, destaca que a captação de sinais estatísticos amplia a precisão das decisões de investimento. A tecnologia integra análises objetivas e subjetivas, reduzindo a distância entre estratégias tradicionalmente separadas no mercado financeiro.

*Mercado Valor · Investimentos · 31 de agosto de 2026 · Otávio Bandeira*

A Inteligência Artificial (IA) e a análise de dados não estruturados estão rompendo barreiras no mercado financeiro, unindo estratégias de investimento. Marcello Paixão, da Bayes Capital Management, explica como a captação e identificação de sinais estatísticos se tornam cada vez

A Inteligência Artificial (IA) e a análise de dados não estruturados estão reduzindo barreiras no mercado financeiro, aproximando estratégias de investimento distintas. Marcello Paixão, cofundador e gestor da Bayes Capital Management, destacou que a gestão discricionária e a quantitativa tendem a convergir no uso de informações para a seleção de ativos.

Segundo Paixão, embora os modelos de execução permaneçam diferentes, a etapa inicial de captação de dados e identificação de sinais estatísticos será cada vez mais semelhante entre as duas abordagens de gestão. "Das quatro fases do processo de investimento padrão - que são dado, sinal, construção do portfólio e execução -, nas duas primeiras vai haver uma convergência muito grande entre a gestão discricionária e a sistemática", afirmou o gestor. Essa convergência é impulsionada pelo avanço tecnológico, que permite converter conteúdos brutos em insumos quantificáveis, como gravações de voz, textos e dados de redes sociais, em vetores numéricos por meio de processamento de linguagem e IA.

A Bayes Capital Management, por exemplo, aplicou essa metodologia à análise de transcrições de divulgações de resultados de 20 mil empresas globais. Estratégias quantitativas de médio e longo prazo também exploram imperfeições das finanças comportamentais para capturar prêmios de risco. Paixão ressalta que a flexibilidade de tamanho é uma vantagem competitiva para gestoras menores, que conseguem operar empresas de pequeno e médio porte, enquanto fundos gigantes tendem a se concentrar em papéis de grande capitalização.

O investimento sistemático, na visão de Paixão, combina a transparência e diversificação da gestão passiva com a seleção rigorosa da gestão ativa. Ele citou o fundo Medallion de Jim Simons como um exemplo de estratégia consistente, mas com capacidade limitada a US$ 8 bilhões. A busca por diferenciação exige a exploração de novas bases de dados, além de métricas tradicionais. O acúmulo de experiência na parametrização de modelos é visto como fator de competitividade, permitindo operar com um atraso de um ano em relação às maiores gestoras globais. A Bayes adota atualizações diárias e incrementais de portfólio, sem elevar o custo de giro, executando ordens apenas quando distorções de preço superam custos transacionais.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/ia-muda-forma-escolher-acoes-aproxima-dois-mundos-investimentos/
