Investimentos

IA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestores

ResumoA Expert XP 2026 reuniu gestores da Wellington Management, Morgan Stanley e HB Wealth Management para debater inteligência artificial. A IA amplia margens e produtividade empresarial. A inflação permanece como o maior risco para os mercados acionários, conforme análise de Gina Adam. O evento destacou o potencial da tecnologia para impulsionar resultados corporativos.

Em painel na Expert XP 2026, gestores da Wellington Management, Morgan Stanley e HB Wealth Management debateram os retornos da inteligência artificial. Enquanto a IA amplia margens e produtividade, a inflação segue como o maior risco para os mercados acionários, segundo Gina Adam

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 24 de julho de 2026
IA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestores

O avanço da inteligência artificial está no centro das discussões entre investidores e executivos, mas a pergunta que não quer calar é: o retorno sobre os investimentos já pode ser medido? Em painel realizado durante a Expert XP 2026, gestores de três grandes instituições financeiras globais trouxeram respostas, e um alerta. Para eles, a IA já amplia margens e produtividade em empresas que a incorporam de forma estratégica, mas a inflação continua sendo o maior risco a ser monitorado.

Resposta direta: Em painel na Expert XP 2026, gestores da Wellington Management, Morgan Stanley e HB Wealth Management afirmaram que a inteligência artificial já amplia margens e produtividade em empresas que a utilizam para transformar operações. No entanto, a inflação segue como o maior risco para os mercados acionários, segundo Gina Adams, da HB Wealth Management.

O que dizem os gestores sobre o retorno da IA

O painel "Mundo em Movimento: As perspectivas das bolsas globais" contou com a presença de Laura Howenstine (Wellington Management), Alastair Pang (Morgan Stanley) e Gina Adams (HB Wealth Management). Cada um trouxe uma visão sobre como a inteligência artificial está sendo incorporada aos negócios e quais os resultados já observados.

Para Gina Adams, a análise do retorno sobre investimento em IA depende muito de quais empresas são observadas e de que forma a tecnologia está sendo incorporada. Companhias que usam IA para transformar operações já veem resultados positivos, especialmente em crescimento de receita e ganhos de eficiência. Ela destaca que cerca de 75% das empresas afirmam esperar algum nível de retorno sobre receita decorrente da adoção da IA.

Hyperscalers e o retorno consolidado

Laura Howenstine, da Wellington Management, defende que é preciso separar os diferentes grupos de empresas ao discutir inteligência artificial. Para ela, os chamados hyperscalers, as gigantes de tecnologia que operam data centers massivos, já apresentam um retorno mais consolidado sobre os elevados investimentos realizados em infraestrutura.

Alastair Pang, do Morgan Stanley, considera que os retornos sobre os investimentos de capital voltados à IA têm sido "incríveis". Segundo ele, a indústria está se construindo através de uma nova forma de inteligência baseada em tokens, que vem gerando avanços tecnológicos e oportunidades comerciais.

IA não é bolha, mas exige cautela

Laura Howenstine não vê paralelos diretos entre o atual ciclo de investimentos em IA e a bolha das empresas de internet do fim dos anos 1990. Na visão dela, existe hoje uma base econômica e operacional mais sólida sustentando o crescimento do setor, e os retornos já demonstram a validade dos investimentos.

Para Pang, os investimentos são impulsionados pelo consumo crescente dessa inteligência. Conforme empresas e consumidores incorporam mais ferramentas de IA em suas atividades, cresce também a capacidade de transformar tecnologia em receita. Ele destacou que os últimos seis meses marcaram um ponto de inflexão, impulsionado pelo avanço da chamada IA agêntica, que gerou escassez em diferentes partes da cadeia produtiva.

Setores que mais se beneficiam da IA

Howenstine acredita que a próxima etapa do desenvolvimento da IA será caracterizada por uma adoção muito mais ampla em diversos segmentos da economia. Entre os setores com maior potencial de benefício, ela citou bancos, logística, documentação corporativa, atividades administrativas e até mesmo o sistema de saúde dos Estados Unidos.

Gina Adams observa que o setor financeiro já se destaca como uma das áreas que mais capturaram retorno econômico a partir da IA. Empresas que construíram seus modelos de negócio em torno da inteligência artificial obtiveram benefícios mais significativos do que aquelas que apenas adicionaram ferramentas pontuais.

Laura chama atenção para companhias que não são tradicionalmente classificadas como empresas de IA, mas que já começam a capturar valor por meio da adoção da tecnologia. Para ela, essas empresas representam algumas das oportunidades mais interessantes para os investidores.

O momento do ciclo e a demanda por semicondutores

Ao comentar sobre o estágio atual do ciclo de investimentos, Pang afirmou que o mercado não está em uma situação comparável a 1994 nem a 1999, mas sim a algo mais próximo de 1997. Segundo ele, já houve expansão de margens, crescimento dos gastos de capital e aumento do interesse dos clientes em ampliar investimentos relacionados à IA.

Ainda assim, Pang acredita que a variável mais importante continua sendo a demanda. Em sua avaliação, a procura por soluções de IA está hoje mais forte do que estava apenas um trimestre atrás, o que reforça a sustentação do atual ciclo de crescimento.

Esse avanço da demanda por computação vem impulsionando toda a cadeia tecnológica, especialmente os fabricantes de processadores. Para Pang, o aumento da necessidade de capacidade computacional levará a uma demanda cada vez maior por CPUs, GPUs e outros componentes, fortalecendo especialmente o setor de semicondutores.

Embora Laura avalie que a trajetória dos semicondutores esteja se tornando menos dependente dos ciclos econômicos tradicionais, Adams considera que ainda existe um componente cíclico relevante no setor. Segundo ela, investidores devem permanecer atentos a possíveis sinais de desaceleração na demanda.

Inflação: o maior risco para os mercados

Gina Adams ressalta que o mercado continua premiando empresas com margens elevadas e maior potencial de retorno, mas vê na inflação o principal risco para os mercados acionários. Dados oficiais mostram que a inflação no Brasil, medida pelo IPCA, registrou variação de 0,70% em fevereiro de 2026 e 0,88% em março de 2026, segundo o Banco Central.

Laura Howenstine, por sua vez, considera que a grande oportunidade de investimento está no aumento da produtividade proporcionado pela IA e recomenda uma abordagem global para capturar esses benefícios. Pang conclui que o crescimento sustentável dependerá de portfólios diversificados, capazes de se beneficiar dos múltiplos temas transformados pela inteligência artificial.

Perguntas Frequentes

O que os gestores disseram sobre o retorno da IA?

No painel da Expert XP 2026, Laura Howenstine (Wellington Management), Alastair Pang (Morgan Stanley) e Gina Adams (HB Wealth Management) afirmaram que a IA já amplia margens e produtividade em empresas que a utilizam para transformar operações, mas alertaram para a inflação como maior risco.

Qual o principal risco para os mercados, segundo Gina Adams?

Gina Adams, da HB Wealth Management, vê na inflação o principal risco para os mercados acionários, mesmo com o avanço da inteligência artificial.

A IA é comparável à bolha das empresas de internet?

Laura Howenstine não vê paralelos diretos com a bolha dos anos 1990, pois existe hoje uma base econômica e operacional mais sólida sustentando o crescimento do setor.

Quais setores mais se beneficiam da IA?

Segundo os gestores, bancos, logística, documentação corporativa, atividades administrativas e o sistema de saúde dos EUA estão entre os setores com maior potencial de benefício.

Como está o ciclo de investimentos em IA?

Alastair Pang compara o momento atual a 1997, com expansão de margens, crescimento dos gastos de capital e aumento da demanda por soluções de IA.

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