# Goldman: Cyrela e Direcional sobem, mas baratas

> Cyrela e Direcional, segundo relatório do Goldman Sachs, continuam negociando a múltiplos historicamente baixos em comparação aos ciclos eleitorais de 2014, 2018 e 2022, mesmo após a forte recuperação recente das ações do setor imobiliário. O banco mantém visão positiva sobre ambas as incorporadoras, considerando o desconto frente aos pares e o potencial de valorização.

*Mercado Valor · Investimentos · 16 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

Relatório do Goldman Sachs aponta que Cyrela e Direcional seguem negociando a múltiplos historicamente baixos frente aos ciclos eleitorais de 2014, 2018 e 2022, mesmo após a forte recuperação recente das ações do setor.

As ações das incorporadoras brasileiras emendaram semanas de recuperação, sustentadas pela expectativa em torno da eleição presidencial e pela perspectiva de queda dos juros. Mesmo assim, um relatório do Goldman Sachs aponta que parte relevante do setor segue negociando a múltiplos historicamente descontados quando comparados aos mesmos momentos dos ciclos eleitorais de 2014, 2018 e 2022.

Em resumo: Cyrela e Direcional, apesar da alta recente, continuam sendo negociadas pelos menores múltiplos de preço sobre lucro (P/L) e pelos maiores prêmios de retorno sobre os títulos públicos de dez anos em comparação com os períodos equivalentes das últimas eleições presidenciais, segundo o banco.

O estudo foi montado para medir como as construtoras estão posicionadas às vésperas do primeiro turno, marcado para ocorrer em cerca de três semanas. Os analistas compararam os múltiplos de lucro projetado para os próximos 12 meses e o chamado earnings yield spread em relação aos juros nominais de dez anos observados nos pleitos anteriores.

## Cyrela e Direcional: desconto que persiste

Na avaliação do Goldman, a Cyrela segue como uma das oportunidades mais atrativas do setor. Mesmo após uma valorização de 27% desde as mínimas de agosto, a companhia negocia ao menor múltiplo P/L projetado entre os ciclos eleitorais analisados e ao maior spread de retorno frente aos títulos públicos.

A Direcional apresenta quadro semelhante. As ações negociam aos menores múltiplos da série histórica analisada e com o maior spread de retorno em relação aos juros longos. O banco ressalta, porém, que os papéis tiveram desempenho inferior ao de seus pares e seguem próximos dos menores níveis em mais de 18 meses.

O Goldman mantém recomendação de compra para as duas empresas. O preço-alvo é de R$ 31 para Cyrela, implicando potencial de valorização de cerca de 22%, e de R$ 20 para Direcional, o que representa upside próximo de 97% em relação ao fechamento de 14 de setembro.

## Cury, MRV, EZTEC e Tenda: o resto do setor

Embora mantenha recomendação de compra para Cury (CURY3), o banco ressalta que a construtora negocia entre os maiores múltiplos do setor, refletindo a preferência de investidores pela combinação de forte geração de caixa, balanço sólido e pagamento de dividendos. Nas conversas com investidores, os analistas identificaram justamente uma preferência por Cury em detrimento de outras empresas do segmento de baixa renda, principalmente pela qualidade do balanço e pela distribuição de proventos. Ainda assim, o Goldman segue vendo potencial de valorização para o papel e mantém preço-alvo de R$ 43.

Já a MRV (MRVE3) foi a empresa que mais se valorizou desde as mínimas recentes, acumulando alta de 37%, embora partindo de níveis próximos aos menores da última década. Apesar da recuperação, os analistas observam que o prêmio de retorno da ação em relação aos títulos públicos é hoje um dos mais apertados entre as companhias acompanhadas. O Goldman manteve recomendação neutra para a companhia e preço-alvo de R$ 7.

A EZTEC (EZTC3) também participou da recuperação do setor, com avanço de cerca de 28% desde agosto. O movimento teria sido ajudado por notícias envolvendo uma possível locação da Torre Esther. Ainda assim, o banco mantém recomendação de venda para a incorporadora, afirmando que o desconto em relação aos pares ficou mais limitado após o rali recente.

Já a Tenda (TEND3) continua entre as preferidas da instituição. O Goldman avalia que, em relação ao ciclo eleitoral de 2018, a companhia ainda negocia com desconto relevante, mantendo recomendação de compra e preço-alvo de R$ 37.

A análise reforça que o mercado voltou a monitorar de perto o comportamento histórico das ações de construtoras em períodos eleitorais. Para o Goldman Sachs, mesmo após a recuperação recente das cotações, parte importante do setor continua precificando um cenário bastante conservador, principalmente nos casos de Cyrela e Direcional.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/goldman-cyrela-direcional-sobem-mas-estao-baratas-frente-outros-ciclos-eleitorai/
