# Gestores veem Brasil sem melhora fiscal no curto prazo, mas renda fixa brilha

> Macro Day 2026 reuniu gestores como Fabiano Rios, Carlos Woelz e Rodrigo Carvalho, que concordam sobre a ausência de melhora fiscal no Brasil no curto prazo. A deterioração das contas públicas mantém juros elevados, mas a renda fixa apresenta oportunidade: títulos prefixados com vencimento em 2029 ofereciam retorno de 14,13% ao ano.

*Mercado Valor · Investimentos · 01 de setembro de 2026 · Lia Hartmann*

No Macro Day 2026, gestores como Fabiano Rios, Carlos Woelz e Rodrigo Carvalho concordam que a deterioração fiscal mantém juros elevados. Mas veem na renda fixa uma oportunidade: títulos prefixados com vencimento em 2029 ofereciam 14,13% ao ano.

O mercado financeiro trabalha com um cenário pouco animador para as contas públicas brasileiras, mas é esse pessimismo que cria oportunidades na renda fixa, segundo gestores reunidos no Macro Day 2026, evento do BTG Pactual nesta segunda-feira (31). Fabiano Rios, da Absolute Investimentos, Carlos Woelz, da Kapitalo, e Rodrigo Carvalho, da BTG Pactual Asset Management, concordam que a deterioração fiscal mantém juros elevados. A diferença está na expectativa sobre quando esse quadro muda.

Para Carvalho, há possibilidade razoável de que um eventual governo eleito em 2027 avance com reformas para reduzir despesas e abra espaço para cortes de juros. Já Woelz vê poucas chances de mudança sem troca de governo. "Esse ciclo se esgotou. O governo teria que aceitar que é o momento de desacelerar, não pedalar essa bicicleta para sempre. Mas não acredito nessa possibilidade, então prefiro ficar de fora", afirmou.

É a falta de expectativa de queda dos juros que chama a atenção de Rios. Segundo ele, o mercado já incorporou à curva um cenário ruim. Se houver qualquer melhora fiscal, mesmo pequena, os juros podem cair rapidamente e provocar valorização dos títulos. "Um ajuste fiscal pequeno já vai derrubar os juros de curto prazo. A economia está capengando e qualquer susto positivo vai causar uma reação mais forte. É uma grande oportunidade", disse.

A preferência está em títulos prefixados e indexados à inflação, mais sensíveis às mudanças na curva. Nesta segunda-feira, um prefixado do governo com vencimento em 2029 oferecia 14,13% ao ano. Para Rios, não é razoável esperar que a Selic permaneça em torno dos atuais 14% daqui a três anos. "Tem muito pouco precificado. E, em algum momento, vai ter correção desses preços."

A visão sobre a bolsa é menos otimista. Os gestores não abandonaram as ações, mas evitam empresas muito dependentes do crescimento da economia brasileira. Na Absolute, a preferência está em exportadoras e companhias que podem se beneficiar de eventual queda dos juros reais. O BTG Asset mantém exposição a setores defensivos e está comprado em dólar como proteção.

A cautela reflete também o ambiente global. Para Rios, as expectativas de crescimento econômico continuam elevadas mesmo com juros e inflação altos, o que pode indicar uma "exuberância irracional" semelhante à dos anos 1990. No Brasil, essa paciência pode significar esperar por uma mudança fiscal. Até lá, para os gestores, os juros altos que assustam o mercado também podem ser a fonte da oportunidade.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/gestores-veem-brasil-sem-melhora-fiscal-curto-prazo-mas-encontram-oportunidade-r/
