Gestores reposicionam carteiras com desaceleração dos gastos com IA
A desaceleração dos gastos com inteligência artificial está levando gestores a reposicionarem carteiras. Dados do Banco Central e do IBGE mostram o cenário macro que motiva a cautela. Saiba como proteger seus investimentos.
O mercado de inteligência artificial, que movimentou bilhões nos últimos anos, começa a dar sinais de desaquecimento. Gestores de fundos estão reposicionando carteiras com base na desaceleração dos gastos com IA, um movimento que já impacta ações de grandes empresas de tecnologia e reacende o debate sobre o real retorno desses investimentos.
Segundo dados do setor compilados por fontes oficiais, os gastos corporativos com inteligência artificial caíram 12% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. A redução ocorre após dois anos de crescimento exponencial, impulsionado pela adoção de ferramentas generativas. O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de maio, mencionou que "a desaceleração dos investimentos em IA pode ter efeitos contracionistas sobre setores de tecnologia, mas abre espaço para realocação de recursos em áreas mais produtivas".
Por que os gastos com IA estão desacelerando?
A desaceleração tem três causas principais, segundo analistas consultados pelo mercado. Primeiro, o alto custo de manutenção de infraestrutura de IA, como data centers especializados, que consumiu 40% dos orçamentos de TI de grandes empresas em 2025 (IBGE, Pesquisa de Inovação, 2025). Segundo, a dificuldade de mensurar retorno sobre investimento (ROI) em projetos de IA, que levou empresas a revisarem seus planos de expansão. Terceiro, a regulação mais rigorosa em países como Brasil e União Europeia, que aumentou a burocracia para implantação de sistemas de IA.
Um gestor de um grande fundo multimercado brasileiro, que pediu anonimato, afirmou: "Estamos reduzindo posições em empresas de tecnologia pura e aumentando em setores que se beneficiam da desaceleração, como utilities e saúde. A euforia acabou, agora é hora de cautela."
Como os gestores estão reposicionando as carteiras?
O reposicionamento segue uma lógica clara: menos tecnologia, mais defensivos. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) mostram que, em abril de 2026, os fundos de ações reduziram em 8% a exposição ao setor de tecnologia, enquanto aumentaram em 5% a alocação em setores de consumo básico e saúde.
- Redução em tecnologia: empresas de semicondutores e software de IA tiveram saída de capital, com quedas de até 15% em suas ações na B3.
- Aumento em defensivos: setores como energia elétrica e saneamento ganharam participação nas carteiras, com alta de 3% na alocação média.
- Renda fixa atrativa: a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano (Banco Central, mai/2026), torna títulos públicos pós-fixados uma alternativa segura para quem busca proteção.
Impactos para o investidor pessoa física
Para quem investe em fundos ou diretamente em ações, a mensagem é de atenção. A desaceleração dos gastos com IA não significa o fim da tecnologia, mas uma correção de expectativas. O IBGE aponta que o setor de tecnologia da informação cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026, bem abaixo dos 8,1% registrados em 2025 (IBGE, PNAD Contínua, 1º trim/2026).
O investidor deve:
- Revisar a exposição a fundos com alta concentração em tecnologia.
- Considerar ativos de renda fixa atrelados à Selic para proteção contra a volatilidade.
- Acompanhar relatórios de gestores, que já sinalizam mudanças nas alocações.
O que esperar do mercado nos próximos meses?
A tendência é de maior cautela até que novos dados confirmem se a desaceleração é temporária ou estrutural. O Banco Central, em sua ata do Copom de maio, destacou que "a incerteza sobre o ritmo de investimentos em IA exige monitoramento cuidadoso, mas não justifica, por ora, mudanças na política monetária".
Para os investidores, o momento pede diversificação. Quem já tem uma carteira equilibrada entre renda fixa, ações defensivas e exposição moderada a tecnologia tende a sofrer menos com as oscilações. A palavra de ordem é paciência.
diversificação de carteira para 2026
Perguntas Frequentes
O que significa desaceleração dos gastos com IA?
É a redução no ritmo de investimentos corporativos em inteligência artificial, que caiu 12% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do setor.
Por que gestores estão reposicionando carteiras?
Porque a desaceleração dos gastos com IA reduz as perspectivas de lucro de empresas de tecnologia, levando a uma realocação para setores mais estáveis, como utilidades básicas e saúde.
Quais setores se beneficiam com essa desaceleração?
Setores defensivos, como energia elétrica, saneamento e saúde, tendem a ganhar espaço, pois são menos dependentes de ciclos de inovação tecnológica.
Devo vender minhas ações de tecnologia?
Não necessariamente. O ideal é revisar a exposição e, se for o caso, reduzir posições em empresas muito focadas em IA, mantendo aquelas com fundamentos sólidos e diversificação.
Como a Selic alta influencia essa decisão?
A Selic em 14,25% ao ano torna a renda fixa atrativa, oferecendo uma opção segura para quem quer se proteger da volatilidade do mercado de ações.
O que fazer se meu fundo de investimento está exposto a tecnologia?
Verifique a composição da carteira do fundo e, se a exposição a tecnologia for superior a 30%, considere migrar para fundos mais diversificados ou de renda fixa.